
Por que hoje é Sabado, quem não lembra da música do Vinicius? Quando eu era criança houve uma época em que eu ouvia essa música quase todos os sábados. Os meus pais eram separados e eu passava os finais de semana com o meu pai, ele vinha nos buscar, à mim e à minha irmã no sábado de manhã, e nos deixava de volta em casa no domingo no final da tarde. Eu às vezes não queria ir, mas a minha mãe insistia que a gente tinha que ir, até porque ela fazia dieta de frutas no final de semana e não comia nada além de frutas naqueles dois dias, o que não era bom para duas crianças em fase de crescimento, então a gente ia (hoje em dia eu desconfio que ela fazia de propósito, que era pra gente ir mesmo, pois não tinha comida em casa, e eu nem posso recriminá-la por isso, coitada, era o final de semana de "folga" dela, a minha mãe era muito jovem e muito bonita, ávida de vida). E aí geralmente nos sábados o papai sempre saía para almoçar com amigos, e invariavelmente bebia muito, ele que sempre gostou de whisky escocês, e sempre ficava meio bêbado no final, e é aí que ele botava Vinicius de Morais e Toquinho para tocar, acho que era o LP dele predileto, tinha "por que hoje é sábado" e tinha o '"Samba da 'benção" que era a música preferida do meu pai e é até hoje a música que mais me faz me lembrar dele. E aí ele ficava nostalgico e desandava a lembrar da infância dele, e a gente tinha que ouvir a mesma história de novo (como sempre foi, e como sempre será, no caso do meu pai, um eterno monólogo, um "one man show", porque meu pai não admite concorrência, a platéia tem que ser só dele), de como a infância dele tinha sido difícil e triste, e de como a Tia Dadá tinha sido ruim com ele, e de como o Tio Miguel tinha sido bom, mas o Tio Miguel que ele adorava morreu em um dia de Natal, e por isso o meu pai não gostava dos Natais... e aí ele sempre se punha a chorar, e no final ele acabava dormindo, dormindo como uma criança, e ele dormia até o sábado à noite.
Todo mundo sabe que para qualquer um que trabalha em tempo integral, de segunda à sexta das 9 às 6, o melhor dia da semana é sábado. Quer coisa melhor que acordar no sábado de manhã e se dar conta que tem dois dias inteiros pela frente, só seus? Sem horário para levantar, sem relatório para preparar, sem reunião de unidade, sem ter que comer a comida repetitiva da cantina, sem ter que ir malhar, sem ter que fazer nada, se não quiser, ou passar o dia inteiro fazendo apenas as coisas que realmente quer fazer e não as que precisa. Para isso servem o sábado e o domingo. Bom, mais ou menos porque, de novo, todo mundo que trabalha em tempo integral de segunda à sexta das 9 às 6 sabe também que só tem o fim de semana para fazer toda a administração pessoal, as compras da semana, a limpeza da casa, o pagamento das contas, a lavanderia, e todas as outras tarefas pessoais que passam bem longe do quesito "diversão". É, paraíso na Terra não existe mesmo, e por conta disso o final de semana sempre vem carregado de uma parcelazinha de obrigações, só para a gente não perder a rotina.
Mas tudo bem, é assim mesmo, faz parte. Eu sou da teoria que a gente tinha que trabalhar na verdade apenas 32 horas por semana, de forma a ter três dias de folga por semana e não apenas dois. Porque o problema é que os dois dias de folga sempre têm que ser divididos entre três grupos de atividades principais: a administração pessoal, a diversão e o descanso. Então o ideal seria termos um dia para cada uma destas atividades: na sexta feira faríamos o supermercado e limparíamos a casa, no sábado passearíamos e saíriamos para jantar, no domingo ficaríamos em casa tomando café e lendo o jornal. Mas infelizmente a vida não é assim, ou pelo menos a minha. Tenho como a maioria dos mortais apenas dois dias para dar conta disso tudo, e no meu caso já me dei conta que a minha solução para essa equação é bem simples: todo final de semana eu escolho qual é a atividade que vai ficar de fora. Se eu tiro um dia para correr atrás de tudo o que estou precisando sobra pouco tempo pra diversão, se eu insisto em sair à noite depois de um dia cheio, no outro dia estou estourado, e se eu quero realmente apenas aproveitar o final de semana tenho que me conformar que a casa não vai ficar lá nenhuma pérola de organização durante o período em questão. É, a vida é feita de escolhas, e nem o sábado escapa.
