
Tuesday, November 24, 2009
Boom boom Buda Bangkok

Monday, November 9, 2009
O Dominó de Berlim

Há 20 anos atrás quando o muro de Berlim caiu, eu estava ainda na faculdade de Direito. Para falar a verdade eu não me lembro exatamente do que eu estava fazendo naquele dia, mas por curiosidade procurei através da internet o calendário de 1989 e descobri que o 9 de novembro daquele ano caiu numa quinta feira. Deve ter sido um dia normal, de muito calor e talvez chuva, como são os dias em Belém nesta época do ano. Eu devo ter passado o dia em aulas na Universidade, e ao final da tarde devo ter voltado pra casa. O que eu me lembro sim, daquele dia, é de ter recebido a notícia pela televisão, acho que no jornal das oito, assim como a maior parte da população mundial. E também como todo mundo, é claro que achei fantástico o que estava acontecendo, e fiquei grudado em frente à tv até altas horas da noite, mudando de canal para canal, de jornal para jornal, para não perder nenhum minuto daquele acontecimento histórico que estava sendo transmitido ao vivo para o mundo. E uma idéia na cabeça: "puxa, como eu gostaria de ter estado ali naquele lugar e naquela hora precisa.'
Naquela época, a idéia que se tinha dos países do leste europeu, e principalmente dos seus habitantes, era bem diferente da realidade que vemos hoje. Berlim, Praga, Budapeste, ainda estavam bem longe de ser as megacapitais de turismo em que se tornaram hoje. Países como a Bulgária ainda eram vistos com receio e a Bósnia ainda nem sequer existia como país independente, escondida no país que chamávamos de Iugoslávia. Quanta mudança e a gente nem se toca! Quando eu finalmente estive em Berlim pela primeira vez, em 1998, a cidade já estava em plena transformação. A Potsdamer Platz ainda era apenas o "maior canteiro de obras da Europa" como se falava na época mas o Checkpoint Charlie já era lembrança de um passado distante e a Friedrichstrasse estava em franca evolução rumo ao que é hoje. Mas a impressão geral que a cidade dava é a de que era realmente uma cidade em fase de transição, de mudanças, tantas eram as obras espalhadas pela cidade, tantas eram as diferenças que se encontravam aqui e ali, tanta cor de um lado, tanto vazio de outro. Este ano, ao visitar a cidade apenas pela segunda vez, notei que apesar de um ou outro canteiro de obras aqui ou ali, em termos gerais a cidade já está bastante refeita. A cidade está completamente diferente. Mas o que é interessante no caso de Berlim é que a cidade conseguiu se transformar sem perder a alma. Prenzlauer Berg virou um bairro yuppie, quem diria, mas comparada com Londres ou Paris, Berlim ainda é bem undergroundzinha, e é essa aversão civilizada mas resistente a tudo que cheire a pequeno-burguês da cidade que a torna atraente. Amsterdam, que vem seguindo o caminho contrário nos últimos anos, poderia tirar uma lição daí sem dúvida. Bruxelas então, nem se diga.
