Monday, April 21, 2008

Lavando e tirando a roupa suja.


E o meu ex me perguntou porque eu tenho problemas de auto-estima.

Será mesmo que quero publicar isto aqui?

Lavando a roupa suja… e tirando a roupa ao mesmo tempo.

Eu tenho problemas de auto estima porque:

1) Sempre fui muito tímido na escola e não conseguia fazer amizades com quase ninguém; no horário do recreio eu lanchava sozinho e voltava pra dentro da sala… até hoje eu faço isso, almoço quase todos os dias sozinho e volto imediatamente para o escritório;

2) Eu era o mais novo da turma, era feio e desengonçado e por isso não era levado a sério; sorte que eu era o melhor da turma… eu dava cola pra todo mundo na época de provas porque era a única forma de me fazer querido e respeitado, pelo menos naquele período… ou seja, desde pequeno estou tentando agradar os outros pra conseguir alguma forma de aprovação;

3) Eu era vítima de chacota de praticamente todos os meus colegas masculinos, que me achavam mole; e eu era olhado com um misto de carinho e desprezo por todas as minhas colegas femininas, que me achavam "bonzinho";

4) Os meus pais se separaram quando eu tinha 7 anos de idade, algo que me marcou muito porque eu perdi o meu pai, que nunca quis saber de mim;

5) Eu tenho um pai com quem nunca posso contar para o essencial porque ele é totalmente ausente e indiferente e nunca vai mover uma palha para me ajudar se isso representar algum sacrifício real para ele; ele diz que por mim "mata ou morre", mas eu gostaria, como disse uma vez Lauryn Hill em uma canção, que ele simplesmente vivesse por mim… ele uma época até que tentou se redimir, pelo menos me ajudou financeiramente na época em que eu estava na Holanda, isso eu tenho que conceder… mas a redenção foi puramente financeira e nunca emocional. O meu pai nunca me dá um telefonema para saber como eu estou passando. No meu aniversário, sou eu quem ligo pra ele. Ou melhor, ligava, porque esse ano já desisti.

6) Eu tenho uma mãe que apesar de adorar nunca posso contar para nada de essencial porque ela é hiper preocupada com tudo e quase hipocondríaca e faz de tudo um problema tão grande que eu acabo ficando com medo de contar o que for; a minha mãe me liga regularmente mas se eu espirro no telefone ela já acha que eu estou doente e que preciso ir ao médico;

7) Meus pais praticamente me abandonaram durante uma boa parte da minha infância… cada um foi viver a sua vida e eu e minha irmã fomos relegados ao segundo plano. Fomos criados pela nossa avó, minha querida avó a quem eu tanto amo, mas que trabalhava muito e não tinha tempo de sobra para dar o carinho e atenção que as crianças normalmente precisam;

9) Na casa dos meus avôs, onde nós moravámos, reinavam a infelicidade e a frustração. O meu avô, já falecido e que Deus o tenha e que eu sinceramente perdoei e que espero um dia reencontrar, era um homem frustrado porque tinha perdido tudo na vida, era rico e ficou pobre, e não conseguiu se reerguer. E uma das maneiras de expressar a frustração era não dirigindo a palavra nem a mim nem à minha irmã, pois nós os lembrávamos do nosso pai, a quem ele detestava por causa do divórcio da minha mãe… então ele só se dirigia a nós quando queria pedir algo, e era sempre "menino" e "menina", nunca pelo nosso nomes;