Quando eu era mais novinho a opção predileta era a diversão, como era de se esperar. Hoje em dia aos 37 me lembro com saudade da energia que eu tinha aos 27, quando podia sair à noite por até três noites seguintes e ainda estar inteiro na segunda de manhã. Ou ainda pior, eu podia sair durante a semana sem correr o risco de dormir no escritório na tarde seguinte. Sábado à noite, eu nunca ficava em casa, imagina! Seja para ir em uma das enormes circuit parties que aconetecem mensalmente ou apenas na boate da esquina, eu de qualquer forma sempre fazia algo, até porque sempre podia rolar algo, e quando a gente é novo, não se desperdiça testosterona em abundância. Hoje em dia, várias milhas rodadas depois, se eu saio um sábado à noite e volto pra casa no domingo de manhã, é mais provável que eu passe a semana inteira me recuperando do evento. Então é algo que já quase não faço, ou para não dizer nunca, evito o quanto posso, pois já não acho que valha tanto a pena. Antigamente eu ficava com a impressão de que estava perdendo algo muito importante se não fosse a 'aquela' festa, A festa. Na minha adolescência tardia dos vinte e tantos anos, eu tinha que ir! Hoje em dia eu acho que eu não tenho é nada, e eu vou perder algo muito importante sim, mas o meu sono precioso e nada além, se ficar na rua até a aurora. É, eu realmente estou envelhecendo e essa é uma das melhores maneiras de se dar conta disso, quando a gente começa a preferir passar o sábado à noite dentro de casa vendo televisão, a ir a uma festa da qual não se está seguro sobre a qualidade da mesma. A uma noite mal passada com estranhos, eu já prefiro uma noite bem passada comigo mesmo. Melhor que não role nada mesmo...
E os meu sábados, como eu os passo? Geralmente eu tento fazer uma combinação entre um pouco de administração pessoal e um pouco de diversão, para não sentir culpado de que nào fiz nada do que devia, nem frustrado por não fazer nada do que queria. Mas também começo a dispensar um tempo cada vez maior ao descanso puro e simples. Mais e mais, um dia só, o domingo, o dia da preguiça por excelência, não basta. Eu preciso também do sábado de manhã para descansar. Adoro poder acordar no sábado um pouquinho mais tarde (às vezes me obrigo à ir dormir na sexta feira à noite cedo só para garantir de vou acordar cedo no sábado), e depois preguisoçamente ir atrás do meu jornal e dos meus croissants que eu tanto gosto de apreciar no final de semana. Passo a manhã inteira de sábado dentro de casa, tomando o meu café, me inteirando do mundo ao ler o jornal, descansando ao som dos meus cds prediletos (Bill Evans rules on a Saturday morning) e fazendo nada, e me sentindo assim a pessoa mais feliz do mundo.
É no sábado à tarde que eu começo a me mover um pouco, primeiro porque começo a ter fome e ai tenho que tomar a primeira decisão importante do dia: como fora ou como em casa? Isso muda bastante o final de semana, porque se eu dedidir comer dentro de casa, isso quase sempre acaba significando que eu termino a passar o final de semana inteiro dentro de casa e que portanto a arrumação do apartamento está garantida, porque eu um dado momento, nem que seja por tédio ou falta do que fazer, eu acabo mesmo botando a mão na massa e deixando a Maria doméstica baixar em mim e cuidar da minha casa. Limpo, lavo, passo. E quem me conhece sabe que eu ODEIO passar roupa e que portanto isso é para mim uma tortura que eu reservo apenas àqueles dias em que eu realmente não consigo arranjar mais nada para fazer, ou quando já não há mesmo mais nenhuma camisa limpa e passada no meu guarda-roupa. Mas enfim, o que há de ser feito, há de ser feito, então o que se há de fazer? Devo confessar, é nessas horas que me dá saudade do Brasile das mordomias que lá existem... para falar algo politicamente bastante incorreto, mas absolutamente verdadeiro: é algumas vezes tão bom viver em um país cheio de inegalidades, quando as inegalidades estão ao nosso favor... mea culpa, mas pelo menos sou honesto.
