Wednesday, July 23, 2008

Família em Bruxelas


Não é todo dia que eu tenho visita de família, então quando isso acontece, é um fato a ser festejado, priorizado, saboreado à exaustão física, mental e financeira. Aquela velha história da propaganda do cartão de crédito, passar um final de semana com a família em Bruxelas e Paris não tem preço. E foi seguindo esta regra que eu aproveitei o final de semana passado ao máximo, primeiro em Bruxelas e depois em Paris, seguindo as minhas queridíssimas irmã e minha sobrinha que estavam de férias pela Europa. Aproveitei ao máximo, matei a saudade e estourei o meu orçamento de maneira considerável no final, mas tudo bem, valeu a pena. Non, je ne regrette rien.


A maratona do fim de semana começou já na sexta feira quando, ao sair de uma prova para uma vaga no serviço externo da Comunidade Européia (quem sabe eu não acabo indo parar em Brasília daqui a alguns anos?), fui até a Estação Central daqui de Bruxelas para comprar meus bilhetes para Paris, para onde viajaria na noite do dia seguinte. Uma hora e meia depois - era feriado prolongado na Bélgica e com o mau tempo que estava fazendo, todo mundo queria viajar - e 120 euros mais pobre, eu consegui sair da Estação com a minha passagem de ida e volta na tarifa promocional. Da estação ainda fui pra academia, resultado: só cheguei em casa lá pras 10 da noite, e ainda tinha que arrumar a minha mala, e não só isso, organizar um pilha de roupas já lavadas mas ainda não devidamente arrumadas. Eu sou devagar pra este tipo de coisas (eu sou devagar para praticamente tudo, a única coisa que eu faço rápido é andar, para compensar os meus atrasos que são constantes). Bom, fui dormir às 3 da manhã.


Acordo às 9 da manhã do sábado ainda com sono (desde que voltei de Madrid tenho tido um ritmo um tanto frenético e portanto estou com sono acumulado) mas tenho que me levantar porque a minha irmã já está chegando no trem das 10H30 direto de Paris. No meu estresse habitual da manhã (ter que fazer tudo rápido quando eu sou devagar por natureza é algo que me estressa MUITO) tento me preparar bem rápido, até que o telefone toca: elas (minha irmã, minha sobrinha que estreava de Europa e uma amiga) haviam perdido o trem e só chegariam ao meio dia e meio. Tudo bem, pensei eu, assim tenho mais tempo para colocar a casa em ordem antes de sair, que alívio. Porque eu já estava pressentindo que eu ia me atrasar...


E acabei me atrasando de qualquer forma, porque, estresse dois do dia, me ligam do hotel que eu havia reservado em Paris pra me avisar que o meu cartão de crédito havia sido recusado e que portanto a minha reserva não estava garantida. Eu como tinha certeza absoluta de que o meu cartão estava em ordem, até porque tinha pago a fatura uma semana antes, insisti no erro do hotel, mas em todo caso tive antes que ligar para a administradora do cartão, reconferir tudo, e depois ligar de novo para o hotel para confirmar que o cartão estava OK SIM, e que só podia ser um erro do banco do hotel. Felizmente o mal entendido fora resolvido, quando eu liguei pela segunda vez para o hotel o meu cartão já tinha sido autorizado, mas nesse meio tempo eu perdi uma boa hora solucionando o problema e acabei chegando atrasado à Gare du Midi, de onde chegava o Thalys vindo de Paris.


Aliás deixo uma dica de viagem para quem quiser fazer reserva de hotéis: no site "Booking" (http://www.booking.com/) eu sempre encontro vagas em qualquer cidade e a tarifas hiper promocionais. Quando fui a Praga reservei o meu hotel com eles, e agora em Paris também, onde consegui um hotel duas-três estrelas na Bastille (o hotel era oficialmente de duas estrelas mas eu o encontrei melhor que outros hotéis três estrelas por onde já estive) por apenas EUR 60,00 por noite o que para Paris é quase de graça. Além do quê o site permite que você faça reservas de última hora, que geralmente é o meu caso. Ok, desta vez deu o problema do cartão, mas não é culpa do site, foi culpa do hotel mesmo.