10) A segunda mulher do meu pai, a Maria, era mesmo uma madrasta má, em todos os sentidos. Ela tratava mal a mim e a minha irmã. Isso foi depois do nascimento do meu meio-irmão, o Jorge, porque antes até que ela nos tratava bem, acho que por medo da reação do meu pai. Mas com Jorge nascido e casamento assegurado, tudo mudou. A casa em que meu pai morava era toda bem mobiliada, e o quarto do Jorge era o mais bonito, todo branco, todo decorado. O meu quarto, que era dividido com a minha irmã, era o pior da casa, não tinha ar condicionado (para quem vive em Belém sabe o horror que isso é) nem decoração alguma, apenas duas camas e um armário velhos. Devido ao calor tínhamos que dormir com a janela aberta o que detestávamos por que de vez em quando baratas voadoras entravam vindas do quintal, e aí nós não conseguíamos dormir… puxa, nós éramos duas crianças... então tínhamos que escolher entre as baratas e o calor… pedimos várias vezes ao meu pai para colocar ar condicionado no nosso quarto, mas ele nunca se importou. A geladeira era cheia de guloseimas, mas era tudo para o Jorge, nós não podíamos comer nada, nem um iogurte sequer, nem mesmo uma banana. Era tudo para o Jorge, e nada para nós. Não, eu não estou mentindo, era assim mesmo. E a Maria adorava falar mal da nossa mãe na nossa frente, até que um dia a minha irmã se emputeceu e deu uma resposta à altura, que Maria ficou calada… ninguém cozinhava para nós também, e a minha irmã resolveu um dia tentar fazer um ovo frito, e o ovo quente caiu sobre ela e queimou a perna dela, e ninguém se preocupou em tratá-la, e ela teve uma infecção... a minha lembrança da Maria é tão ruim, mas tão ruim, que isso praticamente bloqueou por muitos anos qualquer aproximação entre eu e o Jorge, que é uma excelente pessoa e não tem culpa de nada disso;

11) Uma época o papai se separou da Maria e ela voltou pra sua terra natal em Goiás. Nós morávamos com a nossa avó, a minha mãe estava curtindo a vida sei lá onde. O papai ligou um dia para casa e falou com a minha irmã, e disse que isto não estava certo e que ia nos buscar para ir morar com ele. Marcamos o domingo, ele passaria no final da manhã para nos buscar. Avisamos a nossa avó, arrumamos as nossa malas, e no dia e horário marcados, ficamos esperando… esperando, esperando, esperando. Ele não apareceu. Em um determinado momento, a minha irmã resolveu ligar pra casa dele para ver o que tinha acontecido. A Maria atendeu. Ela tinha voltado. O papai não se deu ao trabalho de dar um telefonema que fosse. Acho que essa é até hoje a lembrança de infância que mais me dói até hoje, porque é a única que ainda me faz chorar quase toda vez que eu lembro.

12) Naquela mesma época, nos anos em que morei com a minha avó, eu fui vítima de abuso sexual na escola onde eu estudava, no primeiro grau. O professor de técnicas comerciais cujo nome eu prefiro evitar porque me dá nojo, me obrigava a ficar na sala após o final da aula, e aí colocava o pau pra fora e me mandava masturbá-lo até ele gozar. Eu me lembro da primeira vez, ele disse que eu tinha que ficar na sala porque tinha algo pra comentar comigo, e eu esperei, e aí ele falou que gostava muito de mim e que queria que eu fizesse algo para ele, e colocou o pau pra fora e me mandou masturbá-lo. Ele tinha um pau duro e grande. Eu que dependia da minha boa atuação na escola para conseguir qualquer tipo de atenção da família ou dos colegas (a minha irmã era a mais bonita, e eu era o melhor da turma, era assim que funcionava), fiquei com medo dele me reprovar se eu não fizesse o que ele tinha me pedido, então eu fiz. Eu me lembro da primeira vez, quando a porra dele começou a descer e melou toda a minha mão, e eu fiquei com um nojo tão grande que fui correndo lavar as mãos… ele me pagou um guaraná depois disso. Isso ocorreu umas 3 ou 4 vezes dentro do prazo de um ano e meio, fora as vezes em que eu consegui sair da sala rapidamente antes que ele pedisse pra eu ficar. Mas tem uma coisa que eu nunca comentei com ninguém: ao mesmo tempo em que eu sentia nojo por tudo aquilo, eu de certa forma gostei, porque afinal de contas no final, ele era o único adulto naquele momento da minha vida que me dava alguma atenção, ele vivia pedindo pra me levar para passear no fim de semana, o que eu nunca aceitei, mas eu gostava da idéia, porque ninguém nunca me levava pra passear; isso me bloqueou também por muitos anos sexualmente e emocionalmente. Acho que me bloqueia até hoje. Freud explica????

13) Na mesma época as chacotas dos meus colegas aumentaram à medida em que eu fui ficando mais tímido e mais calado, mas eu aceitava passivamente porque achava que eles sabiam o que estava acontecendo, então eu queria evitar o confronto e a revelação; hoje em dia sei que eles não sabiam de nada, eram apenas outras crianças exercitando o lado mau que toda criança tem; eu também nunca comentei com ninguém em casa porque ia comentar com quem?? Minha mãe não estava, meu pai não se importava, meu avô não falava comigo e minha avó, coitada, já tinha problemas demais pra lidar, fora que com a idade e a mentalidade de outra época, eu não me sentia de modo algum confortável o suficiente com ela para tratar de tal assunto. Então eu aceitei tudo caladamente. Foi por este motivo que eu implorei para mudar de escola na oitava série, eu que já vinha passando por aquilo desde a sexta série. Eu tinha 11, 12 anos.