Agora, se eu decido comer fora, aí o dia inteiro ganha outros ares. Porque comer fora também significar ir até o centro, já que aqui perto de onde eu moro não há restaurantes bons e baratos abertos para o almoço (ao menos que eu quisesse me aventurar em algumas quitandinhas de esquina, mas até hoje ainda não tive a coragem, sou chato para essas coisas, quando eu estou pagando, quero uma mesa limpa e um cardáio decente, é o mínimo - eu NÃO como em qualquer lugar). E se eu vou até o centro isso também acaba sempre significando que vou me encontrar com alguém para almoço. E é quase sempre o querido M, que me dou conta, é cada vez mais, bem ou mal, a pessoa mais importante na minha vida, porque é a única, que bem ou mal, está sempre ao meu lado, está sempre por perto, está sempre disposto. E aí o dia ganha ares de festa, porque quem conhece M sabe que junto à ele, é sempre uma eterna festa. Ou pode significar também que vou acabar fazendo compras, ou que vou terminar a tarde na sala de algum cinema (ok, outro aparte, para mim o dia de cinema primordial é o domingo, adoro ir ao cinema no domingo à tarde, mas às vezes rola no sábado também).
Pois bem, nesse sábado que acabou de passar eu tirei a tarde para fazer compras, uma tarefa que para mim nào é das mais agradáveis não somente porque "multidão de loja no sábado" é uma das coisas no mundo que me dá aquela agonia do tipo "me tira daqui agora por favor?" e eu nunca consigo passar muito tempo em uma loja que esteja muito cheia, muito barulhenta ou muito bagunçada. Eu entro de bem com a vida e cinco minutos depois eu saio de mal com o mundo. Como no sábado a maioria das lojas é assim mesmo, o que era para ser um passeio acaba ganhando contornos de tortura, masoquismos freudianos à parte. Ainda mais porque, e aí vem o segundo motivo pelo qual eu nÀo gosto de fazer compras, eu sou chato não só para comer, mas também para comprar. Raramente gosto de algo que me dê vontade de comprar, quando dá a vontade raramente acho o tamanho e cor que quero e aí fico com raiva, e ainda quando levo algo para casa, raramente não me arredendo da compra um ou dois dias depois. É quase sempre assim. Eu gosto de cores básicas e formas simples, mas simplicidade é algo cada vez mais difiícil de achar na moda de hoje, em que as pessoas parecem estar apenas preocupadas em aparecer da forma mais veemente e rápida possível, ou pelas marcas, ou pelos modelos - já repararam o quanto é difícil hoje em dia achar um jeans assim bem básico, escuro, sem bordados, sem cortes diferentes, sem letras estampadas aqui em ali, sem logos enormes, sem zíperes em 30 bolsos espalhados pela bunda, sem nódoas em lugares estratégicos? Não tem aí um jeanszinho assim azul índigo, básico, discreto, tipo 5 bolsos, um corte legal, e tamanho 32/34? Não, não tem.
Pois é, almocei com M em um restaurante asiático como de costume, depois fomos ao centro comercial na Rue Neuve porque eu queria fazer umas compras. Primeiro paramos na Berschka porque ele gosta dali e queria comprar algo também. Eu não fiquei ali muito tempo, detesto a Berschka pelos motivos que já falei. Lotada, barulhenta, tudo estampadão, hip hop, enfim, só o que eu não gosto. Como costuma dizer a A., o meu lado anti social grita nessas ocasiões. Saí de fininho e fiquei esperando do outro lado da rua. Daí seguimos rumo às lojas menores da Rue du Lombard, para mim mais suportáveis. No final comprei umas camisetas, das quais tenho certeza de que vou me arrepender amanhã, comprei uns suéteres que eu só sei que não vou me arrepender porque eu estava mesmo precisando e já vinha amadurecendo a compra na minha cabeça há meses. Mas nào consegui encontrar nenhum jeans do qual eu gostasse, e olha que eu realmente estou precisando de um jeans novo. Não rolou desta vez. Fui procurar os jeans que eu conhecia mas só achei em um corte modernoso, segundo M a última moda em Milão, que deixa as pernas finas como dois vara paus, e decidi que realmente eu não sou um fashion victim, graças a Deus, não sou milanês e não preciso passar por isso. Daí pensei em ir à academia, mas deu preguiça. Pensei em ir ao cinema, ver "Entre les Murs", o último ganhador da Palma de Ouro (Vicky Cristina Barcelona eu já vi, na semana retrasada, adorei), mas deu preguiça. Pensei em ir fazer um solário, deu preguiça. O dia foi passando, e a preguiça foi aumentando... as lojas foram fechando e eu fui desistindo do jeans que eu queria comprar... Pensei em ficar no centro e fazer algo à noite, mas deu preguiça. A noite caiu, voltei pra casa. Lar Doce Lar. Peguei dois filmes no vídeo, e passei a minha Saturday Night Fever em casa mesmo, que o John Travolta que um dia existiu dentro de mim já se aposentou faz tempo... e agora já está tarde e eu vou dormir, que amanhã já é domingo, e domingo meus caros. é um outro dia, é uma outra história. Fui!
