Tuesday, December 18, 2007

Dezembro


Faz tempo que eu não passava por aqui. Também pudera, tenho estado tão ocupado nestes últimos meses que praticamente não tenho tido tempo para fazer nada que não tenha um objetivo específico e determinado. Deve ser coisa de fim de ano mesmo, dezembro é sempre assim, a gente quando percebe está tão cheio de tarefas, obrigações de última hora, metas de ano-novo ainda não cumpridas (tenho que conseguir fazer isto até o final do ano!), presentes para comprar, planos a fazer, que se esquece que a vida não é só um mar de metas a cumprir... ou deve ser mal de taurino mesmo, eu tenho os dois pés enterrados no chão, detesto supresas e imprevisibilidades, e acabo fazendo de tudo, o que posso e o que não posso, para ter o meu destino preso em minhas mãos. Ledo engano de minha parte, sempre dá errado no final, o destino não nasceu para ser controlado, mas enfim, talvez um dia eu ainda a aprenda. Tenho que aprender que o lance da vida é exatamente viver na imprevisibilidade, na incerteza do momento seguinte, porque acho que só assim a gente consegue aprender a curtir o momento atual em sua plenitude.


Para explicar com maiores detalhes, eu passei os últimos dois meses correndo atrás de um novo contrato de trabalho. Para isso tive que juntar forças, documentos, conhecimentos, amizades, tudo o que estava ao lado. Também não quero entrar demasiadamente em detalhes porque infelizmente a internet, como qualquer outro espaço público, está infestada de almas pequenas, e eu estou cada vez mais ressabiado com a raça humana, mas posso dizer que estava correndo atrás de um contrato na administração pública e sabe como é, tem que juntar trezentos documentos comprovando a sua vida inteira desde o jardim de infância, tem que passar por prova de conhecimentos, tem que esperar um dia inteiro na fila para fazer exame médico, tem que contactar um e outro para tentar agilizar o procedimento e no final ainda sempre fica faltando algo. Então eu passei as últimas semanas assim, correndo atrás de tudo isso e ainda aprendendo as minhas tarefas novas, e por isso esqueci por uns dois meses que havia vida lá fora. Mas tudo bem, consegui administrar a coisa, matei um leão por dia e agora chegou a hora do jantar. Deu tudo certo, não tem mais olho gordo que me tire esta da mão. ;-)


E então vejo que de repente já estamos em dezembro! O inverno chegou com todo o seu esplendor. Estão fazendo dias lindos aqui em Bruxelas, de muito sol e muito, muito frio. Hora de tirar os casacos mais espessos do armário e correr para o café mais próximo, atrás de um cocholate quente ou de uma torta de maçãs. Hora de se perder em livrarias caçando todos os títulos que tem vontade, pois sabe que vai passar muitas horas dentro de casa, evitando o frio lá fora... hora de se lembrar que nossa, Natal ainda existe! E tenho que comprar presentes para um e outro, já que estou embarcando para o Brasil. Elá fui eu no domingo passado, dia de pré natal e lojas abertas na cidade inteira porque é hora de fazer dinheiro, enfrentar filas e congestionamentos, atrás daquela lembrancinha gostosa.


Pois é, embarco hoje para o Brasil, depois de 4 anos sem por os pés na terrinha. Quatro anos difíceis que estão ficando para trás, pois 2008 promete ser melhor. E vai ser melhor. E enquanto 2008 não chega, lá vou eu rever a minha família, minha mãe que tanta falta me faz, minha irmã que tanto me faz rir, meu pai que tanto me faz chorar... família é família, e depois de 4 anos mesmo as famílias mais disfuncionais fazem falta. Questão de hábito. Vou dar um até logo ao inverno tão gostoso daqui (eu realmente adoro dias como o de hoje, de sol e frio) e vou me meter no calor úmido da tropicália perdida, mas sei que vai valer a pena. Faz tempo também que eu não vou à praia, e estou com uma vontade danada de por os pés na areia e ouvir o barulho das ondas do mar. Quisera eu ter uma praia deserta só pra mim... é, mas o meu orçamento ainda não me permite praias desertas.


Outro dia fui assistir ao espetáculo de luzes e música que é armado todos os anos em dezembro na Grand Place. A praça é enfeitada com uma árvore de natal enorme, e luzes por todos os lados. Este ano fizeram um espetáculo baseado em temas de óperas. O resultado ficou meio kitsch no final, mas enfim, tem festa mais kitsch que Natal? Natal é assim mesmo, senão não tem graça. Eu que já aboli o Natal de dentro de minha casa desde uns dois anos - podem me chamar de chato - gosto de saber que tem pelo menos um endereço na cidade ao qual eu posso correr se me der aquela vontade de sentir o "espírito do Natal". E é bom saber que a hora que eu me cansar, é só dar as costas e voltar pra casa, onde não tem natal nem ano novo nem carnaval nem feriado nem inverno nem verão nem férias nem trabalho nem nada nem ninguém, onde é apenas a minha casa, o meu mundo privado, onde só entra quem eu quero e o que eu quero, onde eu vivo a minha vida, e para onde eu sempre adoro voltar depois de qualquer férias, depois de qualquer festa, depois de qualquer fato. Na minha casa não precisa nada disso, na minha casa eu sou eu mesmo, quando eu fecho a porta do meu quarto eu sou a pessoa mais feliz do mundo, e isso me basta.


Um feliz 2008 a todos...


1 comment:

Anonymous said...

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