
Final de semana passado foi hora de viajar, passear, ver amigos, e me divertir como há tempos não fazia. Fui a Amsterdam, pois queria não só prestigiar a exposição de artigos com design amazônico de uma amiga do Brasil, C, e sua sócia D, como também rever o meu povo, aqueles amigos que bem ou mal estão sempre ao meu lado... minha queridíssima B, e também Z, M, e também V e T... e aproveitar para fazer novos amigos, pois A e R, amigos de B (este post está virando uma saladinha de letras com tanta gente), estavam de passagem pela cidade, e assim pude conhece-los tambem. Gente finíssima!
Bom, é claro que como tudo na vida eu tinha que pagar um preço, descer ao inferno antes de chegar ao paraíso. O inferno do final de semana foi a viagem de trem de Bruxelas até Amsterdam. Esta viagem é feita em um trem lento e lotado que pára em várias estações e chega no destino final quase 3 horas depois. Paciência. Se pelo menos tivesse sido assim... na verdade, o trem saiu com uma hora de atraso de Bruxelas. E para piorar, parou no meio do caminho, e todos os passageiros tiveram que ser desviados para outros trens. Eu ia até Amsterdam, e para chegar lá fui obrigado a trocar de trem mais quatro vezes, em Lage Zwaluwe, Breda, Den Bosch e Utrecht. Resultado, cheguei em Amsterdam 6 horas mais tarde.
Já eram cinco e meia da tarde quando eu pus os meus pés na Estação Central, e a exposição da Hileiadesign na Oude Kerk só ia até às seis. B me ligou, estavam todos me esperando! Tive que sair da estação literalmente correndo, fazendo o meu caminho entre os vários bondes e ônibus que têm seus pontos de partida e chegada em frente à estação, e em seguida tomando a Waarmoestraat, também lotada em um fim de semana, especialmente um sábado de sol como aquele. Rumo ao bairro da luz vermelha, onde fica a Oude Kerk, igreja mais antiga de Amsterdam que hoje em dia funciona como centro de exposições, e tem a peculiaridade de estar situada bem no meio do puteiro ao ar livre que é o bairro da luz vermelha. Igrejas e prostitutas convivendo pacificamente lado a lado, só mesmo na Old Amsterdam.
Cheguei a tempo! A vantagem de ter pernas longas, he he he... pude apreciar a beleza interior da igreja, na qual eu nunca tinha entrado, e a luz de fim de tarde entrando pelos vitrais dava um ar todo especial ao lugar. E pude também admirar a beleza e originalidade dos artigos da Hileiadesign, explicados pessoalmente pela D, que ali estava e que me mostrou bolsas e agendas de látex (adorei as agendas, hiper modernas), colares de pedras, artigos de casa, e vários outros items, todos com o toque amazônico, produzidos pelas tribos locais. Eu como venho da Amazônia sempre gosto de prestigiar tudo o que vem de lá (ok, banda Calypso à parte!!!!!) até como uma forma de me redimir um pouco em relação à minha cidade natal, Belém, com a qual nutro uma relação de amor e ódio que nunca vai acabar.
Bateram as seis horas da tarde e fomos amigavelmente convidados a nos retirar do ambiente pelos organizadores holandeses da mostra. Já do lado de fora, fazia ainda sol e tempo bom, apesar do frio, e resolvemos ir ao De Jaren, um dos mais tradicionais cafés de Amsterdam. No caminho, passamos por dentro da Binnengasthuis, o campus da Universidade de Amsterdam onde eu tive a maior parte de minhas aulas quando ali estudava, e foi tão bom rever aquele lugar! Na chegada ao café tivemos a sorte de conseguir uma mesa bem no terraço, em frente ao canal que passa por lá. Aí começou a festa do café, da torta de maçã, das fotos e das risadas. A e R, que tinham ido dar uma volta de bicicleta, apareceram mais tarde, acompanhados de mais um amigo, H, e aí a conversa engatou noite adentro. Já tinha escurecido quando deixamos o café.