Todo mundo sabe que para qualquer um que trabalha em tempo integral, de segunda à sexta das 9 às 6, o melhor dia da semana é sábado. Quer coisa melhor que acordar no sábado de manhã e se dar conta que tem dois dias inteiros pela frente, só seus? Sem horário para levantar, sem relatório para preparar, sem reunião de unidade, sem ter que comer a comida repetitiva da cantina, sem ter que ir malhar, sem ter que fazer nada, se não quiser, ou passar o dia inteiro fazendo apenas as coisas que realmente quer fazer e não as que precisa. Para isso servem o sábado e o domingo. Bom, mais ou menos porque, de novo, todo mundo que trabalha em tempo integral de segunda à sexta das 9 às 6 sabe também que só tem o fim de semana para fazer toda a administração pessoal, as compras da semana, a limpeza da casa, o pagamento das contas, a lavanderia, e todas as outras tarefas pessoais que passam bem longe do quesito "diversão". É, paraíso na Terra não existe mesmo, e por conta disso o final de semana sempre vem carregado de uma parcelazinha de obrigações, só para a gente não perder a rotina.
Mas tudo bem, é assim mesmo, faz parte. Eu sou da teoria que a gente tinha que trabalhar na verdade apenas 32 horas por semana, de forma a ter três dias de folga por semana e não apenas dois. Porque o problema é que os dois dias de folga sempre têm que ser divididos entre três grupos de atividades principais: a administração pessoal, a diversão e o descanso. Então o ideal seria termos um dia para cada uma destas atividades: na sexta feira faríamos o supermercado e limparíamos a casa, no sábado passearíamos e saíriamos para jantar, no domingo ficaríamos em casa tomando café e lendo o jornal. Mas infelizmente a vida não é assim, ou pelo menos a minha. Tenho como a maioria dos mortais apenas dois dias para dar conta disso tudo, e no meu caso já me dei conta que a minha solução para essa equação é bem simples: todo final de semana eu escolho qual é a atividade que vai ficar de fora. Se eu tiro um dia para correr atrás de tudo o que estou precisando sobra pouco tempo pra diversão, se eu insisto em sair à noite depois de um dia cheio, no outro dia estou estourado, e se eu quero realmente apenas aproveitar o final de semana tenho que me conformar que a casa não vai ficar lá nenhuma pérola de organização durante o período em questão. É, a vida é feita de escolhas, e nem o sábado escapa.
Quando eu era mais novinho a opção predileta era a diversão, como era de se esperar. Hoje em dia aos 37 me lembro com saudade da energia que eu tinha aos 27, quando podia sair à noite por até três noites seguintes e ainda estar inteiro na segunda de manhã. Ou ainda pior, eu podia sair durante a semana sem correr o risco de dormir no escritório na tarde seguinte. Sábado à noite, eu nunca ficava em casa, imagina! Seja para ir em uma das enormes circuit parties que aconetecem mensalmente ou apenas na boate da esquina, eu de qualquer forma sempre fazia algo, até porque sempre podia rolar algo, e quando a gente é novo, não se desperdiça testosterona em abundância. Hoje em dia, várias milhas rodadas depois, se eu saio um sábado à noite e volto pra casa no domingo de manhã, é mais provável que eu passe a semana inteira me recuperando do evento. Então é algo que já quase não faço, ou para não dizer nunca, evito o quanto posso, pois já não acho que valha tanto a pena. Antigamente eu ficava com a impressão de que estava perdendo algo muito importante se não fosse a 'aquela' festa, A festa. Na minha adolescência tardia dos vinte e tantos anos, eu tinha que ir! Hoje em dia eu acho que eu não tenho é nada, e eu vou perder algo muito importante sim, mas o meu sono precioso e nada além, se ficar na rua até a aurora. É, eu realmente estou envelhecendo e essa é uma das melhores maneiras de se dar conta disso, quando a gente começa a preferir passar o sábado à noite dentro de casa vendo televisão, a ir a uma festa da qual não se está seguro sobre a qualidade da mesma. A uma noite mal passada com estranhos, eu já prefiro uma noite bem passada comigo mesmo. Melhor que não role nada mesmo...
