
De volta a Bruxelas depois de férias tão intensas, fui recepcionado com o típico verão belga - frio e chuva - e o incontornável resfriado de fim de férias e mudança de clima. Nada melhor para os meus pulmões e minhas narinas que sair de 35 graus, céu azul, sol e calor, e voltar para os 15 graus, céu cinza e chuvinha vem e vai e fica. Bom, pelo menos as férias escolares dos Belgas continuam até o final de agosto, o que significa que pelo menos por enquanto as ruas continuam tranquilas e não há quase nenhum congestionamento no meu caminho de casa para o trabalho. Por outro lado, as opções de almoço também diminuem uma vez que praticamente metade dos restaurantes da cidade, incluindo os refeitórios funcionais, estão fechados nesta época.
No escritório está tudo por enquanto também relativamente calmo. Comecei este mês em um novo departamento. Eu estava até o final de julho trabalhando com projetos subvencionados pela União Europeia na América Latina, e devido a relatórios que haviam sido enviados apenas no último momento tive que ficar trabalhando até as oito horas da noite na minha última semana pra deixar tudo em dia. Mas agora eu comecei a trabalhar com projetos na Ásia Central, e como a maioria dos meus colegas, entre eles meu chefe, está ainda de férias, o volume de trabalho no momento está bastante reduzido. Até porque eu estou aqui me concentrando em uma tarefa bem específica que é o fechamento de contratos, o que só posso fazer depois que meus colegas tenham terminado todas as outras tarefas relativas a cada um destes contratos. Então enquanto eles não terminam a parte deles, eu não tenho como começar a minha. Paciência.
Eu bem que queria ter passado o meu primeiro final de semana em Bruxelas (depois de praticamente um mês inteiro em que eu não parei, viajando para a Espanha e a França) bem tranquilo aproveitando a doce paz do meu lar, mas isto não foi possível. Mas não foi possível por um bom motivo, eu tive a visita de meu querido amigo B., romeno vivendo em Praga e trabalhando com a organização de eventos, que veio passar um final de semana aqui para me visitar e, de quebra, poder ir a uma das maiores festas daqui de Bruxelas, a La Demence, que ocorre mais ou menos uma vez por mês, sempre às sextas feiras ou vésperas de feriados. A La Demence já foi uma das maiores circuit parties da Europa Ocidental, e até hoje ainda atrai gente da Europa inteira. Mas já perdeu grande parte do seu charme. Ainda assim, vale a pena uma vez ou outra. Esta foi a minha terceira La Demence do ano, e tenho que dizer, foi surpreendentemente talvez a melhor, a música estava ótima, o clube estava cheio e eu, que fui sem nenhuma expectativa e apenas com o intuito de acompanhar o meu amigo, acabei ficando ali, dançando sem parar, até as 10 da manhã.
No dia seguinte - ou melhor dizendo, na tarde e noite seguintes, não consegui fazer nada, estava exausto e precisando de repouso. Felizmente B estava na mesma situação (não só porque também curtiu a festa ao máximo, mas também porque teve direito a uma, digamos, after party privada com um carinha palestino que ele conhecera na festa). Como ele já conhecia Bruxelas, nem se animou em ir ver o tapete de flores que é montado todos os anos na Grand Place nesta época do ano. Então ficamos em casa mesmo, conversando, e dormindo (quer progama melhor?). Dormi a inacreditável quantia de 14 horas praticamente seguidas, um recorde para mim. Estava precisando, depois de tanta festa, de tanto final de semana fora, de tanto movimento. Acordamos no domingo por volta das 9 da manhã, descansados e refeitos. B já partia de volta para Praga naquela mesma tarde, então a única coisa que ainda conseguimos fazer foi ir ao centro almoçar na região da Halle Saint Géry, uma praça repleta de bares e restaurantes e sempre bastante movimentada, sobretudo em finais de semana. O tempo naquele domingo ajudou, e conseguimos uma mesa no terraço de um agradável restaurante tailandês, onde eu já tinha ido no mês anterior com a minha irmã, na ocasião de sua visita a Bruxelas.