De lá, próxima parada, por sugestão de H, um restaurante indonésio na PC Hoofdstraat, que é para Amsterdam mais ou menos como a Oscar Freire para São Paulo. Eu fiquei meio com medo do preço, fui pra Holanda em um esquema low budget e não queria me comprometer financeiramente, mas enfim, uma vez lá tudo é festa mesmo, então vamos em frente. Até que no final o restaurante nem era tãao caro, e a comida era muito gostosa, então valeu a pena. Já ia esquecendo de comentar, que no meio do caminho a turma aumentou ainda mais, porque os franceses A e X (X porque eu esqueci o nome do moço!), também se juntaram a nós, e portanto foi uma mesa de 9 lugares que nos acomodou no restaurante.
Próxima parada? Primeiro um fumo no Rokerij da Leidseplein porque Amsterdam é Amsterdam e turista quer mesmo é passar por um coffee shop nem que seja pra dizer que ali estiveram, então la fomos. E uma fumaceira depois, fomos dali para o ARC, o bar muderno da Reguliersdwaarstraat que no final das contas acaba sendo sempre uma boa opção quando se está com amigos e se consegue uma mesa, o que foi o caso, então foi ótimo. A noite teria sido perfeita se não fosse R ter perdido a chave da bicicleta alugada! Mas no final tudo deu certo, acharam a chave, deram risada, e a noite acabou na Rembrandtplein, junto às estátuas do Night Watch, depois de alguns tragos, varias caipirinhas e mais risada. A e R voltaram para o hotel, pois já tinham que pegar o vôo de volta naquela manhã; B voltou para Leiden, onde mora; cada um foi para o seu canto, e eu acabei dormindo na casa de Z, um apartamento bem simpatico em De Baarsjes. Obrigado, Z!
Domingo aproveitei o dia para rever meus queridos V e T, meus mais antigos amigos de Amsterdam e até hoje amigos fiéis, duradouros. Desses que vão ser amigos pra vida inteira mesmo. Porque sabem ser amigos, sem cobrança, sem neura, só na boa vontade de curtir a companhia de uma amizade e na certeza de estarem sempre ali, quando necessário. Gente com quem eu posso ser eu mesmo, e posso falar o que me der na telha sem o perigo de ser mal interpretado, porque eles sabem que minha amizade é genuína, e vice versa. Gente com quem eu posso simplesmente me sentar e tomar um café sem dizer nada. Gente com quem eu posso rir e com quem eu posso chorar, e como eu já ri e chorei com eles.
Engraçado que eles foram também separadamente as primeiras pessoas que eu conheci em Asmterdam. T foi meu colega de mestrado e dividiu um estúdio comigo, e V eu conheci também logo no início dos meus anos na Holanda, era amiga de G, querido amigo que já voltou ao Brasil. E no final eles acabaram se conhecendo - através de mim! e por isso mesmo que eu adoro quando vejo a pequena Ayumi, pois sei que se não fosse eu ter pedido à V que deixasse T usar a sua casa enquanto ela estava de férias, e enquanto ele estava literalmente homeless, e se não fosse também por um certo abacaxi (longa história!), ela não estaria lá, linda e sorridente como sempre. Engraçado como eu me lembro perfeitamente do exato momento em que eles se conheceram. Era uma das festas no Sarphatipark, acho que era a festa de despedida de minha amiga norueguesa P, que pedira o apartamento emprestado. Festa rolando, o apartamento lotado, T saindo do banheiro e quando eu o chamei pelo nome, V perguntou "ah, é ele que ficou na minha casa? obrigado pelo abacaxi!" T havia deixado um abacaxi de presente (coisas de T...) e olha só no que deu. Ayumi!!! :-))
E assim terminou o meu final de semana,24 horas depois da chegada, tomando um koffie verkeerd com V, T e Ayumi, curtindo o sol de outono pertinho da Prins Hendrikkade, onde eu morei como estudante em Amsterdam, junto com T, e me lembrando daqueles dois anos maravilhosos que foram os meus anos de mestrado na Holanda, e todas as pessoas legais que eu conheci ali, e desde então, e todas as experiências que eu vivi naquele período, e querendo tanto, mas tanto, que o tempo pudesse voltar.



1 comment:
Acabei de postar no outro post sobre nossa amiga em Bruxelas e sobre a pequena Ayumi. Troquei as bolas mas tudo bem, deve ser a morfina ;-)
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