
Não tenho passado por aqui ultimamente. É que tenho estado bastante ocupado com o trabalho, e também porque tanta coisa tem acontecido ultimamente... às vezes a vida é mais rápida que a nossa capacidade de entendê-la para poder colocar tudo no papel. Então eu estou assim, quietinho no meu canto, vendo a vida passar com os dias de sol e os dias de trovão, olhando para o céu, olhando pra mim mesmo e para os que estão ao meu redor e ruminando, como um bom taurino, esperando para ver o que vai acontecer, e esperando para ver quais ideias vão brotar. As vezes é melhor assim, já disse D. João que o melhor a fazer quando não sabemos o que fazer é simplesmente não fazer nada. Concordo plenamente.
A vida sempre segue o seu rumo, não espera pela gente. Aqui no escritório tenho hoje um raro dia vazio, sem muito o que fazer, pois por uma razão ou por outra o meu trabalho está emperrado, dependendo de uma averiguação no sistema que ainda não feita, de uma assinatura de alguém que não está, ou de uma explicação que ainda não chegou. Mas normalmente tenho tido bastante trabalho aqui atualmente, e trabalho analítico, que requer muita leitura e toma muito tempo, então não sobra tempo (tempo, sempre ele, o tempo...) para ler e-mails e ainda menos para escrever aqui. E em casa eu estou sempre fazendo alguma outra coisa.
Vi dois bons filmes no cinema recentemente. Um foi "No Country for Old Men", o vencedor do Oscar, dos irmãos Cohen, e eu gostei bastante. Apesar de ser longo, o filme engata desde o início, e o final é bastante esclarecedor. A gente se dá conta de que não estamos vendo apenas uma história, mas uma dentre várias histórias. A banalização da violência é o tema do filme, aliás bastante violento. Outro filme de que gostei muito foi "Lust, Caution", do diretor anglo-chinês Ang Lee. Muito bom, uma história de espionagem na China durante a Segunda Guerra, que na verdade serve apenas de pano de fundo para o desenrolar de uma história bem diferente, a história da relação presa-predador entre um homem e uma mulher, e no final já não está mais tão claro quem é presa e quem é predador, ou talvez sejam ambos presas do desejo? Interessantíssimo o filme, gostei demais.
Sem viagens no front, porque depois do banquete turístico com o qual eu me regalei no início deste ano, tenho agora que ficar um pouco por aqui mesmo, para recuperar o bolso e a pele, que eu não sou nem rico e nem tenho 20 anos. Então por enquanto vou ficando por aqui mesmo. Terminei de ler "Ne le dis a personne", de Jaime Bailly, e voltei a ler "Los Aires Dificiles", de Almudena Grandes, e estou começando a entrar na história (aquela sensação quando a gente vai para o trabalho de manhã esperando que chegue logo a noite pra gente poder voltar pra cama e ler o livro mais um pouquinho....).
E no mais, esperando este inverno terminar, e que inverno! Não nevou quase nenhum dia aqui em Bruxelas, e para que a ausência de neve não fosse absoluta, nevou um pouquinhozinho na semana passada, mas uma neve tão rala, acho que foi só pra dizer que nevou mesmo. Mas o inverno que faltou na previsão do tempo, sobrou na minha vida privada... mas tudo bem, logo logo, a primavera virá. Se no Brasil são as águas de março que fecham o verão, espero que esta nevezinha sem graça e molhada de março aqui em Bruxelas carregue consigo este inverno maldito. Não vejo a hora que o sol me ilumine.



1 comment:
Oi, Antônio.
Imagino como vc deve estar se sentindo...
O sol é tudo para mim. Até porque sou de signo solar (leão), o que me torna uma dependente em alto grau deste astro maravilhoso.
Adoro curtir também um friozinho e alguns dias de chuva (ocasionais) são sempre bem vindos.
Mas nada se compara aos dias de sol, calor, céu azul e muita luminosidade.
Tomara que este seu inverno acabe logo!
Bj
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