Monday, January 7, 2008

Inútil Paisagem


How insensitive

I must have seemed

When she told me that she loved me

How unmoved and cold

I must have seemed

When she told me so sincerely

Why she must have asked

Did I just turn and stare in icy silence

What was I to say

What can you say

When a love affair is over


Now she's gone away

And I'm alone

With a memory of her last look

Vague and drawn and sad

I see it still

All her heartbreak in that last look

How she must have asked

Could I just turn and stare in icy silence

What was I to do

What can one do

When a love affair is over


Mas pra que

Pra que tanto céu

Pra que tanto mar,

Pra que

De que serve esta onda que quebra

E o vento da tarde

De que serve a tarde

Inútil paisagem


Pode ser

Que não venhas mais

Que não voltes nunca mais

De que servem as flores que nascem

Pelo caminho

Se o meu caminho

Sozinho é nada

É nada

É nada


Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim

Não me valeu

Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim!

O resto é seu

Trocando em miúdos, pode guardar

As sobras de tudo que chamam lar

As sombras de tudo que fomos nós

As marcas de amor nos nossos lençóis

As nossas melhores lembranças


Aquela esperança de tudo se ajeitar

Pode esquecer

Aquela aliança, você pode empenhar

Ou derreter


Mas devo dizer que não vou lhe dar

O enorme prazer de me ver chorar

Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago

Meu peito tão dilacerado


Aliás

Aceite uma ajuda do seu futuro amor

Pro aluguel

Devolva o Neruda que você me tomou

E nunca leu


Eu bato o portão sem fazer alarde

Eu levo a carteira de identidade

Uma saideira, muita saudade

E a leve impressão de que já vou tarde.


De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto


De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama


De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente


Fez-se do amigo próximo, distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente

1 comment:

Beth Blue said...

O amor é lindo, o amor é triste. A gente ama, a gente ri, a gente chora, a gente vive. E a gente aprende! Amor é bicho esquisito, não adianta querer controlar, não adianta querer fórmula nem receita de bolo. O amor nos surpreende, ele se transforma, ele nasce de novo mas ele um dia também acaba. Como bem disse o poeta Vinícius: Que seja infinito enquanto dure.

Estou com saudades de você, rapaz! Vem visitar sua amiga quando voltar do Brasil, tá?