
Eu não tinha comentado ainda sobre Bangkok.
Bom, quando minha mãe me perguntou como era Bangkok, a resposta que me veio instintivamente à cebaça foi "Bangkok é uma mistura de Belém com Tóquio. Eu não conheço Tóquio e portanto é claro que esta comparação está sujeita a erros, mas pelo que costuma falar, ver e ouvir de e sobre Tóquio, eu imagino que a minha comparação esteja mais para correta do que para errada, até porque o outro lado da moeda, Belém, essa eu conheço muito bem e portanto falo com categoria. Pode parecer muito estranho uma descrição como esta, mas é exatamente isso o que eu senti. De um lado, Bangkok é uma capital asiática high tech hiper moderna e futurista. Por outro lado, é uma cidade antiga, quente e pitoresca. De uma forma ou de outra, a palavra em inglês que melhor definiria a cidade seria "overwhelming".
O calor. Essa é a primeira coisa que se sente quando saímos do enorme aeroporto internacional da capital tailandesa. O calor e a umidade. Bangkok foi recentemente votada a capital mais quente do mundo, literalmente falando, e eu não duvido nem um pouco do resultado desta pesquisa. A sensação de estar dentro de uma sauna ao ar livre é constante. Como em qualquer capital tropical que se preze, tudo acontece em ambientes climatizados, então o calor só se sente mesmo na rua e em lugares públicos. Mas como turista tem mesmo é que ir pra rua e conhecer a cidade, então não há solução a não ser vestir roupas bem leves e enfrentar o termômetro.
A multidão. Em Bangkok não é só o calor que assusta, é também a multidão. A chamada "Cidade dos Anjos", nome oficial da cidade na língua thai (Krung Thep ou algo assim, por favor me perdoem se eu escrevi errado) é uma metrópole de pelo menos uns 10 milhões de habitantes que parecem estar o tempo inteiro indo de um lugar para o outro, quando não estão vendendo, comprando, ou simplesmente ajoelhados em algum dos vários templos budistas espalhados pela cidade, orando e cantando. Ou estão a comer pelas ruas, em um dos milhares de food stalls que estão espalhados pela cidade inteira. Em Bangkok não há como se sentir isolado.
A ostentação. Uma visita turística a Bangkok tem que começar pelo Wat Phra Kaew, o convento budista localizado ao lado do Palácio Real e onde encontra-se o Templo do Buda de Esmeralda. O lugar é simplesmente inteiro folheado a ouro. Torres, colunas, estátuas, tudo é em ouro. Ou em mosaicos maravilhosos que deixam o Parc Guell de Barcelona com complexo de inferioridade. É impossível não ficar absolutamente impressionado com a beleza e ostentação do lugar. Eu acho que nem em Versalhes eu vi tanta riqueza por metro quadrado como naquele convento, abastecido por generosas doações da família real tailandesa ao longo dos séculos. Pois, se o Rei é Rei, Buda é Buda.
A religião. A Tailândia é um país budista e em Bangkok o budismo está por toda parte. Desde templos enormes onde se pode ver Buda em todas os modelos e posições possíveis (há o templo do Buda sentado, o templo do Buda em pé, o templo do Buda deitado, o templo do Buda de ouro, o templo do Buda negro, o templo do Buda meditando, eu achei que só faltava mesmo o templo do Buda cagando, Buda que me perdoe!) até os pequenos altares montados em lojas, restaurantes, hotéis, museus e prédios públicos em que oferendas são colocadas, além de incenso e flores. Eu tive a sorte de estar na cidade durante um festival religioso budista e pude ver a devoção da população local que lotou todos os templos por onde estive. Se os templos mais luxuosos são hoje em dia mais um local de peregrinação turística do que qualquer outra coisa, foi nos pequenos templos de bairro, que eu tive a oportunidade de visitar, que eu pude "sentir" a fé budista do povo de mais perto.
A comida. A comida tailandesa é muito saborosa e em Bangkok ela está por toda parte, desde os shopping centres mais luxuosos até os milhares de botecos de Chinatown onde se pode ver e escolher comida de todos os tipos, cores, formas, cheiros e sabores. Eu devo admitir que sou meio chato para comer, preciso de um ambiente calmo, uma mesa e uma cadeira, mas para quem é mais aventureiro, Bangkok pode ser uma viagem gastronômica em termos de diversidade culinária dentro de um mesmo tema. Comida é o que não falta por ali.
A modernidade. Se a Bangkok antiga é um mosaico de templos budistas, lojinhas de quinquilharias, bancas de comida, e multidões de pedestres e motoristas, a Bangkok moderna é o templo dos shopping centres, dos hotéis de luxo e do Skytrain, o metrô futurista da cidade que ao invés de passar por baixo, passa por cima, serpenteando entre um arranha céu e outro e cortando caminho ao mesmo tempo que evita a confusão lá de baixo. Do Skytrain é possível sair diretamente dentro de um shopping centre, e por meio de passarelas suspensas também é possível passar diretamente de um shopping centre a outro, de forma que podemos passar o dia inteiro assim, pulando de um centro de consumo a outro sem tocar os pés no chão da realidade local. Do MKB, um dos principais shoppings locais que é quase como uma versão shopping centre de uma feira de rua (só vendo para entender) ao hiper luxuoso Siam Paragon onde há um andar para qulaquer tipo de desejo, desde cirurgia plástica até carro importado, tem para todos os gostos e bolsos. Viva o consumo, viva a simpatia local, e em nome de Buda, vamos todos gastar. Boom boom boom, modelitos comprados, é hora de se divertir, a noite em Bangkok vai começar.



1 comment:
Adorei seu texto! E viajei muito nas descrições...melhor que isso só se eu pudesse pegar um avião e conhecer Bangkok eu mesma, hehehe.
Daqui a pouco você vai ter de criar um blog só pra contar suas estórias de viagem!!! As aventuras e desventuras de um brasileiro pelo mundo...Viajar é bom demais, né.
Post a Comment