Um amigo meu comentou hoje que estava surpreso com a relativa apatia com a qual a celebração dos 20 anos da queda do muro foi - ou não - comentada durante o dia. A verdade é que ninguém falou muito a respeito do assunto em círculos privados. Sim, a notícia está em todos os jornais e revistas, sim, a Alemanha preparou uma festa enorme em Berlim com um belo jogo de queda de dominó gigante simbolizando a queda do muro, sim, todos nós sabemos do quanto o mundo mudou de lá pra cá. Mas será nos damos conta ainda do significado disso tudo? Parece-me que já estamos dando o fato como favas contadas, já estamos "taking it for granted" e esquecendo que na verdade o povo da antiga Alemanha Oriental teve realmente que lutar para conseguir chegar lá e que tudo poderia ter acabado diferente de como acabou. Em uma Europa reunida, o que talvez poderia, e deveria, ter sido o motivo para uma festa continental, não foi. Todo mundo continua seguindo suas vidas, e quando possível assistindo ao resumo das festividades em Berlim pela televisão, mas assim, de passagem. Durante o jantar e de preferência antes da hora de dormir porque amanhã todos nós temos que ir trabalhar, ora bolas. A queda do Muro de Berlim, verdadeira queda da Bastilha do século XX, virou produto de consumo. Alguém tem ainda algum pedacinho do muro pra vender? Será que vale ainda alguma coisa? Tudo foi banalizado. O Muro virou um jogo de dominó bem colorido para cair ao vivo pela tv, mas por favor não confundir as peças de dominó caídas com o Monumento ao Holocausto logo ao lado. Nele os blocos são cinzentos, já estão caídos antes da festa começar, e lá ficarão, eternamente, para o esquececimento geral da humanidade.
Deixa eu esclarecer. Não é que o assunto fora esquecido pela mídia não, eu já falei isso, muito pelo contrário. A semana inteira pudemos nos deliciar aqui na Europa com todo tipo de documentário sobre o Muro. Quando o Muro surgiu, como o Muro caiu, quem pulou do Muro, quem caiu do Muro, quem fugiu do Muro e quem ficou em cima do Muro, de todos eles pudemos saber os nomes, as vidas, as histórias. Relatos de "como eu consegui fugir" aos montes, seguidos dos inévitáveis momentos de emoção, os reencontros, os choros, o final feliz. Sem esquecer o epílogo em que nós é narrado em off o que aconteceu com cada um dos "personagens" após o capítulo final. E assim cada uma daquelas pessoas, testemunhas da história há 20 anos atrás, narradoras de seriado na atualidade, expôs a sua história ao mundo, como um verdadeiro "Truman Show" versão europeia e todos nós assistimos aos documentários, assim com quem assiste a uma novela das oito. Emocionados sem dúvida, mas vivendo a sensação de que aquilo que nos é contado não passa de uma ficção barata de um tempo que já passou, que já não existe mais. O tempo voa. A memória é curta. Não há espaço suficiente no drive. Deleta. Como assim o Muro caiu? Como assim comunismo, o que era isso mesmo? Ah sim, claro, tinha um muro ali antes, nossa. Muda o canal agora por favor, que o show da Beyoncé vai começar. Puxa, é não é que ela ganhou três awards no European MTV Awards... FABULOUS!!! E coincidência do século, não é que a festa foi em Berlim??? Ach, Berlim, tinha que ser por isso que estava todo mundo falando da cidade mesmo esta semana, era o show da Beyoncé, era o MTV Awards, ora bolas. Dá pra fazer um download no YouTube? Ich bin auch ein Berliner!!!
Tuesday, November 3, 2009
Independência e Morte.
Nessa vida de quase nômade que eu levei até agora por maiores ou menores espaços de tempo em 9 cidades espalhadas por 6 países. Uma vez eu contei que entre o ano 2000 e 2008 eu havia me mudado de casa 16 vezes, o que dava uma média de uma mudança a cada 6 meses. Nessas andanças todas conheci muita gente, é claro, gente que passou pela minha vida, deixou marca ou não, e se foi, além de alguns poucos que foram insistindo em ficar pelo caminho, ainda que a vida marche em direção oposta. Gente que foi muito importante durante um tempo, e com as quais eu perdi totalmente o contato; mas também gente a quem eu talvez nunca tenha dado a atenção necessária, pois apesar de tudo, ficaram.