E os meu sábados, como eu os passo? Geralmente eu tento fazer uma combinação entre um pouco de administração pessoal e um pouco de diversão, para não sentir culpado de que nào fiz nada do que devia, nem frustrado por não fazer nada do que queria. Mas também começo a dispensar um tempo cada vez maior ao descanso puro e simples. Mais e mais, um dia só, o domingo, o dia da preguiça por excelência, não basta. Eu preciso também do sábado de manhã para descansar. Adoro poder acordar no sábado um pouquinho mais tarde (às vezes me obrigo à ir dormir na sexta feira à noite cedo só para garantir de vou acordar cedo no sábado), e depois preguisoçamente ir atrás do meu jornal e dos meus croissants que eu tanto gosto de apreciar no final de semana. Passo a manhã inteira de sábado dentro de casa, tomando o meu café, me inteirando do mundo ao ler o jornal, descansando ao som dos meus cds prediletos (Bill Evans rules on a Saturday morning) e fazendo nada, e me sentindo assim a pessoa mais feliz do mundo.
É no sábado à tarde que eu começo a me mover um pouco, primeiro porque começo a ter fome e ai tenho que tomar a primeira decisão importante do dia: como fora ou como em casa? Isso muda bastante o final de semana, porque se eu dedidir comer dentro de casa, isso quase sempre acaba significando que eu termino a passar o final de semana inteiro dentro de casa e que portanto a arrumação do apartamento está garantida, porque eu um dado momento, nem que seja por tédio ou falta do que fazer, eu acabo mesmo botando a mão na massa e deixando a Maria doméstica baixar em mim e cuidar da minha casa. Limpo, lavo, passo. E quem me conhece sabe que eu ODEIO passar roupa e que portanto isso é para mim uma tortura que eu reservo apenas àqueles dias em que eu realmente não consigo arranjar mais nada para fazer, ou quando já não há mesmo mais nenhuma camisa limpa e passada no meu guarda-roupa. Mas enfim, o que há de ser feito, há de ser feito, então o que se há de fazer? Devo confessar, é nessas horas que me dá saudade do Brasile das mordomias que lá existem... para falar algo politicamente bastante incorreto, mas absolutamente verdadeiro: é algumas vezes tão bom viver em um país cheio de inegalidades, quando as inegalidades estão ao nosso favor... mea culpa, mas pelo menos sou honesto.
Agora, se eu decido comer fora, aí o dia inteiro ganha outros ares. Porque comer fora também significar ir até o centro, já que aqui perto de onde eu moro não há restaurantes bons e baratos abertos para o almoço (ao menos que eu quisesse me aventurar em algumas quitandinhas de esquina, mas até hoje ainda não tive a coragem, sou chato para essas coisas, quando eu estou pagando, quero uma mesa limpa e um cardáio decente, é o mínimo - eu NÃO como em qualquer lugar). E se eu vou até o centro isso também acaba sempre significando que vou me encontrar com alguém para almoço. E é quase sempre o querido M, que me dou conta, é cada vez mais, bem ou mal, a pessoa mais importante na minha vida, porque é a única, que bem ou mal, está sempre ao meu lado, está sempre por perto, está sempre disposto. E aí o dia ganha ares de festa, porque quem conhece M sabe que junto à ele, é sempre uma eterna festa. Ou pode significar também que vou acabar fazendo compras, ou que vou terminar a tarde na sala de algum cinema (ok, outro aparte, para mim o dia de cinema primordial é o domingo, adoro ir ao cinema no domingo à tarde, mas às vezes rola no sábado também).