14) A minha timidez, a minha feiura, a minha total falta de jogo de cintura e o incidente de abuso sexual me bloquearam na adolescência, eu tive uma adolescência absolutamente infeliz em todos os planos, eu praticamente não tenho nenhuma lembrança boa daquela época e só tenho lembranças ruins. Eu fico com inveja da minha irmã quando ela fala dos anos oitenta com nostalgia, porque para mim foi uma época dolorosa, em todos os sentidos. Ela fazia festas em casa, e eu me trancava no meu quarto, porque não queria ver ninguém. Eu vivo me trancando no meu quarto até hoje... Não tenho saudade nenhuma daquele tempo.

15) Eu nunca tive nenhuma namorada porque não conseguia atrair ninguém, e também não sabia o que fazer. As únicas vezes em que eu transei com mulheres, e foram poucas mas não vou dizer quantas, foi com prostitutas. Transei, não gostei, e desisti. E fiquei assim, vivendo como um eunuco, trancado no meu quarto e no meu mundo e odiando a vida, e me masturbando em banheiros públicos junto com outros caras e me sentindo culpado e sujo por tudo, até que aos 21 anos conheci de passagem um comissário da Varig com quem eu acabei indo pra cama e que me fez ver gostar de ir pra cama com alguém (porque até então eu não gostava nem sequer da ideia) e que me fez ver (porque eu não queria ver) que eu era gay; e eu me lembro porque eu eu gostei, porque além dele ser jovem e atraente, ele me tratou com carinho, respeito e atenção, coisa que não estava acostumado;

16) Ter me descoberto como sendo gay foi ao mesmo tempo uma epifania e um pesadelo, eu não queria de forma alguma que isso fosse verdade e ainda mais vivendo numa cidade tão provinciana, medíocre e mesquinha como Belém do Pará. Eu que já tinha tanta dificuldade em me relacionar com as pessoas ao meu redor, ainda mais isso!!! Eu fugi da cidade o mais rápido que pude, fui viver em São Paulo na tentativa de fugir de mim mesmo. E o apoio da minha família, que não sabia dos meus reais motivos, foi nenhum. Uma tia minha falou que era bom que eu fosse embora "para quebrar a cara e voltar com o rabinho entre as pernas". Hoje em dia eu até que agradeço a ela pelo comentário, porque me ajudou a dar a determinação de nunca mais voltar a uma cidade que eu tanto desprezo. Belém do Pará, a ante-sala do inferno, como já disse uma vez uma amiga da minha sobrinha; e tinha outro problema em Belém, eu era pobre (porque meu pai nunca me dava nada) no meio de colegas ricos. Na universidade todos os meus colegas mais próximos iam e voltavam das aulas de carro, o carro que tinham ganho do pai no vestibular... eu que era o melhor da turma, ia e voltava de ônibus porque meu pai nunca me deu um carro... sim, uma coisa boba, mas não tão boba quando a gente tem 17 anos e precisa da aprovação do grupo... eu continuei dando cola pra todo mundo... e alguns colegas passavam pelo ponto de ônibus, e me davam tchauzinho...
17) Em São Paulo minha vida mudou mas meus problemas continuaram, eu não conseguia me aceitar e portanto também não aceitava a vida nem ninguém. Teimei em querer seguir o modelo, fui trabalhar na Arthur Andersen, firma de auditoria na época de renome (hoje em dia falida) e tive uma péssima experiência ali, o ambiente de trabalho era hiper conservador, hiper machista, hiper preconceituoso e hiper competitivo, eu me senti muito mal ali no meio de todos aqueles mauricinhos e patricinhas filhinhos de papai brincando de executivo. E tive que ouvir um dia o seguinte comentário, na época na ocasião da morte do Renato Russo "que todos os gays deveriam morrer de aids e que isso era castigo de Deus". E detalhe, não foi a primeira vez em que eu ouvi tal comentário, porque uma vez um primo meu de primeiro grau, o Sérgio (pronto, falei! E tenho uma mágoa enorme do Sérgio até hoje por causa disso, acho que ele nem sabe disso) falou exatamente a mesma coisa em uma festa na casa da minha avó, e a reação dos meus primos foi a mesma da que eu vi entre os meus colegas na Arthur Andersen: silêncio consentidor geral. "Todos os gays têm que morrer de aids e é castigo de Deus". Essa eu nunca vou esquecer. Já ouvi duas vezes, espero não ter que ouvir a terceira.