Agora a noite eu acabei de usar um daqueles aplicativos bobos do Facebook, que eu uso para matar o tempo quando não tenho nada para fazer. 10 e meia da noite, já jantei, já vi o noticiário, já arrumei a casa, já me preparei para amanhã, estou agora aqui a divagar pelo computador enquanto espero a hora de ir dormir. Resolvi fazer a minha contagem de "amigos" (assim entre aspas porque a noção de "amigo" no Facebook é muito ampla!) por cidade, país e continente e me deparei com um resultado que me surpreendeu. Tenho 52 amigos em Amsterdam, 21 em São Paulo, 19 em Londres, 15 em Bruxelas, 10 em Nova York, 9 em Sydney, 6 em Paris, Colônia, Melbourne e Barcelona, 5 no Rio de Janeiro e Berlim, 4 em Madri, 3 em Milão e Rotterdam e mais uma lista enorme de lugares onde tenho um ou dois "amigos". Eu sabia que conhecia muita gente em muitos lugares, mas sinceramente não tinha idéia de que era tanto assim.
E é aí que está o paradoxo da coisa. Ao mesmo tempo em que conheço tanta gente em tantos lugares, tenho a sensação por vezes de que não conheco quase ninguém e me sinto um estranho total mesmo ao lado da minha própria família. É muito estranha esta sensação. Não posso dizer que eu esteja sozinho com uma lista dessas pelas costas e ainda mais se levo em consideração os poucos amigos mais chegados que apesar dos pesares me ligam, me procuram, e me interessam também, mas a verdade é que eu sou de fato um solitário, um loner, e apesar de conhecer muita gente, acabo me apegando a muito poucos.
Eu sempre fui muito independente desde criança, sempre quis fazer tudo sozinho e nunca procurei a ajuda de ninguém para nada; eu sempre achava que sozinho eu faria melhor. Uma das coisas que eu gostava de fazer era sair andando sozinho, onde quer que fosse, apenas para ver onde aquele determinado caminho ia dar; acho que foi dessa curiosidade que nasceu a minha paixão por geografia, eu sempre curioso em relação ao mundo. Mas à medida em que fui crescendo e que fui andando pela vida, procurando ver onde cada caminho ia dar, (e cada caminho onde eu fui parar!) fui perdendo o contato com aqueles que ficaram no ponto de partida, aqueles que não quiseram, não puderam ou não ousaram me acompanhar. Eu fui sozinho, e sozinho fiquei.
Hoje em tenho a minha família no Brasil, o meu namorado e futuro cônjuge na Austrália, os meus amigos e conhecidos espalhados pela Europa e pelo mundo, mas eu sei muito pouco de quase todos eles, e quase todos eles também sabem muito pouco ou quase nada a meu respeito. Talvez o meu noivo, talvez a minha irmã e as minhas quatro ou cinco amizades mais sólidas são as que conhecem a maior parte de mim - o "eu" inteiro, ninguém conhece. No mais, todo o resto são relações leves e desimportantes, infelizmente. São relações verdadeiras uma vez que francas e honestas, mas ao mesmo tempo superficiais em sua maioria, uma vez que não há por minha parte, eu admito isto, a busca pela profundidade, pelo verdieping como se fala em holandês. Ficou tudo muito raso assim como a Holanda. Eu gosto de saber que estejam todos bem, mando notícias de vez em quando para que saibam como eu vou passando, ajudo quando posso, mas fica por aí. Quando alguém se vai, como agora, eu não posso dizer que eu sinta muito... mas também tenho certeza, e sem nenhuma mágoa, que a maioria também não sentiria muito a minha falta se eu um dia me fosse.
