Tuesday, July 8, 2008

Fiesta en Madrid!


O verão finalmente chegou aqui na Europa, já tivemos bastante dias de muito sol e calor. E com o verão vem a temporada de férias, festas e muita folia. Eu geralmente sou preguisoço para sair de casa e acabo não fazendo quase nada. Sempre penso, planejo, arrumo tudo e na hora H eu fico com preguiça de sair e acabo ficando em casa mesmo, atrás da televisão, do computador ou de algum livro. É, podem me chamar de velho mesmo, eu acho que já virei a curva, já não tenho mais pique pra festa o tempo inteiro.


Mas este final de semana eu resolvi que queria fazer algo diferente, afinal de contas não posso passar o resto da vida trancafiado no meu apartamento branquinho, pois por mais que eu me sinta bem lá dentro, a verdade é que tem muita coisa rolando do lado de fora também e se eu nunca experimentar, nunca saberei, então continuo tentando sempre que surge uma oportunidade que me parece interessante. E este fim de semana apareceu uma proposta bem interessante, que eu resolvi aceitar e me jogar em cima: fui com um grupo de amigos da Holanda passar o final de semana em Madrid, onde rolava o Gay Pride de lá.


Para quem não conhece Madrid: É uma das minhas capitais preferidas na Europa. Uma cidade grande, bonita, vibrante, alegre. Madrid é muito especial porque ela tem um ritmo frenético comparado apenas ao de cidades como Londres ou Paris, mas tem também uma alegria típica de cidade turística ou de cidade latina, sei lá. É como se fosse uma cidade praiana sem ter praia. As pessoas sorriem em Madrid, as pessoas se divertem por lá, e olhem que viver em Madrid é uma dureza, a cidade tem também o seu lado perverso com aluguéis caríssimos - é uma das mais caras da Europa - e salários bem abaixo da média européia. Eu acho que no final é a característica dos espanhóis mesmo - assim como os brasileiros, eles sabem fazer uma festa.


Para quem não conhece um Gay Pride: Imaginem uma festa gay gigantesca (por favor, eu espero não ter que entrar em detalhes de como é uma festa gay... quem tiver curiosidade, por favor vá e confira... garanto que não vão se arrepender da experiência!), cheia de gente bonita, divertida, e diga-se de passagem, também colocada, que dura três dias e acontece em vários pontos da cidade desde a hora em que as pessoas acordam até a hora em que as pessoas vão dormir e onde praticamente não há brigas nem incidentes maiores porque os gays são mesmo de paz e estão ali para fazer o amor e não para fazer a guerra como acontece em muitas festas "heterossexuais".


Agora imaginem um Gay Pride em Madrid: isso mesmo, explosivo. Porque no caso de Madrid em um final de semana é em só depois do meio dia que as pessoas vão acordar... e no caso de Madrid em um final de semana é só depois do meio dia que as pessoas vão dormir... então é isso mesmo, a festa não pára, quem tem pique pode festejar non stop por até 72 horas, tem sempre um after rolando, depois um after do after, depois já entra no pré party do dia seguinte e por aí vai... haja pique, energia, fôlego... e dinheiro pra bancar isso tudo também, porque os ingressos das festas mais caras podem bater os 60 euros em alguns casos. Sem direito a bebida alguma.


Pois bem, eu não sou muito chegado em mega eventos mas este ano resolvi ir porque queria fazer algo diferente. Então fui, cheguei lá na sexta feira no final da tarde e fiquei até a segunda feira à noite. Fiquei hospedado em um hotel 4 estrelas na Gran Via muito bom, o Vincci Via, todo em design bem moderno, um restaurante que mais parecia um lounge bar e um terraço no último andar maravilhoso... só ficou faltando a piscina, mas os chuveiros deram conta do recado. Um hotel que eu recomendo para qualquer pessoa, o atendimento também foi muito bom e a localização era mesmo perfeita.


E ja na sexta feira mesmo começou a minha maratona de festas. Na sexta à noite depois do jantar fui à uma festa de rua em uma praça na Chueca, o bairro hiper gay de Madrid que eu nem gosto tanto porque é mesmo gay demais, quase um gueto, gays por todo lado, bandeiras gays em cada varanda, lojas gays a três por quatro, restaurantes gays em cada esquina... gay, gay, gay!!! Mais gay que a Chueca de Madrid, acho que é impossível, talvez a Farme de Amoedo em Ipanema ou o Marais em Paris cheguem perto, mais ainda assim nem tanto. Apesar da overdose gay do local a festa estava ótima, muita gente de todos os tipos, inclusive famílias, meninas, casais de namorados, todo mundo muito bem entrosado, e a música ótima. Adorei.


Sabado, acordei ao meio dia e fui tomar o meu brunch na Gran Via que estava já bem animada. Pudera, o tempo em Madrid estava maravilhoso, quente mas nem tanto, ensolarado, seco e com uma brisa constante, ou seja, a gente podia curtir o sol sem sofrer com o calor. Encontrei metade de Amsterdam passeando pelas ruas. De la voltei ao hotel e fui tomar um banho de sol no terraço, estava tão bom que acabei ficando a tarde inteira lá em cima, em clima de férias e relax total. Só saí do terraçoo porque já tinha pego um bronzeado razoável e tinha combinado de encontrar meus amigos D e O de São Paulo que estavam também de férias em Madrid. Duas garrafas de cava depois - e nenhum jantar - fomos assistir à Parada, que em Madrid é enorme, acho que a maior da Europa, começa às 6 da tarde na Puerta de Alcalá e não termina antes das 11 da noite, na Plaza de España, no final de Gran Via e depois de ter atravessado todo o centro da cidade.


