Sunday, January 20, 2008

Vida de solteiro


Agora que eu voltei à vida de solteiro, tenho que desenferrujar os meus instrumentos da arte da paquera e do encontro. Depois de quase 3 anos casado, a gente fica meio sem jeito no início, meio sem saber como se apresentar, como se comportar, etc. De repente aqueles olhares que a gente tinha a tanto custo aprendido a evitar, voltam a nos cercar e a gente tem que lembrar que não é mais pra evitar, é pra olhar de volta mesmo, é pra retribuir a atenção, é para se fazer notar e é para ousar tudo aquilo que já não ousávamos. Um pouco difícil de fazer isso quando se está ainda com o coração em frangalhos, mas enfim, a vida continua e não espera pela gente, e ficar enfurnado em casa chorando e olhando para as paredes não leva a lugar algum, então tenho mesmo é que tomar um bom banho, passar um perfume, e ir pra rua.

No final de semana passado, após 3 dias sem sair de casa e sem comer, resolvi reagir. Juntei as forças que eu ainda tinha e me preparei um bom brunch com tudo o que eu tinha direito. Depois saí e comprei o celular novo, o antigo tendo sido quebrado na briga do Natal. À noite resolvi sair. Procurei por um antigo conhecido meu de Antuérpia, P, 38 anos, gerente comercial de uma rede de academias no norte da Bélgica. Entrei em contato com ele, praticamente me convidei para sair com ele em Antuérpia, e fui. Eu sabia que P tinha um interessezinho por mim, e resolvi conferir. Tomei o trem, ele estava me esperando de carro na saída da estação. Fomos à Red & Blue, uma conhecida boite daquela cidade. Eu pus a roupa mais sexy que tinha, o jeans mais apertado e um tank top que eu havia comprado nos meus anos dourados em Barcelona, daqueles que deixam os músculos bem à mostra (gay às vezes parece mulher, mesmo...). Coloquei gel no cabelo, etc, e cheguei lá, bronzeado e lindo. Quando entramos na boite, até porque eu era carne nova no pedaço, os olhares foram imediatos. Olha, eu tenho que admitir, eu adorei aquela atenção toda. Eu que saí do Rio me sentindo feio, jogado, humilhado e maltratado, precisava de algo que me ajudasse a colocar a minha auto estima de volta em equilíbrio.

Naquela noite acabei saindo da boite por volta das 2:30 da manhã, com P, fui para a casa dele, um belo apartamento em um subúrbio nobre de Antuérpia, e passamos a noite juntos. Foi muito bom, eu estava precisando muito de momentos de intimidade e carinho, muito mais que sexo propriamente dito, e ele me deu exatamente aquilo que eu queria. Ou melhor, ele queria mais, mas eu meio que neguei fogo mesmo, não estava preparado. Passamos a noite juntos brincando na cama, curtindo a presença um do outro, e em meio a beijos e carícias acabamos dormindo, mas não sei dizer se houve sexo propriamente dito ou não, se é que alguém me entende. Mas foi muito bom, era exatamente aquilo que eu estava precisando naquela noite, alguém que me beijasse e me abraçasse e me fizesse me sentir querido.

No domingo almoçamos juntos em um restaurante no centro de Antuérpia, depois passeamos um pouco pelo centro da cidade, e eu peguei o trem de volta para Bruxelas no final da tarde. Não sei se posso dizer que eu estava cansado mas feliz, mas infeliz eu certamente não estava. Ao longo da semana inteira P ficou me ligando, tentando entrar em contato comigo, queria me ver de novo, etc. Eu conversei com ele, mas de uma maneira mais amigável que interessada. Não quero me envolver com P, acabei de sair de uma barra pesada e não quero já cair em outra cilada. Além do quê P é muito como eu, tranquilão, devagar quase parando, talvez fosse a companhia ideal para um relacionamento de longo prazo, mas para o meu momento atual eu preciso, se for o caso, de alguém que reacenda em mim a faísca que há tempos se apagou, e para isso eu preciso de alguém com um pique mais alto que o meu.

Este final de semana eu não sabia ainda o que ia fazer. Tinha sido convidado para uma festa na casa de B, um conhecido da academia, que me pegou no choro um dia na saída do ginásio e ficou com pena de mim. Mas eu estava com preguiça, a festa era longe, eu não conhecia ninguém além de B, dei uma de bicho do mato e fui ficando em casa, aqui enfurnado no meu quarto, entre os meus discos, os meus livros e o meu computador. Passei quase que o dia inteiro batendo papo pela internet com uma porção de gente, inclusive um conhecido que é médico e psicólogo e me deu uns insights bem interessantes sobre o meu momento atual. Eu estava quase que decidido a passar a noite aqui mesmo, tranquilamente, quando ouvi uma ligação telefônica que vinha do terraço. Não vou entrar em detalhes, mas aquela conversa em português no telefone me desconcertou. Resolvi que eu tinha que sair ontem à noite, pro meu próprio bem. Acabei entrando em contato com B, alemão-húngaro de 29 aninhos, pesquisador, que também já tinha me contactado antes, e havia me convidado para passar na casa dele. Resolvi aceitar o convite, fui.