Será que sou insensível? Não, eu sei que não sou insensível. Pelo contrário, eu tenho uma sensibilidade muito forte, e talvez por isso mesmo eu tenha me afastado da maioria, e mantenha este escudo gelado e transparente que não deixa quase ninguém se aproximar muito. Sorrio para todos, procuro ser cordial, mas fico na minha. O "problema", se é que se pode chamar isto de problema, é que eu prefiro me concentrar àqueles poucos que conseguem furar a barreira, só que eu talvez me concentre demais nestas poucas pessoas que realmente contam para mim, e negligencio o resto. Há vezes em que me sinto sozinho. Chego numa festa por exemplo, e não me sinto à vontade com quase ninguém, e tenho uma ponta de inveja daquelas pessoas que chegam em um evento desses e em meia hora já conhecem a festa inteira. Eu nem que quisesse, não conseguiria. Mas aí é que está; eu talvez ache que eu queira algo assim quando eu chego na festa e me sinto um peixe fora d'água... mas na verdade, eu acho é que eu não quero nada disso, senão talvez tivesse tentado um dia fazer algo a respeito. O fato é que desconfio da humanidade e prefiro deixar ela assim, ao largo, assim não deixo que me machuquem. Já chorei muito pela ausência daqueles a quem eu mais queria... se hoje em dia alguém se vai e eu não consigo chorar... acho que é o preço que pago pela minha independência.
Friday, October 23, 2009
Tailândia, tsunamis e trópicos

Monday, September 28, 2009
Multipolaridade
Ainda assim, o meu - pelo menos ao meu ver - razoável otimismo foi criticado. Falaram que eu estava sendo negativo demais. Hmmmmm... esperem aí. Uma coisa é ser negativa ou pessimista, pessimista para mim é aquela pessoa que sempre vê tudo ruim e não acha que nada vai melhorar. Conheço uma assim, uma amiga de Amsterdam que vou chamar de X para evitar problemas. X é uma boa pessoa, eu sei disso porque já a conheco faz tempo, foi na verdade uma das primeiras pessoas a quem fui apresentado quando ali cheguei há quase 10 anos atrás. É muito prestativa, gosta de ajudar os outros. Mas X tem a infeliz capacidade de sempre estragar qualquer ambiente festivo com o seu habitual mau humor e suas considerações nada agradáveis sobre quem quer que ouse discordar de seu olhar quase fúnebre sobre a sociedade. X é pesada, como diriam os espanhóis.
Outra coisa é ter a dignidade de admitir um dia ruim. Ora bolas, será que desde que todos os livros de auto-ajuda começaram a fazer sucesso estamos todos condenados a sempre sorrir e fazer de conta que somos todos Martha Stewart (e mesmo ela foi parar na cadeia ou algo assim se não me engano) e levamos vidas maravilhosas, "the time of our lives", o tempo inteiro? Não estou dizendo que devemos reclamar da vida, eu mesmo sou atualmente bastante contra o ato de reclamar simplesmente porque é um desperdício de energia que não leva a nada, mas o simples "acknowledgement" (como é mesmo a palavra em português?) de um dia ruim não deveria na minha humilde opinião ser considerado demonstração de negatividade, ainda mais se logo na sequência eu emendei com um "amanhã certamente será melhor". Ou será que estou errado?
O fato é que para "consertar o meu erro" da maneira mais sarcástica possível (eu posso afirmar que felizmente ou infelizmente faço parte do grupo que "perde o amigo mas não perde a piada" literalmente) que é a forma de humor que eu prefiro (e quem me conhece sabe também que quanto mais próximo e íntimo eu me sinto de alguém, quanto mais confortável eu me sinto para ser "eu mesmo", mais sarcástico eu fico) emendei o meu comentário com um outro, falando que o dia tinha sido maravilhoso, o melhor da minha vida até hoje, assim quase como se eu estivesse tendo um orgasmo cibernético. Daí outro amigo de longa data, B, que tem um humor parecido com o meu e que no comentário anterior já tinha falado que era mesmo tudo horrível e que o melhor que eu poderia fazer naquele dia específico era realmente me jogar contra um trem em movimento, escreveu perguntanto, muito convenientemente, se eu sofria de algum distúrbio de personalidade bipolar, afinal de contas mudar de humor assim tão drasticamente em um prazo de 5 minutos não é pra qualquer um. Povo gosta de brincar com coisa séria, mas como B tem lastro para falar do assunto (é psiquiatra) eu sei que foi brincadeira mesmo.