Da Parada - e depois de um bom jantar pra matar a fome e uma passagem rápida pelo hotel - emendamos para a Infinita, a principal festa do fim de semana, no Palácio de Esportes de Madrid, ao lado do metro Goya. O local era enorme, a festa era enorme, a iluminação era enorme, os shows eram enormes, os telões eram enormes, os homens eram enormes... tudo era enorme naquela festa. Bom, a falta de organização aparentemente também era enorme, bem à espanhola, ouvi dizer que deu confusão na entrada porque a distribuição dos ingressos pré-pagos estava lenta demais. Eu felizmente cheguei cedo e não tive este problema, então adorei. Saì de lá às seis da manhã.


Seis horas depois e já estou eu acordado de novo e tomando café com um dos meus amigos, J. Depois do brunch e de um bom descanso no pátio do café, voltamos pro hotel apenas pra nos preparar para a próxima festa, Space, na Estação de Chamartin, uma festa diurna que começava ao meio dia e ia até as dez da noite. Chegamos às três da tarde e o local já estava cheio. Eu fiquei um pouco decepcionado porque apesar da música ser ótima o lugar era relativamente pequeno se comparado com o enorme estádio do dia anterior, e também muito escuro, difícil de andar lá dentro. Mas ok, festa é festa... lá encontro um grupo de amigos de Londres e Paris e resolvo emendar com eles para a próxima festa, Supermartxe, essa em um local chamado Sala La Rivera, pelo caminho que o táxi fez acho que era do lado oposto da cidade, mas tudo bem. Esta festa começava no final da tarde, inicio da noite e ia até as duas, três da manhã. Também lotada, cheia de gente bonita, música ótima... só que o calor lá dentro, insuportável. Detalhe, eu emendei de uma festa à outra sem jantar, e é claro, paguei o preço por isso depois. Em um determinado momento o calor começou a me fazer passar mal e eu fiquei por um bom tempo sentadinho no meu canto pegando o ventinho que vinha do banheiro, onde aparentemente a ventilação era melhor. Mas enfim, festa é festa... assim que eu me senti melhor voltei à pista de dança e fomos assim sem parar dançando até o final da festa.


Já é domingo às duas da manhã mas a festa ainda não acabou, continua lotadíssima e a música bombando... de lá emendamos para uma after party privada, no apartmento de uns ingleses, amigos de amigos, essas coisas. Chegando lá a festa já rolava solta, pelo menos umas trinta pessoas, todo mundo dançando, música alta, a mesa cheia de bebidas e nenhum sinal de que aquele povo ia parar em algum momento. Eu fico realmente impressionado com o pique daquele povo, haja colocação para conseguir emendar assim de uma festa pra outra sem comer e sem peder a pose nem o pique. É, os gays realmente sabem curtir uma festa como ninguém. Mas também haja saúde, porque o alto consumo de todo tipo de party drugs em festas na Espanha, seja gay ou hetero, é conhecido na Europa inteira. O povo se joga mesmo.


Continuei festejando até as seis da manhã... quando já esgotado de tanta diversão, resolvi voltar pro hotel e tentar dormir um pouco. Meu vôo era ao meio dia e meio, mas eu estava tão cansado e sem condições de viajar que resolvi mudar o bilhete, paguei 50 euros de taxa e troquei a minha reserva para o último vôo do dia às oito da noite. Isso sem pensar direito porque eu tive que fazer o check out do hotel ao meio dia e portanto fiquei na rua do meio dia às oito da noite. O que teria sido ótimo se eu estivesse em forma, afinal de contas poderia ainda fazer outras coisas como passear pela cidade e tal, mas eu estava tão cansado que não dava, então simplesmente me joguei no terraço de um restaurante à sombra e fiquei ali, parado, esperando o tempo o horário de ir para o aeroporto e olhando as pessoas que passavam... outra coisa curiosa sobre Madrid é que a cidade é mesmo cheia de tipos almodovarianos, a excentricidade que se vê nos filmes dele é bem presente na cidade.


E assim terminei o meu fim de semana naquela cidade louca: exausto, vendo os personagens de Almodóvar passarem na minha frente, e fazendo um balanço de toda a diversão: cinco festas em três dias, mais a parada em si que já é também uma grande festa. É realmente demais pra mim, cheguei à conclusão de que não tenho mais pique para mega eventos como esse, acho mesmo que já estou ficando velho e passei da idade. Uma festa ou duas no máximo teria sido de bom tamanho. Mas como escolher se todas eram ótimas? Fui em todas, me diverti a mil, mas voltei no final da segunda feira - detalhe, o vôo da Iberia saiu com duas horas de atraso - feliz da vida de regressar à pacata e cinzenta Bruxelas, onde estava chovendo como de hábito. Pacata e talvez friozinha e cinzenta como eu, que adoro a chuva de noite e a tranquilidade que vem com ela. Fiesta em Madrid é o máximo... mas haja pique...

2 comments:

Bebete Indarte said...

Tudo sobre mi madre no Gay Pride Madrileno.
Po também fiquei cansada, com tantas festas, tantas coisas enormes, gente por tudo...mai godi.
E o tempo todo sentindo o clima de Almodovar até q vc colocou no assunto, nao tem como.
Mas foi otimo o relato, e engracado vc fazendo check out...e ter q ficar meditando na rua, acho que fez bem pra sorver a rapidez dos acontecimentos.
Eu adoro festas, mas nao tenho mais pique pra `tudo ao mesmo tempo agora`...
Foi otimo conhecer Madrid assim.
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Beth Blue said...

Eu também não tenho mais pique não!!! Estamos mesmo ficando velhos. Só de ler seu relato já me deu um cansaço, rsrsrsrs.

PS. Nunca estive em Madrid, mas conheço Barcelona.