Bom, cheguei na Gare du Midi e é claro, primeiro houve a tradicional sessão de beijos e abraços, pois afinal eu já não via a minha irmã e minha sobrinha desde o ano passado. De lá seguimos os quatro para a primeira parada do dia, a Avenue Louise, rua principal do comércio chique de Bruxelas. Digo quatro porque elas estavam acompanhadas de uma amiga, C., muito simpática e inclusive parecida fisicamente com a minha irmã e minha sobrinha, as três na rua de óculos escuros, pareciam as três panteras indo à guerra, digo, às compras, he he he (até que no final o estrago não foi tanto quanto eu havia imaginado...). Chegamos na região da Avenue Louise, almoçamos em um restaurante gostosinho na Rue Jourdan (o atendimento não era grande coisa, a menina que anotava os pedidos era simpática mas trocava as bolas toda hora... tudo bem...), que é uma ruazinha cheia de terraços, e de lá seguimos adiante.


Primeiro no Boulevard de Waterloo, onde estão as lojas mais caras, e depois passando perto do Bairro Europeu - não deu pra ir atéo prédio da Comissão Européia, que ficava longe, mas deu pra apontar a cúpula do prédio do Parlamento Europeu no final da Rue du Luxembourg. E daí fomos descendo pela região do Palais Royal e Rue Royale, uma das áreas mais bonitas da cidade, até a região do Sablon, bairro de antiquários e galerias de arte, onde paramos primeiro no belo Jardin du Petit Sablon para uma sessão de fotos, e depois seguimos para a necessária visita àquela que é considerada a melhor loja de chocolates do mundo, a Pierre Marcolini. Nem todo mundo gosta de chocolates, mas quem gosta não pode deixar de fazer uma visita à esta loja.


Aí já estávamos mais ou menos no final da tarde e todos já estavam um pouco cansados de tanto andar, mas ainda tinha a atração principal da cidade para se ver: a Grand Place, bem no centro da cidade. Tivemos sorte que no final da tarde o tempo havia melhorado e fazia sol, de forma que a Grand Place estava com todo o seu esplendor de uma tarde de verão. Foi uma orgia de fotos ali, cada um procurando um ângulo melhor dessa que é com certeza uma das praças mais bonitas da Europa. Tirei umas fotos lindas com a minha sobrinha, vai ver é olho de tio mas eu a acho a sobrinha mais linda do mundo, junto com a irmã dela, é claro. Resolvemos parar para um café em um dos terraços da praça - o dobro do preço dos cafés normais, mas enfim, vale pelo local, e depois de uma taça de champagne e uma xícara de chocolate quente, não queríamos mais sair dali, e fomos ficando, ficando, ficando, só aproveitando o local e olhando o povo passar.


Ok, deu seis horas e eu comecei a ter fome, e como sabia que não íamos ter tempo de jantar em Paris - sairíamos de Bruxelas às 20H30 da noite e chegaríamos em Paris às 22H00 - eu insisti para que fôssemos procurar um café onde pudéssemos comer qualquer coisa. Felizmente a minha ideia foi aprovada e assim eu pude levar as três panteras na Halle Saint Géry, uma praça cheia de bares e restaurantes no centro de Bruxelas, menos turística que a Grand Place e por isso mesmo com preços mais acessíveis. Era fim de tarde de sábado de verão, fazia sol e portanto a praça estava lotada, como de costume em dias assim, e lotada de belgas mesmo, não de turistas. Essa praça ferve todo fim de semana.


Conseguimos uma mesa no terraço de um restaurante tailandês bem no canto da praça; o local estava ótimo, e a comida também (até porque com a fome que eu estava, tudo cairia bem). Pedi um frango com curry verde e leite de coco e as meninas que não estavam com tanta fome assim se contentaram com um prato de loempias, que para quem não sabe são parecidas com os rolinhos primavera chineses, só que melhor recheados. Gostaram das loempias porque comeram todas. E C ainda tomou um chá de jasmim no final. Alias elas gostaram bastante da Place Saint Géry, acho que gostaram do burburinho local.


E daí partimos de volta à Gare du Midi, já no final do dia, para pegar o trem de volta a Paris, sem antes deixar de falar com M., que foi até a estação só pra cumprimentar minha irmã. Meigo. Minha irmã estava um pouco traumatizada com o fato de haver perdido o trem da manhã e por isso não quis correr o mesmo risco de novo, e por isso chegamos na estação com tempo suficiente pra fazer tudo com calma e não ter que correr desta vez, que bom. E assim se foi um dia em Bruxelas. E a continuação vem em seguida - Paris!

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