Eu que tenho pelo menos 4 amigos assim so de lembrar de cabeça que são mesmo clinicamente diagnosticados como bipolares, sei bem que estou a anos-luz da bipolaridade, e infelizmente para aqueles que gostam de novidades quentes, ou felizmente para mim mesmo, não sou assim tão especial não, sou pelo contrário bem normalzinho mesmo, apenas com uma leve tendência, por vezes mais acentuada mas ainda assim dentro dos parâmetros considerados razoáveis, para a melanconlia ou para o grumpiness (essa coisa de ficar esquecendo o português é terrível, por favor me perdoem!) dependendo da ocasião. Eu tomo um remedinho de vez em quando, porque já tive períodos de depressão em que tive que ser medicado, e ultimamente me dera conta de que, estando clinicamente deprimido ou não, eu simplesmente "funcionava melhor" no dia a dia quando tinha algum aditivo de serotonina em mãos, então em conjunta discussão e acordo com o meu médico optei por um paliativo leve mas eficiente. Eu sofria constantemente de acessos de ânsia e desconforto que geralmente terminavam em crises de choro e recolhimento, assim sem mais nem menos e sem nenhum motivo específico aparente, mas depois que comecei a tomar o tal remedinho, os ataques de ânsia diminuiram e se tornaram bem mais suportáveis quando teimam em acontecer.
Mas para continuar naquela onda do sarcasmo total, respondi afirmando que eu não era bipolar, mas multipolar. Sou um caso de multipolaridade. Não tenho abruptas mudanças de humor nem sofro de extremos de euforia ou depressão. Simplesmente tenho várias mudançaszinhas durante o dia, acho que assim como todo mundo mesmo. Ao contrário da maioria, costumo (veja bem, "costumo" é diferente de "sempre") acordar de bom humor e, acredite se quiser, gosto de acordar e cedo e adoro as segundas-feiras, para mim sinônimo de renovação, de recomeço, de novas possibilidades. Mas posso mudar de humor se ao chegar no escritório perceber ao ler os meus e-mails que terei um dia complicado ou se cair uma chuva enorme no meio do caminho e encharcar os meus sapatos. Geralmente estou de mau humor quando me dá fome mas volto ao meu sorriso habitual depois de saciado. A burrice alheia tem o poder de me irritar terrivelmente da mesma forma que a minha própria burrice quando desmascarada. Tenho preguiça de ir à ginástica mais ainda assim me forço a ir o mais frequentemente possível não especialmente por uma questão de vaidade física que, é claro, tem o seu papel no evento, mas eu juro, e repito, juro, não é o fator preponderante na questão, mas principalmente o resultado psicológico, este sendo de fato a minha força motriz, qual seja, a necessidade do estímulo químico provocado pelo esforço físico, ou em outras palvras mais claras e objetivas, a tão comentada produção suplementar daquela enzima chamada endorfina que nos dá a sensação de bem estar e do serviço cumprido depois de uma hora ralando nos equipamentos de musculação ou contando os 400, 500 abdominais. A ginástica para mim é uma terapia.
Inútil portanto de precisar (copiei esta expressão do meu chefe que inicia quase qualquer parágrafo de carta com ela... e eu sempre me pergunto, "se é inútil de precisar, porque ele está precisando exatamente isto?") que quando eu não vou habitualmente a academia, o meu bom humor se deteriora. Isto é o que vem acontecendo ultimamente, e por um motivo de ordem anatômica. Há algumas semanas, que juntas devem contar pelo menos uns dois bons meses, eu machuquei o ombro e o braço esquerdo durante a musculação, de uma tal forma que tive praticamente de parar de malhar por todo este tempo, pois a dor de levantar a barra durante o supino era tanta que não valia a pena arriscar. A princípio, resolvi fazer como a maioria das pessoas faz. Dei um tempo da academia, aproveitei o tempo livre que daí resultara para resolver outros assuntos pendentes, na esperança de que com o descanso forçado o meu braço melhoraria. Fiquei umas três semanas ou mais, quase um mês inteiro, sem pôr os pés na academia, e quem malha habitualmente sabe que apenas uma semana de ausência já serve para que possamos perder o hábito e a força. Infelizmente o sacrifício de nada adiantou, a dor continuou lá, muito bem instalada no meu braço, e já tomava conta do cotovelo quando finalmente resolvi ir ao médico e pedir a solução rápida, radical e eficaz praticada pela medicina moderna: uma injeçãozinha de cortizona no braço para acabar com a inflamação.