B volta a Praga, eu recomeço mais uma semana, e é claro que a vida apresenta a conta de mais um fim de semana de festa quando o meu corpo já vinha pedindo trégua. Piorei do resfriado e tive que dar uma maneirada na minha rotina. Eu geralmente fico trabalhando até mais tarde para compensar a minha habitual lerdeza matinal, e como frequentemente ainda vou à academia depois,chego sempre muito tarde em casa. Isso significa não somente que eu acabo indo dormir pra lá da meia noite, mas também que vez por outra me rendo ao mundo nada maravilhoso - mas prático - da comida pré cozida de supermercado, por pura preguiça de cozinhar. Como eu não engordo mesmo, posso me permitir esse hábito nada saudável. Mas reconheco que do ponto de vista nutritivo é um mini assassinato diário. Então criei vergonha na cara e resolvi dar um repouso da academia e fazer um investimento de tempo no supermercado, e comprei tudo o que precisava pra me fazer um jantar decente. Desde alguns dias que eu voltei a cozinhar.
Também voltei aos meus livros, que estavam um tanto largados ultimamente. Eu estou lendo no momento cinco livros diferentes. Essa minha mania de ver um livro na livraria, gostar, e sair comprando, mesmo quando eu ainda não terminei de ler o anterior. E também teimo em querer ler em línguas diferentes como estudo, mas como nenhuma delas é minha língua maternal, vez por outra eu acabo cansando, e aí aposento um livro-língua por uns dias, e passo para outro. No momento o livro que é a bola da vez é um que eu comprei recentemente, nem sei se já falei aqui a respeito, "La Regente Noire" e é sobre a chamada Cour des Dames, época da história da França em que o governo era na prática dominado pelas mulheres, isso lá pelos idos do século XVI. Aparentemente este livro é o primeiro de uma saga e as personagens principais são Louise de Savoie e Diane de Poitiers. Eu que sempre gostei de romances históricos estou curioso já pela continuação que deverá trazer a figura de Caterina de Médici.
Passo a semana assim, da forma mais básica possível, do trabalho pra casa e de volta para o trabalho, vou apenas duas vezes na academia e passo o resto do tempo em casa lendo e cozinhando. Chega o final de semana, e felizmente chove o sábado inteiro, o que me impede de sair de casa - eu tinha planos de ir a Fnac comprar alguns presentes - e me obriga a ficar internado no meu apartamento branco, cuidando do meu resfriado. Até que foi bom, eu pude finalmente - e realmente - descansar, pude melhorar de saúde - já estou quaaase bom - e pude não só me reencontrar com tomates, pepinos e pimentões depois de meses de microondas, mas também arrumar a casa, colocar a leitura em dia, bater papo no Facebook (no Orkut eu estou cada vez menos, a maioria dos meus amigos por aqui por perto estando mesmo no Facebook, inclusive B, que eu conheci há apenas alguns meses quando estive em Praga e que se tornou rapidamente um de meus melhores amigos) e até mesmo ver televisão - acompanhei os últimos dias das Olimpíadas, finalmente vi alguma coisa e não deixei os jogos passarem em branco na minha vida - vibrei com o vôlei feminino do Brasil, e me impressionei com a vitória do holandês van der Weijden nos 10 mil metros na natação, ele que se recuperou de uma leucemia. Impressionante. Ah, vi uns filmes em DVD também, inclusive o simpático porém neurótico 2 days in Paris. Enfim, back to basics.



1 comment:
Fico impresionado com a quantidade de idiomas que você fala sabia!
E ler essa quantidade de livros, uma cultura e um hábito saudável, sabia que me deu fome esses tomates picados nessa foto, eu adoro tomates bem vermelhos com azeite eu sinto falta, que bom que você melhorou do resfriado, se cuida viu, deixe a preguiça de lado e faça refeições mais saudáveis, essas prontas são práticas, mas nada saudável.
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