
E eis que lá se vai mais um verão, este que foi pelo menos pra mim o verão mais aguado da história – em sete anos de Europa eu não tinha passado por um verão tão chuvoso quanto este de 2007 que está chegando ao fim. Fez tempo bom na privamera, entre o início de Abril e meados de Maio, mas em Junho o tempo começou a piorar, e fora um ou outro final de semana de sol (pelo menos isso, os poucos dias de sol e calor caíram em fins de semana ) foi só chuva, chuva, e mais chuva. Eu que achava que Amsterdam era imbatível no quesito água, tenho que dizer que Bruxelas é uma concorrente de peso. Mas tudo bem, eu nasci em Belém do Pará, e lá de onde eu vim a gente diz que só há duas estações do ano, a estação em que chove todo dia e a estação em que chove o dia todo. Então chuva pra mim nunca foi inimigo, estou acostumado a pegar uma aguinha na cabeça desde os tempos de escola. A gente coloca uma capa, calça uns sapatos mais fechados, pega um guarda-chuva básico e fica tudo bem. Sol e calor pra mim é bom na praia, mas na cidade tendo que ir e vir de e para o trabalho de metrô e ônibus, 15 graus e tempo nublado está ótimo, ainda que seja verão.
Este foi o verão que não houve, foi o não verão. O verão dos 100 dias sem governo da Bélgica, o verão do não governo. Sim, a Bélgica continua mergulhada em uma crise política, já são mais de 100 dias sem um governo formado e ainda sem perspectiva de uma mudança. Já houve até quem colocasse o país à venda no E-bay. Isto mesmo, algum cidadão belga metido a engraçadinho resolveu colocar o país a venda na Internet, e ainda ofereceu a possibilidade de dividir o produto em três partes – Flandres, Walonia e Bruxelas. O leilão cibernético já tinha chegado na casa dos 10 milhões de euros quando o E-bay se deu conta e resolveu tirar a proposta do ar.
Foi o verão das não férias e do não descanso. O verão do trabalho. Aqui na agência onde eu trabalho todo mundo tirou férias entre Julho e Agosto e se mandou para os cantos mais ensolarados deste velho continente – Espanha, Portugal, Grécia, Itália, onde o verão mandou ver como sempre. Mas eu fiquei trabalhando, e em um dado momento estava acumulando o trabalho de três ou quatro pessoas. Acho que nunca trabalhei tanto em um mês de Agosto como agora. Na época em que eu trabalhava em Leiden, Agosto sempre era o mês mais fraco e a gente ficava meio sem ter o que fazer. Na fundação em Amsterdam era mais agitado, afinal de contas a gente fazia negócios com a África e portanto as estações do ano não contavam muito. Mas aqui, com ou sem verão, com ou sem sol, com ou sem calor, neguinho não se esquece que pode descolar uma subvenção legal da União Européia pra fazer a sua reunião anual, então manda pedido de patrocínio a ser tratado pela agência, e quem manda o Antonio resolver que vai ficar trabalhando em Agosto? Manda pro Antonio que o Antonio resolve.
Este foi o verão das divas mortas relembradas. Alguém percebeu que foi um festival de aniversários de falecimento? 10 anos sem Diana, 25 anos sem Grace Kelly, 30 anos sem Maria Callas… quase que uma depois da outra. E haja evento comemorativo na televisão. A princesa que virou plebéia, a plebéia que virou princesa e a diva trágica que deixou de ser plebéia mas nunca chegou a ser princesa, trocada pela princesa que nunca chegou a ser plebéia (Jackie). Olha, pelo visto de todas estas a única que pode-se dizer que teve uma vida mais ou menos feliz foi mesmo Grace Kelly. Pobre Diana, perdida no circo que armara para si mesma, e pobre Maria, perdida no circo que armaram com ela. Que descansem em paz estas belas mulheres, mortais imortais, que um dia encantaram a todos nós.
