
Há alguns lugares de veraneio pelo mundo afora que são quase míticos, em função da glória que alcançaram com o tempo, originada pelo mix de virtudes especiais que possuem: beleza do lugar, descontração do ambiente, gente bonita, vida animada de noite e de dia. É lá que todos querem estar (ou, se não exatamente todos, porque todo mundo é diferente, pelo menos a parcela que dita a moda em cada verão), para ver e ser vistos, para curtir férias como nunca ou apenas para descansar em alto estilo. Eu já tinha tido o prazer do gostinho de um lugar assim quando estive em Mikonos, na Grécia, há oito anos atrás, e tive as até então melhores férias de minha vida. Isso sem falar no nosso querido Rio de Janeiro, que aos olhos dos estrangeiros será também sempre um destino mítico. Mas desde um tempinho já que eu eu estava querendo adicionar mais um destes lugares à minha lista, só que nunca tinha tido a oportunidade. Até que este ano resolvi priorizar o meu destino de verão, e se gastei uma fortuna ou não, a verdade é que fiz algo que sempre queria fazer: fui à Ibiza, a ilha espanhola das festas, da folia e do esquecimento.
Saí de Bruxelas em uma vazia e quente tarde de verão. Era uma quinta feira, final de julho, e o clima de férias já se fazia presente na cidade, praticamente abandonada pelos locais. O calor era implacavel há uma semana, os termômetros chegaram aos 35 graus e todo mundo que ainda estava na cidade tentava se refrescar em um dos terraços locais. Foi vestindo uma camisa branca e suando de calor que eu cheguei ao aeroporto de Zaventem a fim de tomar o meu vôo. E foi morrendo de fome que eu finalmente cheguei a Ibiza, por volta da meia noite entre quinta e sexta feira, porque como de costume o vôo da Iberia atrasou e não deu tempo de comer nada na parada em Madrid.
O plano inicial era chegar no hotel e ir direto dormir, porque afinal eu só tinha uma semana na ilha e não queria me detonar desde o princípio. Ibiza é conhecida pelas festas homéricas, incríveis, sem fim, que fizeram a fama do lugar. Mas como nada no mundo é eterno... os excessos dos últimos anos (cinco ou seis caras morrendo de overdose na pista de dança na mesma noite) fizeram com que o governo local tomasse providências e hoje em dia Ibiza está aparentemente mais calminha: as festas têm horário marcado para terminar, às seis da manhã, não existem mais after parties (a não ser festas privadas, essas rolam soltas), e as infrações podem custar um ano de licenciamento - nenhum dono de boate quer correr o risco. Ainda assim, a ilha continua bombando, na linguagem mais popular, só que em dosagens mais módicas.
Agora, uma dosagem ibicenca é uma dosagem ibicenca. Eu cheguei às 2 da manhã morrendo de fome e me contentando em que teria que passar a noite de estômago vazio, mas meus queridos amigos P e C que estavam lá e foram me receber me lembraram para o fato de que em Ibiza quando a gente quer, a festa não tem fim. Como assim, pergunto eu? Uma hora depois eu estou sentado à mesa de um bom restaurante de massas e pescados locais, bem próximo ao porto, dirigido pela simpatissísima Valentina, uma italiana que mora há anos em Ibiza e que, amiga de P e C, reabriu a cozinha do restaurante para nós. Isso mesmo. Jantei às três da manhã por oferta da casa, que nem sequer me cobrou o delicioso tagliatelli con salmone e a taça de vinho branco. Eu guardei o recibo a ZERO euros de recordação. Cortesia da casa, em nome da amizade entre V, P e C. A festa estava apenas começando.