Sábado 9 horas da manhã eu estava lá, sentadinho no banco da sala de exames, sem camisa e esperando que a agulha fina perfurasse a minha pele na altura no ombro, à procura do músculo avariado; a intervenção foi simples e rápida. Em menos de meia hora eu já estava de novo na rua, em direção ao centro onde fui comprar dois cds, um que viria a ser dado na mesma noite como presente de aniversário a uma colega de trabalho e outro que será enviado ainda esta semana à Escócia a um amigo como presente em retribuição a um maravilhoso cd com uma versão jazzística da Rhapsody in Blue que me fora dado faz alguns dias, simplesmente porque eu mencionara que gostava da Rhapsody in Blue porque é uma composição que me faz lembrar da minha mãe. É, gentilezas ainda acontessem neste mundo vil em que vivemos (será que eu estou sendo negativo?).
Bom, se a tal injeção de cortizona vai resolver o meu problema eu ainda não sei. Eu já notei uma leve melhora, pois até a semana passada a dor entrava em cena até mesmo durante o simples movimento de vestir uma camiseta, e isso já deixou de acontecer desde ontem. Agora a prova final eu só terei mesmo hoje a noite quando de novo irei à academia testar o resultado. Eu ainda sinto a sensação de cansaço no braço, mas levando em consideração que eu sou canhoto e portanto faço tudo com a mão esquerda, desde assinar um documento importante até aliviar o stress no chuveiro quando a tensão é alta, então estar com a sensação de um braço cansado não é tão infundada. Ora, depois de dois meses sem poder estar com o namorado que vive literalmente do outro lado do mundo e não a apenas um, mas a pelo menos dois vôos de longa distância daqui, e querendo a qualquer custo preservar a romântica fidelidade, o constante aliviar do stress de maneira unilateral com a consequente fatiga do membro motor superior esquerdo não é algo tão estranho assim. E, aviso aos puritanos de sempre e hipócritas de plantão, quem nunca praticou tal ato que jogue a primeira pedra, e já que entre a masturbação simples e a infidelidade pura eu estou optando pela primeira, acho que deveria ser louvado e não criticado e muito menos julgado pelo meu ato solitário. Felizmente daqui a uns dez dias estarei reencontrando a minha cara metade na Tailândia. Acho que finalmente poderei dar um descanso ao meu braço e voltar ao bom humor de sempre. Vai ver é isso, a minha multipolaridade dos últimos dias é simplesmente falta daquilo mesmo. Ah, homens, somos todos iguais.
Friday, September 18, 2009
O Ano da Austrália

Monday, June 29, 2009
The boy and the purple flower
Once upon a time there was a boy who really liked flowers.
He lived in a farm away from the city and he had a big garden so he started planting many flowers there. Roses, daisys, irisis, they would all blossom very quickly because the boy was very careful with them, he just loved them.
But in the farm there was a guardian, a very old man who didnt like flowers, he hated them. When he was a child we wanted to have flowers as well, but he was never patient, he never really took care of them, so they all died and he was very frustrated at that. So whenever the flowers started to look really beaufitul, he would go to the garden at night and destroy them.
The boy was very sad every morning to see that all his efforts were gone but he wouldnt give it up. He tried to replant them but they didnt survive. But then he would plant new flowers and take care of them again, until they would blossom again. And so they did.
