Thursday, January 24, 2008

Tristeza


Esta semana estive visitando um par de apartamentos... um na Rue de Flandre, uma área simpática do centro, e um na Rua Emile Jacqmain, numa área não tão simpática do centro, mais em relativa ascensão. Os dois apartamentos muito bons, novinhos em folha, cozinha bem equipada, relativamente espaçosos e iluminados, principalmente o primeiro, do qual gostei bastante. Não sei se terei como me mudar para qualquer um deles porque preciso primeiro comprar os meus móveis que ainda não tenho, e para isso preciso receber um dinheiro.


Estranho quando a gente vai olhar apartamento assim deste jeito... uma coisa é procurar por casa por um motivo bom... porque ganhou emprego novo, porque casou e quer algo melhor, porque acabou de se mudar para uma nova cidade... aí tudo é entusiasmo, descoberta, animação... a gente entra e já vai pensando na futura vida naquele lugar. Estamos andando em direção a sonhos que estão em vias de se tornar realidade.


Mas outra coisa é procurar apartamento por causa de um motivo ruim. Não por algo que se ganhou, mas por algo que se perdeu. A gente olha para as paredes, para o piso, para os espaços vazios, e por mais que a gente faça um esforço e se imagine vivendo naquele lugar e os futuros móveis arrumados deste ou daquele jeito, a gente não vê a felicidade morando com a gente. Só o que a gente vê é a tristeza, a tristeza de ter que deixar para trás um sonho que não deu certo. O fim de um sonho e a volta à vida real.


Foi assim sem tesão nenhum que eu visitei ambos apartamentos. Semana que vem vou ver outros dois, desta vez mobiliados, levando em consideração que eu talvez não venha a receber o dinheiro que precisaria para comprar meus móveis. Estes dois da semana que vem têm a vantagem de estarem localizados pertinho do meu trabalho, assim a vida fica um pouco mais fácil. Já tive tantos problemas e decepções ultimamente que estou precisando de uma vida fácil.


Deixa eu fazer um aparte e explicar que a minha decisão me separar foi uma decisão racional, baseada na infeliz certeza de que não há mais solução para este relacionamento, que o ressentimento mútuo e a desconfiança mútua são tão grandes que não é mais possível chegar a um acordo sobre nada. Eu tenho que me separar para poder me dar a chance no futuro de encontrar alguém que me ame e me compreenda e me aceite como eu sou, com todas as minhas contradições, as minhas opiniões que são certamente incomuns para dizer o mínimo na maioria dos casos, as minhas esquisitices, etc. Alguém que me entenda e não que me julgue. Eu mereço me dar a chance de ser amar e ser amado com mútua confiança e honestidade, algo que talvez não tenha sido possível neste meu relacionamento que acaba tão tristemente, por erros de ambas as partes, erros acumulados e nunca perdoados.


Quero também fazer aqui um mea culpa. Não quero que ninguém pense que eu sou um santinho e que nunca tenha errado e que só faço coisas boas e que sou sempre vítima. Não, eu também já fiz muita coisa ruim, já pisei na bola muitas vezes com M de uma maneira bem feia, já fui algoz e já fiz muita coisa de que me arrependi depois. Mas infelizmente eu não tenho como mudar o passado, não tenho como apagar os meus erros, só posso pedir perdão, o que já fiz, e esperar ser perdoado, e que o passado seja deixado para trás, onde ele tem que ficar. Mas não posso aceitar passar a vida inteira pagando por erros do passado, e pagando de uma forma cada vez mais vil. Eu não posso mudar o passado... eu só posso mudar o presente, na esperança de um futuro melhor.


Também quero dizer que se é para mim tão difícil de acatar a minha decisão racional de me separar é porque, é lógico, ainda tenho sentimentos por M. Claro que tenho. Não é à toa que passamos quase 3 anos vivendo juntos e enfrentando uma barra atrás da outra no que foi a época mais difícil da minha vida, e sentimentos tão fortes não se apagam assim de uma hora para outra. Por mais que meu ex tenha no final pisado na bola comigo de uma maneira que eu considero dolorida demais e absolutamente imperdoável, sei que é uma pessoa com muitos lados bons, é uma pessoa extremamente divertida quando está de bom humor, extremamente atenciosa e prestativa, que me ajudou muito em momentos difíceis da minha vida, e isso pesa muito na balança também. Mas eu simplesmente não tenho como lidar a atual situação, tudo o que aconteceu, é mais do que eu aguento. Eu simplesmente não quero isso para mim, eu não tenho pique para lidar com isso. Eu mereço ter um dia um relacionamento caracterizado pela paz e não pela guerra.


ah, mas o meu coração vagabundo... que quer guardar o mundo em mim... é, mas desta vez o meu coração vagabundo vai ter que engolir em seco mesmo.


Ontem saí para jantar com C, um conhecido meu, comissário, de passagem pela cidade. Foi bastante agradável, nos atrasamos tanto eu e ele e por isso demoramos bastante para encontrar um restaurante com a cozinha aberta, acabamos jantando já lá quase pela meia noite, conversamos bastante, rimos, nos divertimos. No final da noite eu o deixei de volta em seu hotel e voltei pra casa, me sentindo mais leve e mais relaxado. Isso é algo que me fala muito aqui em Bruxelas, sair com amigos MEUS, conversar e me divertir, sem nenhuma pretensão, sem nenhuma preocupação.


Hoje B me ligou... o húngaro. Tão lindinho, quer que eu passe a noite com ele... olha, de repente eu vou mesmo, estou precisando de alguém que me trate bem e com carinho, que me faça me sentir bem querido acima de tudo, principalmente quando é alguém assim, que não pede nada em troca, apenas a companhia do momento... ah, como era isso que eu gostaria de ter um dia... alguém que me amasse e me entendesse, que me respeitasse e que me aceitasse como eu sou, como tudo o que eu tenho de bom e de ruim, sem neura nem julgamento... só com amor e compreensão. Utopia? Não sei, só sei que estes dias o único sentimento que me vem à cabeça quando eu penso nisto tudo, é o de uma infinita tristeza.


1 comment:

Anonymous said...

sua historia eh praticamente identica a minha