18) Os meus pais, quando descobriram que eu era gay? Sim, descobriram, porque eu não havia contado pra ninguém, a minha mãe bisbilhoteira foi remexer nas minhas coisas e encontrou uma carta de um amigo… isso quando eu já nem sequer morava mais com ela… que falta de respeito pela minha individualidade! Pois bem, minha mãe fez um escândalo, chorou por uma semana, me fez me sentir a pior das criaturas. Meu pai me chamou pra jantar e disse de sopetão no meio do jantar que a minha vida privada era minha e que eu não tinha que dar satisfação de nada pra ninguém, nem mesmo pra ele, e que ele não queria saber. Olha, eu preferi a reação do meu pai que a da minha mãe. Ele lavou as mãos como sempre, mas pelo menos não me atirou na fogueira.

19) Eu praticamente só comecei a gostar um pouco mais da vida quando fui trabalhar na Air France e encontrei gente de cabeça legal, finalmente… encontrei a minha turma. Até hoje tenho boas lembranças daquele tempo e alguns dos meus melhores amigos no Brasil são ex colegas de Air France. Mas pagava mal e era um emprego bobo, e por causa disso também não tive apoio nenhum da minha família na minha escolha em ir trabalhar lá.

20) Nunca fui realmente feliz no amor, no sentido em que nunca tive uma relação duradoura em que eu amasse e fosse amado de verdade ao mesmo tempo e na mesma intensidade, e sem problemas ao redor para atrapalhar a relação. Na minha primeira relação, amei mas não fui amado na mesma intensidade, e durou apenas 4 meses, e terminou no dia de Ano Novo, e quebrou o meu coração; depois amei o H, que me amou também mas que já era casado com outro cara e que preferiu me deixar passar, depois de 6 meses, e também quebrou o meu coração… e depois veio P, já na Holanda, e hoje em dia me dou conta que nem eu o amei nem ele me amou, durou apenas 6 meses e não deixou traços (mas pelo menos deixou uma boa amizade), e depois veio J, com fiquei 3 anos, e que amei e que me amou, mas por muito pouco tempo, e que só deu certo enquanto morávamos em Leeuwarden longe de tudo e de todos, e onde tínhamos em todo caso sérios problemas financeiros… e depois fomos para Amsterdam e os problemas financeiros continuaram e a coisa degringolou e J passou rápido de príncipe a sapo porque usou da minha situação na Holanda pra se aproveitar financeiramente às minhas custas, paguei por 3 anos o apartamento onde morávamos, do meu bolso, e no final eu dormia em um colchão no quartinho, enquanto ele tinha o quarto principal inteiro, e quando nos separamos eu saí sem nada, e perdi o apartamento; e depois veio F, espanhol, amor a primeira vista, que me pôs em banho maria por 6 meses para depois ficar com outro na noite do Réveillon, na minha frente… e também quebrou o meu coração… e depois veio M, que eu amei mas nunca da forma como M quis ser amado, e que me amou mas nunca da forma como eu queria ser amado, e com todos os problemas enormes com os quais a vida nos presenteou, e o que poderia ser uma relação feliz se tornou uma relação neurótica e destrutiva, e só sobrou o mútuo ressentimento no final, e terminamos na Noite de Natal, infelizmente.