E quem consegue ir direto pra cama quando já são três da manhã e acabamos de jantar? É claro que o jantar teria continuação. Mais um drinquinho - um chupito de hierbas con hielo, a especiaria de Ibiza, e continuamos rumo à calle de la Virgen, no centrinho da cidade de Eivissa (Eivissa é o nome que se da à parte antiga da cidade, a capital da ilha), que de virgem não tem nada pois é onde está a maior aglomeração local de bares gays, frequentados não só por gays mas por todo mundo que quer "ser" em Ibiza. Porque diga-se de passagem que em Ibiza há pouquíssimos lugares exclusivamente gays ou héteros, a ilha é mista por excelência. Todo mundo se entende, até porque todo mundo ali está apenas querendo se divertir e nada mais. E ali tomamos mais um ou dois drinques antes de chegarmos felizes ao destino da noite: a pequena boate Anfora, a mais antiga boate gay da cidade, um antrozinho que mais parece uma caverna, localizada em Dalt Villa, a parte mais antiga da cidade. Nada mais que uma casinha no alto de uma escadaria, do lado de dentro das muralhas que até hoje abraçam o centro histórico local.
Entramos no Anfora, e de repente eu estou de volta ao Clube Massivo dos anos noventa em São Paulo. Como os lugares são parecidíssimos!!! Ambos pequenos, ambos decoração retrô em vermelho e preto e piso xadrez, ambos apertados, descolados, quentes, cheios de gente de todo o tipo, homem, mulher, barbie, drags, rico, pobre, todo mundo bem vindo, alegria geral e música contagiante. Pudera, era a noite Disco Fever!!! E era quinta feira!!!! Pois olha só, o Massivo ainda existe, está lá em Ibiza, na Ânfora, e continua fazendo todo mundo feliz às quintas feiras. Só faltou mesmo a Bebete... BBT, Ibiza te espera. Eu não esperava nada daquela primeira noite em Ibiza, e me diverti alegremente, como não o fazia desde que me mudei de São Paulo.
A festa foi rolando... e antes que eu pudesse dizer "é o final da festa", acabei cruzando com um grupo de conhecidos da Alemanha, barbies de Berlin que eu conhecera de outros tempos em Colônia, que me convidaram para uma after party em sua casa, na beira da piscina, depois do Anfora. É claro que eu aceitei, porque haveria de recusar um convite para um banho de piscina regado a cava e mais vinho branco em uma villa enorme em Ibiza às 7 da manhã e acompanhada por um delicioso café da manhã algumas horas mais tarde? Festa é festa... Uma festa que começou a hora que eu pus os meus pés na ilha, e que teimava em não terminar... porque Ibiza é assim, é uma festa sem fim, que te acompanha para onde você for. Nem precisa ir aos clubes enormes e famosos como Pacha, Space e Amnésia, caríssimos a 50 euros a entrada SEM direito a consumação... o clima de festa é geral, está no sorriso aberto dos espanhóis e no espírito dos estrangeiros que vão até lá exatamente pra isso. Então a festa é em todo o lugar, é no restaurante, é no bar, é na boate, é na piscina e é na praia no dia seguinte, onde aliás eu ainda cheguei a ir na tarde que deu continuação ao banho de piscina. Sim, ainda fui à praia, já na sexta feira. Isso depois de uma passagem rápida pelo hotel para algumas horas de sono, mas não muitas, a fim de não perder a minha primeira sessão de sol regada a lounge music e público do bem em Es Cavallet, a praia gay local. Porque afinal de contas a noite do dia seguinte era a noite da Matinee na Space, a melhor festa no melhor clube. Então o bronzeado tinha que estar preparado. Dormi um pouquinho mais na praia... sem vacilar... Numa ilha assim, dormir acaba virando artigo de luxo... quem consegue dormir com um agito desses? Não é à toa que todos, absolutamente TODOS, usam óculos escuros. Não esqueça o seu!



2 comments:
Homes são de Marte, mulheres são de Vênus e quem sabe se divertir é da Espanha!Adorei o post, viajei! Bjss
E eu aqui no Brazil trabalhando , trabalhando , trabalhando , trabalhando ... precisando de umas férias destas . EM BREVE ... HAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHA !!! Mesmo assim adorei o texto . Deu até pra sentir os 35 graus . ;*
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