Wednesday, February 6, 2008

Exercício de Sabedoria



Há alguns ditados populares que são muito certos, mesmo. Aquele que diz, "Dois não brigam quando um não quer" é um deles. Também aquela história que diz que a gente só é atingido por aquilo que a gente deixa que nos atinjam, é muito verdadeira. Tudo no final depende de nós mesmos e de mais ninguém. Somos nós ao final que controlamos o nosso estado de humor. Podemos ser atacados por pedras e chuvas ácidas, mas se aprendemos a lição, sabemos como armar o protetor e o guarda chuva na hora certa, e saímos do vendaval tão trnaquilos e sequinhos como entramos nele. Mas é verdade também que temos que sofrer muito antes de descobrir a válvula de escape.




Nada como um dia depois do outro. Eu ontem havia tido um péssimo dia, fruto de uma mensagem que veio de longe, e que caiu sobre uma bomba sobre mim. Eu que estava indo relativamente bem nos últimos dias, ainda de bem com a vida depois do ótimo final de semana em Paris, de repente senti como se alguém estivesse querendo puxar o meu tapete, literalmente. Passei o dia inteiro sofrendo e me martirizando com a informação que eu havia recebido, quase que me torturando mentalmente, não querendo acreditar no óbvio, e refazendo um por um todos os problemas que vêm me assombrando ultimamente. Parece que eu tinha voltado para trás. É claro que isso repercutiu à minha volta, o caos voltou com toda força, só para o meu próprio prejuízo no final.




Mas eu acho que afinal eu acabei descobrindo a fórmula da serenidade. Tomar cada agressão que a vida nos impõe não como uma agressão em si, mas como um obstáculo a transpor. O dono do meu bom humor sou eu e mais ninguém. Não é atirando pedras em mim que vão conseguir me abalar, se eu não me deixar abalar. Então hoje eu havia decidido impor a mim mesmo que a partir de agora nada mais me atingiria, e eu era o mestre das minhas próprias emoções e mais ninguém. Parece piegas, é piegas, mas é bem verdadeiro no final. A gente pode levar vários baques da vida, mas a opção entre ficar caído no chão chorando ou se levantar e continuar a andar com um sorriso no rosto, é nossa.




Este foi um exercício de sabedoria que eu fiz hoje. Em um dado momento decidi que já estava tão cansado, mas tão cansado, tão exausto de sofrer, que simplesmente eu não vou mais sofrer. O sofrimento pode existir, mas a maneira como a gente o vivencia, depende de nós. É claro que uma situação que é para mim desagradável não me deixa feliz, mas eu não necessariamente tenho que me deixar ficar infeliz por causa disto. Basta aprender a respirar fundo, olhar para o lado, relevar... isso mesmo, RELEVAR... entregar para Deus, como dizem uns. Tirar a mágoa de dentro do coração. Eu não sei se acredito em Deus ou não, mas sei que as energias ao nosso redor dependem muito de nós mesmo. Eu simplesmente decidi não me deixar abater pelo que quer que fosse, pois simplesmente cansei.




Veio uma pedra agora a tarde... eu olhei pra ela.. ela olhou para mim... ela começou a aumentar... eu poderia ter me deixado levar por mais aquela... mas não, eu relevei. Vi, sorri, fiquei olhando placidamente para a pedra, e segui em frente. Olhei a minha volta e vi o meu escritório só meu, cheio de trabalho em volta, e vejo a sorte que tenho de ter um trabalho quanto tantos outros não têm. Olhei para a janela, e a vista agradável que eu tenho. Olhei para mim, e gostei do que vi. Olheir para dentro de mim mesmo, e vi que eu gosto de quem eu sou, e isso me basta. Coloquei um pouco de música clássica, Bach, meu preferido, como Bach me acalma... e através da minha serenidade, fui afastando a energia negativa que aquela pedra podeira conter. E de repente aquela pedra, que pareceu tão enorme quando eu a vi pela primeira vez, foi ficando pequenininha... até desaparecer. Isso mesmo, a pedrinha desapareceu. Eu consegui deletar a pedra da minha rede de sentimentos. Passou por mim, não me atingiu. Que incrível! :-)




Eu estou saindo do trabalho agora, indo para a academia, e estou me sentindo tão leve e de bem com a vida. Não tenho uma vida perfeita, longe disso, mas tenho o suficiente para ser feliz. O resto, coisas que vêm, coisas que vão, é tudo passageiro mesmo, a vida é passageira afinal de contas. Mas a manutenção do nosso bom humor só depende da nossa capacidade de sublimar os problemas que se apresentam, e encará-los não como dificuldades em si, mas como simples experiências de vida. A gente resolve o problema se possível for, e se não for possível, a gente simplesmente deixa passar, e sublimamos a nós mesmos, porque outros problemas virão em todo caso com certeza, e enquanto houver Bach, e equanto eu tiver paz dentro de mim, nada me atinge, e eu estou de bem com a vida. Esse é um exercício que a gente deveria se obrigar a fazer todos os dias, até aprender, apreender, e nunca mais fazer diferente.

7 comments:

Annix said...

aleluia. tu entendeu.

Andrea Drewanz said...

Fico feliz por você ter conseguido superar as dificuldades...
Dá para sentir que você está mais leve até nas palavras!
Continue assim... Boa sorte!

Beth Blue said...

Que bom sentir você mais leve, sei como essas coisas são difíceis (é tudo uma questão de dar tempo ao tempo, clichê mas tão verdadeiro isso, eu que o diga).

E que pena não poder ver você este fim-de-semana porque já tinha um jantar marcado com F. Mas da próxima vez que você vier por aqui, juro que não vou furar!!!

Anonymous said...

Foi a coisa mais certa que vc já escreveu: vc agora aprendeu a ser um pouco Julia.
Ví uma frase na tv que gostei muito: Não importa o que a gente vive, mas como escolhe viver!
Beijos,
Julia

Bebete Indarte said...

É construir o tal castelo com as pedras, que por sinal NUNCA param de aparecer.
O tamanho/peso delas mudam de vez em quando...

Óh vida oh martírio, óh dor.

Beijinhos e sempre força!

Ramon E. do Amaral said...

Sabia palavras jovem ou velho Antônio.

Ramon E. do Amaral said...

Sabias palavras jovem ou velho Antônio.