
A mala está quase pronta. A de mão também.
Não esqueci dos chocolates para os amigos - chocolate belga faz sucesso em qualquer parta, do livro para os momentos de solidão e de umas três ou quatro gravatas, afinal desta vez as férias são combinadas com trabalho no final. Quatro semanas fora de casa equivalem a uma mala bem cheinha, ainda mais levando-se em consideração que é meia-estação e portanto tudo pode acontecer - só descarto a neve, porque felizmente - sim, felizmente, depois do último inverno aqui na Europa eu não quero ver neve de novo tão cedo - em Sydney não neva nunca.
Quarta feira que vem estou embarcando mais uma vez para a Austrália Via Frankfurt e Singapore, com Lufthansa e Qantas. Com a Qantas só fiz até hoje vôos domésticos, estou curioso para ver como é o intercontinental deles. P me disse que garante que cada assento tem a telinha individual mas como eu tenho impressão que o avião é um jumbo, tenho minhas dúvidas, mas enfim, posso estar enganado. Espero que ele esteja certo, porque aguentar dois vôos de longa distância um atrás do outro em classe econômica é dose; se além disso não tiver nada pra fazer, a viagem seria um suplício. Mas não vou reclamar de antemão até porque nem seria justo reclamar de um problema de luxo desses... o melhor é colocar mesmo um sorriso na cara e torcer para que o livro seja bom, ou para que o passageiro do lado não seja gordo nem falante.
Outro dia eu li a manchete, a Air France e outras companhias aéreas estão estudando a possibilidade de exigir que passageiros obesos paguem por dois assentos, já que na prática ocupam dois assentos, ou pelo menos deveriam. Muita gente reclamando e dizendo que não é justo. A minha opinião? É justíssimo. Quem já viajou ao lado de um passageiro volumoso sabe o desconforto que é ter que dividir o já ínfimo espaço da classe econômica com alguem que literalmente não cabe em si. Ora, o direito de um termina quando começa o do outro, e o direito do passageiro obeso de ocupar espaço termina quando começa o meu direito de ter o meu espaço, que já é bem pequeno, apenas para mim. Ou será que eu posso começar a exigir assentos reclináveis vazios na frente do meu para que eu possa esticar as minhas pernas à vontade quando quiser? Cada um que se encolha no lugar que lhe cabe, como eu e meus 1,85 sempre fizeram, e quem não cabe, que pague.
É uma longa e cansativa viagem, mas sempre vale a pena. Eu me lembro da primeira vez em que fui para a Austrália no ano passado, a excitação de estar finalmente chegando do outro lado do mundo, um lugar que constava na minha lista de prioridades há já muito tempo, sem que a oportunidade tivesse chegado. O estranhamento de se saber em trânsito em Singapura e tomar o café da manhã no mesmo horário em que os locais estão jantando, e no final da viagem chegar dois dias depois na Austrália sabendo-se que a viagem "só" dura 24 horas... onde foi parar o outro dia?? Perdido na diferença de fuso horário... Acho que mais louco que isso, só mesmo embarcar em Sydney rumo a Los Angeles, como P fez em janeiro passado, e depois de 14 horas de viagem chegar em Los Angeles mais cedo do que havia partido de Sydney. A máquina do tempo existe, sempre existiu, e atende pelo nome de "linha internacional de mudança de data", lá no meio do Oceano Pacífico.
Como sempre, eu vou na janela, pois desde criança, gamado por geografia como sou, adoro ver a paisagem lá de cima, e fico todo orgulhoso de meus conhecimentos geográficos quando consigo reconhecer alguma cidade ou ponto geográfico de interesse desde a janelinha do avião. Já passei por cima de Istambul e pude ver o estreito de Mármara e o Mar Negro, já passei por cima do Himalaia e por cima do Rio Ganges, já vi o Mont Blanc, já vi o Saara, já vi tanto Gran Canaria quanto Tenerife interinhas, uma do lado da outra, já vi as praias da Índia e as Montanhas Rochosas e pulei da cadeira quando em 2004 vi as pirâmides do Egito pela primeira vez lá do alto, lindas, serenas, perfeitas. Desta vez pretendo descansar mais do que qualquer coisa, mas não me incomodaria de poder rever a Opera de Sydney e a Harbour Bridge lá do alto na minha chegada.
É uma viagem diferente essa que vou fazer agora porque não é exatamente uma viagem de turismo, eu já estive duas vezes em Sydney e passei suficientemente tempo para ver tudo o que tinha que ser visto do ponto de vista turístico. Agora vou só mesmo para aproveitar a cidade e principalmente, as pessoas que estão lá, e em particular P, que está me esperando para mais um encontro intercontinental antes de sua mudança para a Europa e o casamento em julho. Ah, eu queria era que julho chegasse logo e que eu não tivesse que cruzar o mundo inteiro mais uma vez para ver P. Eu encontrei a pessoa certa na hora certa... mas ela não poderia estar no lugar mais errado, he he he, do outro lado do mundo! Tudo bem, para isso dá-se um jeito, como para tudo na vida, e já estamos dando um jeito nisso, e de que belo jeito estamos dando um jeito. ;-)
Enfim, as malas estão prontas, as roupas estão todas lá, a máquina fotográfica, o guia da cidade, as jaquetas preta e marrom para o cas de fazer frio, as sungas de praia para o caso de fazer calor, os sapatos, o terno, a camisa para o jantar de noivado, falta ainda a papelada para a conferência e a apresentação em power point, mas isso eu pego amanhã no trabalho, afinal são ainda três dias de labuta antes d'eu tomar o caminho para o aeroporto. De um modo básico, posso dizer que está tudo pronto. Agora só falta esperar. 74 horas de espera e 26 horas de viagem. Tudo bem, o importante é saber que eu estou chegando. :-)



4 comments:
Ai que delícia...lá vai ele de novo!!! Aproveito pra te desejar uma ótima viagem e curta a Austrália (e o namorido mais ainda).
No mais, seu blog mais parece um caderno de viagens...e eu fico aqui só acompanhando suas andanças. Em julho vou tirar a barriga da miséria, depois te conto ;-)
Oi Antonio! Que legal encontrar seu blog. Ja estou adicionando nos meus favoritos e voltarei sempre aqui.
Moro na Suica e tb tenho um blog pra compartilhas experiencias de viver por aqui.
bjos
Então um obeso sem que pagar por duas poltronas? Nesse caso um cadeirante não deveria pagar o cinema, já que não utiliza poltrona nenhuma! Na verdade a pessoa que viaja não está pagando pela poltrona, mas pelo vôo, assim como quem vai ao cinema está pagando pelo filma. Na minha opinião, as empresas é que tem que oferecer as condições necessárias às pessoas que são diferentes do padrão estabelecido. Melhor seria que as companhias providenciassem poltronas maiores para obesos... isso sim!
Oi Raqs!
Eu fico tao feliz quando alguem aqui neste mundo virtual sabe discordar de maneira elegante e democratica. Qualquer critica e valida e eu gostei do seu ponto de vista, apesar de discordar. Na minha opiniao, cadeiras maiores para obesos ja existem, sao a classe executiva, e sao mais caras porque ocupam mais espaco dentro do aviao. Companhias aereas tem que ter lucro para funcionar, nao sao caridade, portanto quem ocupa mais espaco, na minha opiniao, tem que pagar mesmo. Mas esta e somente a minha opiniao.
Obrigado pelo comentario!
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