Pois bem, nesse sábado que acabou de passar eu tirei a tarde para fazer compras, uma tarefa que para mim nào é das mais agradáveis não somente porque "multidão de loja no sábado" é uma das coisas no mundo que me dá aquela agonia do tipo "me tira daqui agora por favor?" e eu nunca consigo passar muito tempo em uma loja que esteja muito cheia, muito barulhenta ou muito bagunçada. Eu entro de bem com a vida e cinco minutos depois eu saio de mal com o mundo. Como no sábado a maioria das lojas é assim mesmo, o que era para ser um passeio acaba ganhando contornos de tortura, masoquismos freudianos à parte. Ainda mais porque, e aí vem o segundo motivo pelo qual eu nÀo gosto de fazer compras, eu sou chato não só para comer, mas também para comprar. Raramente gosto de algo que me dê vontade de comprar, quando dá a vontade raramente acho o tamanho e cor que quero e aí fico com raiva, e ainda quando levo algo para casa, raramente não me arredendo da compra um ou dois dias depois. É quase sempre assim. Eu gosto de cores básicas e formas simples, mas simplicidade é algo cada vez mais difiícil de achar na moda de hoje, em que as pessoas parecem estar apenas preocupadas em aparecer da forma mais veemente e rápida possível, ou pelas marcas, ou pelos modelos - já repararam o quanto é difícil hoje em dia achar um jeans assim bem básico, escuro, sem bordados, sem cortes diferentes, sem letras estampadas aqui em ali, sem logos enormes, sem zíperes em 30 bolsos espalhados pela bunda, sem nódoas em lugares estratégicos? Não tem aí um jeanszinho assim azul índigo, básico, discreto, tipo 5 bolsos, um corte legal, e tamanho 32/34? Não, não tem.
Pois é, almocei com M em um restaurante asiático como de costume, depois fomos ao centro comercial na Rue Neuve porque eu queria fazer umas compras. Primeiro paramos na Berschka porque ele gosta dali e queria comprar algo também. Eu não fiquei ali muito tempo, detesto a Berschka pelos motivos que já falei. Lotada, barulhenta, tudo estampadão, hip hop, enfim, só o que eu não gosto. Como costuma dizer a A., o meu lado anti social grita nessas ocasiões. Saí de fininho e fiquei esperando do outro lado da rua. Daí seguimos rumo às lojas menores da Rue du Lombard, para mim mais suportáveis. No final comprei umas camisetas, das quais tenho certeza de que vou me arrepender amanhã, comprei uns suéteres que eu só sei que não vou me arrepender porque eu estava mesmo precisando e já vinha amadurecendo a compra na minha cabeça há meses. Mas nào consegui encontrar nenhum jeans do qual eu gostasse, e olha que eu realmente estou precisando de um jeans novo. Não rolou desta vez. Fui procurar os jeans que eu conhecia mas só achei em um corte modernoso, segundo M a última moda em Milão, que deixa as pernas finas como dois vara paus, e decidi que realmente eu não sou um fashion victim, graças a Deus, não sou milanês e não preciso passar por isso. Daí pensei em ir à academia, mas deu preguiça. Pensei em ir ao cinema, ver "Entre les Murs", o último ganhador da Palma de Ouro (Vicky Cristina Barcelona eu já vi, na semana retrasada, adorei), mas deu preguiça. Pensei em ir fazer um solário, deu preguiça. O dia foi passando, e a preguiça foi aumentando... as lojas foram fechando e eu fui desistindo do jeans que eu queria comprar... Pensei em ficar no centro e fazer algo à noite, mas deu preguiça. A noite caiu, voltei pra casa. Lar Doce Lar. Peguei dois filmes no vídeo, e passei a minha Saturday Night Fever em casa mesmo, que o John Travolta que um dia existiu dentro de mim já se aposentou faz tempo... e agora já está tarde e eu vou dormir, que amanhã já é domingo, e domingo meus caros. é um outro dia, é uma outra história. Fui!



1 comment:
Hoje em dia, várias milhas rodadas depois, se eu saio um sábado à noite e volto pra casa no domingo de manhã, é mais provável que eu passe a semana inteira me recuperando do evento.
Ahahah, estamos mesmo ficando velhos rapaz! E eu ainda 5 anos mais do que você, cruz credo. Verdade é que com o passar dos anos, as prioridades mudam radicamente (ainda mais depois dos filhos). E não chega a ser ruim, acho que é um processo natural mesmo. ;-)
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