But then again, the guardian came at night and destroyed them. He would just grab them with all his strength and pull them out of the land until they were dead. And none of them survived.
And this went on and on and on for many years until the boy was sad and tired and gave up planting flowers because he was sure the guardian would come at night and destroy them anyway. He was contempted with the idea of having a garden without flowers.
One day a very beautiful flower rose in his garden, all of a sudden, out of nothing. It was a flower like he had never seen before. It was beautiful and elegant, and the flower was purple; a colour he didnt know could exist. Roses, tulips and orchids he had had before but none was like that unique flower. And moreover, the flower could smile! It was the most beautiful smile ever, and the flower was smiling at him!!! He was mesmerized by that beautiful flower that he did not resist and started taking care of it.
The flower grew very quickly and soon it was already the most beautiful flower he had ever had in his garden. The boy just loved that flower. He was so happy!!!!
He was then very afraid that the guardian would come at night and destroy the flower like all the previous times. It seemed unbelievable that such a beautiful and strong flower could be destroyed like that; but that had happened so many times before!!!! He wanted to believe it would not happen this time but he started getting very nervous and afraid of seeing it happening again. For a while he wouldnt even sleep anymore, on guard all night next to the flower, protecting it from the assaults of the guardian. But wow that was tiring. But he had to do it! He noticed that the guardian had already seen the flower and was making rounds every now and them. He was sure that the minute he would loose his concentration, the guardian would come and destroy the flower.
He was so afraid that the flower wouldnt be as strong as he hoped it was, and that with an easy grab the guardian would pull it out from the land like he had done before so many times and so easily with all the other flowers. So he went to check it himself.
He started grabbing the flower to see if he could pull it easily out of the land. But wow, the flower was really strong this time! He pulled, and pulled and pulled and the flower was still there and still smiling. He could hardly believe in it! Such a nice flower and so strong! He was sure the guardian would be after it whenever he could. He did one last attempt and this time he pulled the flower so hard that he finally managed to take the flower out of the land. Then he thought "oh my God, what have I done?"
Then the guardian who was only watching from a distance came closer with a sickening smile and told him: "you have learned the lesson my boy; This time I didnt even need to come and do the job, you have destroyed your flower yourself. Congratulations! My job is done." And then the guardian left, laughing… and never came back.
The boy was so sad and angry at himself! Immediately he tried to put the flower back into the land. He digged into the land and put the roots of the flower back there, and he started watering the flower again, hoping the flower would be still alive and that the flower would smile at him again.
Every day the boy was there in his garden, taking care of the flower and hoping that the purple flower would stand on its roots, because after all they were really strong roots, and that the flower would smile at him again. Whoever passed by could hear him saying "please my purple flower, forgive me, and smile to me again."
That could have been the end of this story.
But one day in the early morning the flower made a move, finally. It was the beginning of the spring and it was a beautiful sunny day. The boy was amazed! Immediately he apologized to the flower, who said "I am hurt and bruised... but I will survive." Then the flower asked, "why did you do that to me? I had always smiled at you, I didnt deserve that!" The boy had no words... he tried to explain himself, by saying "I am very sorry again, but all my previous flowers had died like that when I most loved them, so I was afraid the same would happen to you and that I would be left alone with no flowers in my garden again".
The flower then said "you should not have compared me to the other flowers, that was very unfair of yours. I dont know why they have died like that... but every flower is different and we all deserve a chance to survive, regardless of what has happened to the others before, dont you think so?" The boy nodded shyly, "yes".
It has been said lately that the flower has been seen smiling again and it is indeed the most beautiful flower ever in that garden. The guardian never came back indeed. The boy still wonders every now and then if he will ever return, but as his purple flower grows every day, he is more and more assured that its roots are indeed very strong and very reliable, and therefore it will always survive.


