Monday, August 18, 2008

Crônicas de um verão em Ibiza - Parte 4, o alto da festa


A partir da terça feira a minha estadia em Ibiza começou a entrar em um ritmo mais normal, pois eu já tinha feito os principais passeios. Já tinha visitado as praias mais conhecidas, já tinha ido à festa que eu queria (fui convidado também para ir na Pachá no domingo a noite, mas eu solenemente desprezei a Pachá... estava cansado, tinha adorado a Matinée no dia anterior e não precisava de mais nada!), já tinha feito um passeio de barco maravilhoso, enfim... se eu tivesse tido que voltar na quarta feira, iria feliz, porque já tinha tido férias espetaculares... mas eu ainda tinha alguns dias na ilha, e faltava um programa, que eu ainda não tinha tido tempo de fazer: visitar a cidade de Eivissa, a capital de Ibiza, e subir até o topo da cidade velha, a Dalt Vila, para apreciar a vista do alto da praça da Catedral.


Este passeio eu acabei conseguindo fazer na quinta feira, pois quarta feira foi mais um dia de descanso, uma vez que na terça a noite eu acabei indo na Scandal, uma outra festa em Ibiza, mista, ocorrendo sempre às terças feiras no Clube Martina, também em Platja D´en Bossa, pertinho da Space. A Scandal é uma festa ótima, mais ou menos o mesmo estilo da Matinée, em versão menor mais nem por isso pior. A música estava ótima, o clube era muito bom, dentro de um hotel, confortável e com um ar condicionado bem possante (nem sempre é o caso!) e portanto a festa foi um sucesso, todo mundo foi... seis e meia da manhã e a pista de dança ainda estava cheia...


Pois bem, passei a quarta feira descansando na piscina do hotel, e na quinta feira, depois de um bom brunch no terraço do hotel seguido por uma boa sessão de ginástica na academia local, fui ao encontro de um casal de conhecidos, J e G, que estavam de passagem pela ilha. Combinamos de nos encontrar para um almoço no restaurante Sidney, dentro da Marina de Ibiza. Isso sem deixar de passar antes pelo espetacular apartamento de G na região da Marina, com um terraço enorme e vista para o mar, a marina e o morro que forma a cidade de Eivissa do outro lado. Tivemos uma agradável conversa durante o almoço, e de lá eu segui rumo ao centro da cidade.


Como tudo em Ibiza começa tarde, depois do almoço significa seis, sete horas da tarde. O sol se punha às nove da noite, portanto eu tinha apenas umas duas horas para conhecer as duas partes que formam o centro de Eivissa, e tirar as fotos que eu queria: a área do porto, onde está o comércio local, e a cidade murada, a Dalt Villa, no alto do morro que domina a cidade. Bom, comecei andando pelas ruas comerciais da parte baixa da cidade, onde o burburinho rola solto: milhares de lojas, bares, restaurantes, hotéis, de todos os tipos e tamanhos, vendendo de tudo o que você possa imaginar, de cartões postais a roupas de grife, de artigos de decoração indonésia à farmácias 24 horas, lojas de discos e agências de viagem. Bares, bares, bares. Restaurantes, restaurantes, restaurantes. É ali que Ibiza vibra sem parar dia e noite.


Andando por aquelas ruas movimentadas, chegamos a uma praça que dá acesso ao portão principal da cidade murada. Eu acho que já falei aqui que Ibiza é o único porto do Mediterrâneo que, juntamente com Malta, ainda possui as suas muralhas intactas, envolvendo a cidade inteira, assim como há quinhentos anos atrás. Uma rampa gigantesca une a praça ao portão, e ao atravessá-lo, chegamos em Dalt Vila, a parte mais antiga da cidade. A primeira impressão é de que estamos ainda na parte baixa, pois logo ali na entrada o movimento é o mesmo: lojas, bares, restaurantes e gente de todo tipo disputam o espaço. Mas Dalt Vila é um morro, eu quero chegar até o alto da praça da Catedral, e por isso sigo em frente, ou melhor, continuo subindo as ladeiras e escadarias que formam o traçado urbano do local.


Vou subindo, vou subindo... à medida em que vou subindo, o burburinho vai ficando pra trás... já não se vê mais lojas nem bares, apenas casarões enormes, ou minúsculos que funcionam como hotéis e pousadas. Aqui e ali ainda se vê uma loja ou outra, mais tudo é bem mais calmo. Chego à uma primeira praça na beira da muralha, debruçada sobre o mar, e aprecio não só a bela vista do local, mas também o delicioso cheiro de pinho que toma conta do ar, me fazendo de novo me me lembrar da Grécia. De lá vou seguindo pelo topo da muralha até chegar em um túnel, que passa por debaixo das fortificações, dando acesso direto à praça da catedral.


Eu consigo chegar à praça da Catedral na hora exata, pois o sol está se pondo por trás das montanhas, e eu aprecio o belo fim de tarde que se forma. Ao meu lado está a antiga mesquita mourisca agora transformada em catedral católica, e à minha frente uma bela vista de todo o centro e o porto de Eivissa, com a marina do outro lado. As luzes da cidade já estão se acendendo, e posso ver o azul brilhante da Pachá do outro lado da Marina, é dia de festa como sempre. A cidade vibra lá em baixo, mas ali, no alto do morro que é o centro histórico de Eivissa, tudo parece longe, e a paz toma conta do lugar. Alguns turistas em dúvida, afinal estamos em Agosto, mas nada comparado à massa humana que impera lá embaixo.


Eu vou apreciando o belo por do sol com que fui presenteado, e assim que o sol se põe começo meu caminho de volta, vou descendo aquelas ladeirazinhas e descobrindo as primeiras luzes que se acendem ali também, as janelinhas que vão se abrindo e as portas que vão se fechando, o cheiro de incenso que sai de uma ou outra casa, o bogainville que desce graciosamente de um muro cobrindo o portão, a igrejinha de um metro por dois e que não passa de um bequinho em uma curva de rua mas que está repleta de flores, as vistas maravilhosas que se revelam entre um degrau e outro, e o silêncio que toma conta daquele local formado de casinhas brancas e uma paz absoluta. E antes de voltar ao burburinho lá embaixo, antes de me despedir daquele silêncio tão sereno e tão aconchegante, eu me dou conta de que é ali, na paz branca e basoluta do alto de Dalt Vila, que está o melhor da festa.

1 comment:

Unknown said...

Acho que vou criar um novo mantra: Eu ainda vou levar a vida do Cacá, eu ainda vou levar a vida do cacá, eu ainda vou levar a vida do Cacá...