Este foi o verão das crianças, ou o não verão das crianças, este foi o inverno das crianças. O verão em que Maddie, inglesa, 4 anos, desapareceu do hotel em que se encontrava com os pais em Portugal e nunca mais foi vista, dando início ao caso de "sequestro ou morte" mais mediatizado dos últimos tempos, e como numa frenética novela das 8 da Globo estamos agora todos à espera do próximo capítulo, ou melhor, desenlace, tentando descobrir se os McCann estão ou não envolvidos no desaparecimento da própria filha. Mas foi também o verão de Angélica, menina equatoriana de 11 anos presa na Bélgica – isso mesmo, PRESA, atrás das grades, no xilindró (fui claro?) - por ter cometido o terrível crime imperdoável de ser filha de imigrantes clandestinos, gerando clamor nacional aqui e acolá, e nos fazendo lembrar que infelizmente ainda vivemos em um mundo em que o lugar onde se nasce conta mais do que a pessoa que a gente é. E o que falar das crianças de Darfour ou de Bagdá? Será que há crianças por lá?
Este foi também o verão dos antigos novos relacionamentos e dos novos relacionamentos antigos. O verão em que se descobriu que na França o casamento oficial entre homossexuais era uma prática legalmente reconhecida e difundida pela sociedade na Idade Média, em que pessoas do mesmo sexo assinavam contratos parecidos às uniões civis do nosso mundo "moderno". E o verão em que uma política do partido cristão democrata da Baviera (leia-se = conservadoríssimo) propôs uma lei criando o casamento por temo limitado. Prazo de 7 anos de validade. Isso mesmo, casa-se já sabendo que a validade do contrato é de 7 anos, e depois deste prazo o contrato está naturalmente desfeito, ou tem que ser renovado pelas partes. Assim modela-se a instituição do casamento à realidade dos casais de hoje em dia, e de quebra economiza-se nos custos de divórcio. Moderno, não? Agora vai ficar mais fácil de decidir entre casar ou comprar uma bicicleta – é só esperar 7 anos, que a bicicleta estará liberada.
Este foi o verão do imprevisível. O verão das mudanças climáticas que nos alertaram mais uma vez para a fragilidade da Terra e a brutalidade do Homem. O verão em que o Pólo Norte derreteu, e também o verão em que nevou no Inverno de Buenos Aires. Foi o verão implacável do mediterrâneo e sul da Europa, em que o fogo ardeu em Atenas, e em que o calor matou em Bucareste. E foi o verão da chuva aqui no norte europeu, da água que caiu mais do que nunca sobre as ilhas britânicas e sobre as ruas de Bruxelas, nos fazendo pensar que já estávamos no Outono, embora a Primavera já tivesse ido embora. Este foi o Verão Viúva Porcina, aquele que foi sem nunca ter sido. Eta verãozinho danado. E ironia máxima, agora que o verão finalmente foi embora, está fazendo um tempo maravilhoso por aqui. O Outono promete.
Este foi o verão que não houve, foi o não verão. O verão dos 100 dias sem governo da Bélgica, o verão do não governo. Sim, a Bélgica continua mergulhada em uma crise política, já são mais de 100 dias sem um governo formado e ainda sem perspectiva de uma mudança. Já houve até quem colocasse o país à venda no E-bay. Isto mesmo, algum cidadão belga metido a engraçadinho resolveu colocar o país a venda na Internet, e ainda ofereceu a possibilidade de dividir o produto em três partes – Flandres, Walonia e Bruxelas. O leilão cibernético já tinha chegado na casa dos 10 milhões de euros quando o E-bay se deu conta e resolveu tirar a proposta do ar.
Foi o verão das não férias e do não descanso. O verão do trabalho. Aqui na agência onde eu trabalho todo mundo tirou férias entre Julho e Agosto e se mandou para os cantos mais ensolarados deste velho continente – Espanha, Portugal, Grécia, Itália, onde o verão mandou ver como sempre. Mas eu fiquei trabalhando, e em um dado momento estava acumulando o trabalho de três ou quatro pessoas. Acho que nunca trabalhei tanto em um mês de Agosto como agora. Na época em que eu trabalhava em Leiden, Agosto sempre era o mês mais fraco e a gente ficava meio sem ter o que fazer. Na fundação em Amsterdam era mais agitado, afinal de contas a gente fazia negócios com a África e portanto as estações do ano não contavam muito. Mas aqui, com ou sem verão, com ou sem sol, com ou sem calor, neguinho não se esquece que pode descolar uma subvenção legal da União Européia pra fazer a sua reunião anual, então manda pedido de patrocínio a ser tratado pela agência, e quem manda o Antonio resolver que vai ficar trabalhando em Agosto? Manda pro Antonio que o Antonio resolve.
