
Segunda feira de sol em Ibiza (como sempre!) e o programa do dia não poderia ser melhor: um passeio de barco pela ilha. Esta surpresa foi possível através da generosidade de G, francês do bem, amigo de P e C, que tem um barquinhozinho, assim simplezinho. Este barquinho fica estacionado durante a maior parte do ano na vilinha de Saint Tropez, na Côte d'Azur, e é trazido por ele todo o ano por dois meses para umas fériazinhas em Ibiza. É, quem pode pode. E quem não pode, trata de achar amigos que podem, he he he.
Pois bem, saímos do porto no princípio da tarde, e após contornar a bela marina de Eivissa, com direito a vista da cidade velha, suas casinhas brancas, suas muralhas cor de pedra, e sua catedral em estilo românico no topo (que, segundo me foi dito, fora primeiramente contruída como mesquita, no tempo em que a Espanha ainda fazia parte do Califado Árabe, e foi convertida em catedral católica com a Reconquista), tomamos o destino sul em direção às praias da cidade, aquelas que já descrevi no meu primeiro post desta série. Passamos rapidamente por Es Cavallet, e podemos observar que o movimento na ilha crescia, pois a praia estava cheia. De lá, seguimos em direção à Cala Pluma, onde o barco fez sua primeira parada.
Eu já falei também a respeito de Cala Pluma, mas se da primeira vez a visita da praia foi feita pelo lado da terra, desta vez pude apreciar toda a beleza desta pequena praia do outro lado, do lado do mar, onde a cor da água é ainda mais azul turquesa, e onde um banho de mar fica com jeito de banho de piscina tamanha a limpidez da água. É claro que não pude evitar um mergulho naquele mar tão calmo, tão azul, tão perfeito. Totalmente refrescante em um dia em que os termômetros locais marcavam 35 graus. Ficamos ali uma boa meia hora, aproveitando o pedacinho de paraíso que havíamos encontrado.
De Cala Pluma seguimos de barco em direção sul, passando por Ses Salines até chegar a uma outra praia, cujo nome agora não me lembro, uma pequena baía cercada de morros bem verdes. Apesar da localização no sul da Espanha, Ibiza é uma ilha bastante verde, em função de lençóis de água que correm por debaixo do solo e irrigam a terra. Se no centro da ilha há plantações de laranja, a costa é dominada por pinheiros de todos os tipos, que deram à ilha o seu nome inicial em tempos romanos, Pitiusa, assim como as Baleares em geral, em virtude da abundância de pinhos. Naquela baía bem verde com jeito de Costa Verde brasileira, paramos para mais um mergulho, mas ali fomos presenteados com a maldição espanhola dos últimos verões, a presença maciça de medusas, que impede o banho de mar. G, o capitão, acabou levando uma ferrada leve de medusa, o que só não estragou a viagem porque pelo jeito ele já estava acostumado. É claro também que desta vez eu não me arrisquei e fiquei quietinho no barco.
Após o mergulho entre as medusas, continuamos rumo a Es Vedra, uma ilha composta por um rochedo enorme que se eleva bem ao lado de Ibiza. Es Vedra tem a fama de ser um local mítico, em nome das inúmeras lendas em torno do lugar, envolvendo desaparecimentos de turistas e navegantes, náuseas sentidas pelos visitantes e até mesmo a presença de extra terrestres. Lendas à parte, a verdade é que o lugar é muito bonito, e a altura daquele rochedo branco como calcário que se eleva sem mais nem menos no meio do mar, realmente impressiona. Demos a volta na ilha, e paramos ao lado de um paredão de rocha para um mergulho. Eu que ficara estressado com a presença das medusas resolvi não me arriscar naquelas águas profundas, de um azul cobalto tão intenso como eu antes só vira na Grécia, e resolvi novamente ficar mesmo no barco, apreciando a beleza ímpar do lugar. Foi ali que tive a oportunidade de ver ao natural uma anêmona do mar, nadando tranquilamente perto do barco, toda amarelinha e alaranjada.
De Es Vedra começamos o caminho de volta, passando por Es Cubells, uma das partes mais chiques e caras da ilha, onde afortunados de todas origens têm suas casinhas de veraneio, entre as quais Paloma Picasso, por exemplo. Entre uma "casinha" e outra, há uma que impressiona pela beleza e pelo tamanho. Não sei quem é o dono, mas certamente é alguém que deveria se considerar um felizardo. A casa não somente é enorme, mas também belíssima, toda branca e envidraçada, e de frente para um jardim com vista para o mar. Alguém no barco falou: "ah, mas imagina se você está numa casa dessas e nota que não tem mais café, a distância que é até chegar ao supermercado", ao que eu respondi: "não seja pobre de espírito, você acha mesmo que o dono da casa vai ao supermercado? Manda buscar!" A casa branca de Ibiza deve ter café, chá e suco de laranja de sobra o ano inteiro.
Seguindo ao largo de Es Cubells chegamos à praia que seria a nossa última parada do dia: Cala Jondal, uma praia bastante bonita, cercada de lado por um rochedo que naquele final de tarde tinha uma cor bem amarelada, me fazendo lembrar um pouco às praias de Paradise e Super Paradise em Mykonos, também cercadas de paredões de rocha amarelados. A cor da água em Cala Jondal era quase tão clara e nítida quanto em Cala Pluma, mas talvez o movimento maior de pessoas e barcos fazia o lugar perder um pouco o charme natural, mas ganhando em troca um outro charme: Cala Jondal é uma praia chique, para gente bonita e de bem com a vida, e de bem com os bolsos também, porque o bar de praia local, o Blue Marlin, não só é maravilhoso, como também é caríssimo.
Resolvemos parar ali para uma pequena refeição leve, pois já eram 7 da tarde e estávamos com fome. Nadamos até a praia e após atravessar a série de parasóis brancos chegamos no bar, também de decoração toda branca, cheio de sofás e até mesmo com uma mini pista de dança, dj e tudo o mais. Branco é a minha cor preferida, e por isso só eu já teria gostado do bar de qualquer forma. Meninas lindas de camiseta branca e óculos escuros tomavam os pedidos em cada mesa. Loiras de óculos estilo JO, senhores de cachimbo e mocassim, surfistas, clubbers e gente bonita em geral podia ser vista pelo bar inteiro, enquanto descansávamos do sol em uma das mesas, sob uma árvore bem frondosa. Tomamos uma sangria, pedimos salada e eu pedi um gazpacho, que adoro, principalmente assim no verão, muito refrescante. E foi ali no Blue Marlin, ouvindo um jazz bem gostoso e apreciando a vista local, que terminamos este passeio, um passeio pelo paraíso de cores que é a costa de Ibiza.



1 comment:
E rufam os tambores da inveja!!!! No caso, minha... Bjsss
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