Se P já era um doce de pessoa, B é um doce com a particularidade de ser jovem, o que o torna ainda mais doce. B me tratou como um príncipe do início ao fim da nosso encontro. Cheguei lá, conversamos muito, ele é muito inteligente, bioquímico, e também muito, digamos, experiente, já fez de tudo na vida, apesar da idade. Um bom corpo e um equipamento ainda melhor, he he he... fumei um baseado como eu já não fazia há anos... e me entreguei a ele, senão de alma, pelo menos de corpo inteiro. Passamos a noite juntos, transamos a noite inteira, e deixa eu dizer, o sexo foi maravilhoso. Me senti verdadeiramente desejado, com todas as letras, como há muito tempo ninguém me fazia sentir, eu que passava todas as noites lendo sozinho no meu quarto. Entre beijos e abraços, carícias e estocadas, B me dizia toda hora como eu era sexy, como eu era gostoso, como eu era atraente, e como ele estava feliz em me ter ao seu lado aquela noite, enfim, tudo o que eu precisava ouvir. Olha, para um casual date, melhor, impossível. Eu acordei esta manhã com aquele riso bobo na cara, típico de quem se sente amado, ainda que por uma única noite.

E B já me disse que quer me ver de novo, quer me ver ainda hoje, quer me ver regularmente, e até já me convidou para passar férias com ele em abril no seu apartamento de Budapeste... eu que acabei de ler Budapeste, do Chico Buarque, e adorei, fiquei lisonjeado com o convite.... mas esperem aí, P também queria me ver de novo, queria saber se havia alguma possibilidade... e em ambos os casos foi apenas uma primeira noite juntos... de P e de B eu ainda sei muito pouco, para saber se quero ter algo mais com um ou outro. Mas eles já parecem tão decididos a querer me ver de novo... será que está todo mundo desesperado por uma relação?

Eu quero sim ter uma relação, quem não quer. Quero amar e ser amado como todo mundo, por isto mesmo que insisti tanto em uma relação que não estava funcionando. Mas quero uma relação saudável, construída em bases sólidas, onde hajam não apenas amor e carinho mas também canais de comunicação sempre abertos, honestidade e franqueza, mútuo respeito e principalmente mútua compreensão. E mútua compreensão só vem com o tempo, a gente tem que aprender a conhecer alguém para poder entender e compreender esta pessoa, e aceitá-la como ela é, sem julgamentos nem promessas de mudança. Eu não quero pular de um relacionamento para o outro, não quero cometer o mesmo erro de me comprometer com alguém que talvez não seja necessariamente a minha melhor complementaridade, não quero me envolver sem ter a certeza de que desta vez, se for o caso, pode realmente dar certo. Chega de dar murro em ponta de faca.

Então estou assim, paquerando, paquerando, mas no final, como diz a música, seguindo o meu caminho bem sozinho pela vida, até porque ainda tenho que me recompor, ainda tenho que juntar todos os caquinhos do meu coração machucado, ainda tenho que lamber as minhas feridas e me curar totalmente do trator que passou por mim nesta entrada de ano, antes que eu possa começar a me entregar não apenas de corpo mas também de alma a alguém. E isto só vai poder acontecer quando a minha mente estiver totalmente livre, o que ainda não é o caso. Porque ontem à noite, assim como no final de semana passado, depois de todo o furor da mútua descoberta dos corpos, depois do auge e do descanso, quando nos abraçamos para dormir, foi em M que eu pensei. E enquanto for assim, eu sei que nada mais poderá acontecer.

2 comments:

CARIOCA VIRTUAL said...

obrigado pela visita e por me favoritar. já conhecia meu blog?
vou ler o teu tb.

Bebete Indarte said...

Tô tão fora do mundo dos blogs...mas acabei fazendo uma visitinha "casual" por aqui.
E vc merece excelentes companhias, que te façam sentir bem, valorizado, e depois de uma relação longa, é sempre a mesma lerda, uma certa perda de identidade...mas o lado bom compensa, e creio que vc é o tipo da pessoa de "relacionamentos" e não só encontros casuais.
Estou torcendo aqui.
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