Tuesday, January 29, 2008

Alemanha


Este final de semana eu decidi que estava precisando mudar de ares, e resolvi aceitar o convite de um ex-namorado, hoje em dia grande amigo meu, P, de ir visitá-lo na Alemanha. P mora em Moers, uma cidadezinha pacata e sem graça perto de Duesseldorf. Nós havíamos namorado há seis anos atrás, por seis meses, e depois disto eu nunca mais tinha voltado por lá. Terminamos na época porque eu achava que ele não conseguia me dar toda a atenção de que eu precisava, P era muito ligado à família e eu me sentia confortavelmente em segundo lugar na sua lista de interesses, o que com o tempo foi me cansando... na festa de Ano Novo de 2002, ele me deixou sozinho, o que pra mim fora a gota d´água (é, eu infelizmente tenho algumas histórias de réveillons sozinho...). Ficamos sem nos falar por um bom tempo, depois de uns 3 anos reatamos o contato, e acabamos por nos tornar bons amigos. Eu não o via desde aquela época, mas a gente mantinha contato via e-mail, etc. Quando P soube da minha situação atual aqui em Bruxelas, não hesitou em me convidar para visita-lo, só para descansar, mudar de ares, e eu aceitei o convite prontamente.


Tomei o trem na sexta feira à noite, cansado, depois de um dia maçante cheio de reuniões, e depois de passar por Liège, Aachen, Colônia e Düsseldorf, cheguei finalmente a Duisburg, a cidade grande mais próxima, onde P me esperava na saída do trem, com os mesmos olhos azuis bem grandes (os olhos azuis mais azuis que eu já vi), o mesmo cabelo louro cortado à la Joãozinho, os mesmos dentes enormes e o mesmo jeitão pacato, tranquilo, seguro. A mesma sensação de estabilidade e auto confiança que haviam me conquistado há seis anos atrás. Apesar dos maravilhosos olhos azuis e do sorriso iluminado, P nunca fora o meu tipo físico ideal, é mais baixo que eu, não tem corpão, enfim, não é alguém para quem eu realmente teria olhado em uma situação normal. Mas nós havíamos nos conhecido em uma situação um tanto peculiar, um dia na praia na Holanda, a praia estava semi deserta, a gente começou a conversar despreocupadamente, ambos estavam relaxados, a coisa acabou fluindo naturalmente.


Mas bem, deixa eu explicar em todo caso que esta viagem não foi um flashback. Eu sei exatamente os motivos pelos quais nós havíamos terminado na época, ele também, e sei que nunca conseguiríamos ser um casal, temos opiniões diferentes a respeito disto. Mas como amigo, ele foi maravilhoso este fim de semana. Eu fui tratado como um príncipe do início ao fim da minha estada por lá. No sábado passamos o dia inteiro em casa, simplesmente descansando, conversando, vendo televisão, comendo besteira, enfim, um dia tranquilíssimo. Estava fazendo sol, mas a gente nem se importou em sair. P tem uma vida totalmente diferente da minha, ele sempre viveu na mesma cidade, sempre teve o mesmo emprego de cirurgião ginecologista (é, ginecologista... eu já falei pra alguém que eu já tive 3 ginecologistas na minha vida??), sempre fez exatamente as mesmas coisas do mesmo modo... previsibilidade a 100%. Eu acabo por invejá-lo neste sentido, eu que já rodei meio mundo, estou cansado de guerra.


No domingo depois do café da manhã eu peguei o trem de volta para Colônia, P tinha um almoço em família e não tinha muito a ver eu ficar por lá, então tomei o meu rumo... resolvi passar o dia em Colônia, para tomar o último trem de volta à Bruxelas às seis e meia da tarde. Então cheguei na estação, deixei a minha sacola no bagageiro, e fui dar uma volta pela cidade. Eu já estive algumas vezes em Colônia, então conheço o básico. Não é uma cidade bonita, o centro histórico foi praticamente totalmente destruído durante a guerra, só sobrou a Catedral mesmo, linda, enorme, imponente, que a gente vê logo quando sai da estação. Mas Colônia é ainda assim uma cidade gostosa para se passar um dia, a cidade tem um jeito bastante simpático, há vários cafés, lojas interessantes, o povo é geralmente bonito e bem cuidado... uma cidade para se andar pela rua, ver, ser visto, jogar o tempo fora, enfim. Passei uma tarde bastante agradável por lá, inclusive fui a um café no final da tarde e ainda acabei puxando papo com um carinha que no final era português... e aí foi aquele bate papo na língua de Camões, ele me contando as desilusões amorosas dele, e eu contando a ele as minhas.


E assim se passou mais um final de semana, um final de semana bastante agradável e descontraído, como há já muito tempo eu não tinha... estou planejando passar os próximos finais de semana fora, acho que me faz muito bem neste momento. Não sei ainda o que vou fazer neste final de semana que vem, mas vou pensar em algo. Teremos aqui em Bruxelas na sexta feira mais uma edição da La Demence, a maior festa gay da cidade, mas não sei ainda se vou, faz muito tempo que não ponho meus pés por lá, aliás no ano passado não fui uma única vez sequer, tentando ser o marido ideal... tja. Mas no outro final de semana, já tenho programação: vou a Amsterdam visitar a minha queridíssima amiga A, minha confidente de toda hora, que está aguentando o meu lenga lenga desde o nosso gostoso encontro no Rio, e que vem tendo uma paciência enorme comigo desde então... A, te adoro! E vou rever a minha também queridíssima amiga C, dos meus anos de São Paulo, que estará lá conosco... não vejo a hora de poder me reunir com ambas, rir, me divertir, e esquecer um pouco a minha vida.

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