21) Natal, Réveillon, aniversario, essas datas problemáticas, que cada vez eu gosto menos, porque sempre vêm com tantas expectativas que quase sempre são frustradas… Natal de 1981, minha mãe tem que escolher entre passar comigo e a minha irmã ou com o namorado novo, e ela escolheu o namorado novo, e nós passamos o Natal com nossos avós, naquele esquema "menino" e "menina"… Réveillon do mesmo ano, meu pai decide ir nos buscar na ultima hora e ir nos levar na festa de sei lá quem, e chegamos atrasados e passamos a meia noite na escada… Réveillons em São Paulo, eu passei duas vezes o Réveillon totalmente sozinho porque não tinha companhia… 14 de Outubro de 1999, nenhuma data especial, mas para mim era porque eu ia rever H em Paris depois de três meses sem vê-lo… deixei de jantar com a minha irmã que também estava em Paris na época e fui ao seu encontro, feliz da vida… ele me fez ir ao seu apartamento, transamos, e depois ele me pediu pra ir embora porque o namorado oficial chegava de viagem no outro dia… se alguém pode saber o que é se sentir realmente usado, sugado e jogado fora, olha, é isso… Réveillon de 1998, o meu primeiro namorado, MO, que estava em São Paulo, não me telefona (eu estava em Belém); eu ligo no outro dia e outro cara atende o telefone… Réveillon de 2002, eu havia organizado uma festa enorme no apartamento do Sarphatipark em Amsterdam, e esperava que P viesse da Alemanha passar o Réveillon comigo, e ele decide ficar na Alemanha e passar com amigos, terminamos dois dias depois, eu me senti humilhado de ter organizado a festa inteira e ser o único no final sem companhia; Réveillon de 2003 e de 2004, as duas ocasiões com J, as duas ocasiões terminaram em briga; Réveillon de 2005, depois de 6 meses em uma relação apaixonada e platónica, finalmente combino com F de me encontrar com ele em uma festa aqui em Bruxelas, e ele decide passar a noite com outro "porque tinha medo de se envolver e de me machucar", como se já não estivesse me machucando ao fazer o que fez… nós hospedados no mesmo hotel, eu vou dormir sozinho no meu quarto e no dia seguinte, dia Primeiro, vejo ele saindo do elevador acompanhado… Natal de 2007 e Réveillon de 2008… deixa pra lá.

Por tudo isso e outras coisas mais que eu não tenha comentado, eu tenho problemas de auto-estima… dá licença, ok?????? E talvez por isso tudo que eu tenha tanta necessidade de atenção, e talvez por essa necessidade que eu acabe deixando acontecer situações dúbias, embora eu saiba que essas situações nunca se concretizaram em nada, porque eu não sou desleal… E quem se sentir ofendido porque eu falei mais do que devia, vá lamber sabão, que eu estou de saco cheio de ter que me calar para agradar aos outros.

E ao pensar em todas essas coisas ruins que me aconteceram, eu me lembro de ter tido uma coisa boa: ter tido a oportunidade de conhecer o Dieter, o meu padrasto falecido há quase 10 anos, e que foi para mim um segundo pai, e que foi a única pessoa sem nenhum laço de parentesco que gostou de mim e que quis me ajudar no que pôde sem esperar nada de volta, apenas por bondade e generosidade. O Dieter era uma estrela que iluminou a vida de todos pelos quais passou, e que merecia ter sido mais bem tratado por essa vida tão ingrata. Dieter, eu espero revê-lo um dia, e vou te dar um abraço, e vou perguntar se você quer brincar de ser o meu pai mais uma vez, porque foi bom tê-lo como um pai, pena que durou tão pouco.


4 comments:

Beth Blue said...

E quem se sentir ofendido porque eu falei mais do que devia, vá lamber sabão, que eu estou de saco cheio de ter que me calar para agradar aos outros.

Assino embaixo! No mais, o blog é seu e os incomodados que se mudem. (se bem que eu até que ando tentando me preservar nos últimos tempos, rsrsrs).

beijos de outra blogueira do barulho!!!

lisa said...

se belém é a ante-sala do inferno, é porque manaus é o próprio. é tudo que você disse que belém é. e sem estrada.

Andrea Drewanz said...

Nossa, Antônio, tantas confissões e desabafos, só mesmo para alguém tão corajoso!
E te digo mais... com tantas experiências negativas acumuladas, você pode e deve se sentir um vitorioso!
Todos nós temos problemas de difícil solução, que parecem não ter fim. Mas, diante de seu relato pessoal, vejo que você soube dar a volta por cima disso tudo. Nada de se sentir pra baixo, muito pelo contrário!
Você tem que olhar para frente e dar valor a tudo que vc passou e aprendeu.
E quer saber? Estes seus ex não devem ter cabeça boa, para ter te largado assim, sem mais nem menos.
Sou sua fã!
Bjs

Anonymous said...

Olha, você é a Fenix que renasceu das cinzas.