Este foi o verão das divas mortas relembradas. Alguém percebeu que foi um festival de aniversários de falecimento? 10 anos sem Diana, 25 anos sem Grace Kelly, 30 anos sem Maria Callas… quase que uma depois da outra. E haja evento comemorativo na televisão. A princesa que virou plebéia, a plebéia que virou princesa e a diva trágica que deixou de ser plebéia mas nunca chegou a ser princesa, trocada pela princesa que nunca chegou a ser plebéia (Jackie). Olha, pelo visto de todas estas a única que pode-se dizer que teve uma vida mais ou menos feliz foi mesmo Grace Kelly. Pobre Diana, perdida no circo que armara para si mesma, e pobre Maria, perdida no circo que armaram com ela. Que descansem em paz estas belas mulheres, mortais imortais, que um dia encantaram a todos nós.
Este foi o verão das crianças, ou o não verão das crianças, este foi o inverno das crianças. O verão em que Maddie, inglesa, 4 anos, desapareceu do hotel em que se encontrava com os pais em Portugal e nunca mais foi vista, dando início ao caso de "sequestro ou morte" mais mediatizado dos últimos tempos, e como numa frenética novela das 8 da Globo estamos agora todos à espera do próximo capítulo, ou melhor, desenlace, tentando descobrir se os McCann estão ou não envolvidos no desaparecimento da própria filha. Mas foi também o verão de Angélica, menina equatoriana de 11 anos presa na Bélgica – isso mesmo, PRESA, atrás das grades, no xilindró (fui claro?) - por ter cometido o terrível crime imperdoável de ser filha de imigrantes clandestinos, gerando clamor nacional aqui e acolá, e nos fazendo lembrar que infelizmente ainda vivemos em um mundo em que o lugar onde se nasce conta mais do que a pessoa que a gente é. E o que falar das crianças de Darfour ou de Bagdá? Será que há crianças por lá?
Este foi também o verão dos antigos novos relacionamentos e dos novos relacionamentos antigos. O verão em que se descobriu que na França o casamento oficial entre homossexuais era uma prática legalmente reconhecida e difundida pela sociedade na Idade Média, em que pessoas do mesmo sexo assinavam contratos parecidos às uniões civis do nosso mundo "moderno". E o verão em que uma política do partido cristão democrata da Baviera (leia-se = conservadoríssimo) propôs uma lei criando o casamento por temo limitado. Prazo de 7 anos de validade. Isso mesmo, casa-se já sabendo que a validade do contrato é de 7 anos, e depois deste prazo o contrato está naturalmente desfeito, ou tem que ser renovado pelas partes. Assim modela-se a instituição do casamento à realidade dos casais de hoje em dia, e de quebra economiza-se nos custos de divórcio. Moderno, não? Agora vai ficar mais fácil de decidir entre casar ou comprar uma bicicleta – é só esperar 7 anos, que a bicicleta estará liberada.
Este foi o verão do imprevisível. O verão das mudanças climáticas que nos alertaram mais uma vez para a fragilidade da Terra e a brutalidade do Homem. O verão em que o Pólo Norte derreteu, e também o verão em que nevou no Inverno de Buenos Aires. Foi o verão implacável do mediterrâneo e sul da Europa, em que o fogo ardeu em Atenas, e em que o calor matou em Bucareste. E foi o verão da chuva aqui no norte europeu, da água que caiu mais do que nunca sobre as ilhas britânicas e sobre as ruas de Bruxelas, nos fazendo pensar que já estávamos no Outono, embora a Primavera já tivesse ido embora. Este foi o Verão Viúva Porcina, aquele que foi sem nunca ter sido. Eta verãozinho danado. E ironia máxima, agora que o verão finalmente foi embora, está fazendo um tempo maravilhoso por aqui. O Outono promete.



3 comments:
Nem Grace, Cacá, nem Grace. Dizem as más linguas que ela frequentava boates como Studio 54 sem o marido príncipe e que com poucos anos de principado já se sentia entediada , tendo tido inclusive alguns casos, todos abafados pelo marido, este sim, apaixonado que a tudo consentia e calava. Não sei se essa estória é verdadeira, mas é o que dizem as tais biografias não autorizadas que circulam por aí...
só tenho um comentário a fazer: verão, que verão?!!
Amigos meus estão embarcando praí nesse sábado... Que vontade de ir na mala!
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