
Há filmes que quando entram em cartaz a gente já sabe que vai gostar, e procura ver imediatamente. Ou porque já conhece os trabalhos do diretor, ou porque ouviu falar bem e gostou do que ouviu, ou porque conhece os atores… vários são os motivos, mas a gente vai ao cinema certo de uma boa diversão, no mínimo. Assim foi este final de semana. No caso, o filme "L´Age de Tenèbres", do diretor canadense Denys Arcand, que acabou de estrear aqui em Bruxelas, e que eu tratei de ir assistir imediatamente, levando em conta que atualmente os melhores filmes são geralmente os que passam o menor tempo em cartaz. Quem assistiu às duas primeiras partes da trilogia do diretor, "O Declínio do Império Americano", dos anos 80, e "As Invasões Bárbaras", de alguns anos atrás, sabe que a terceira e última parte não poderia ser ruim. Fui, vi, e gostei.
Mas esta terceira parte é diferente das anteriores. Se o primeiro e segundo filmes giravam mais ou menos em torno dos mesmos personagens, na Idade das Trevas (acredito que venha a ser este o título traduzido para o português) os personagens são outros… mas o sentido do filme é o mesmo, qual seja, uma reflexão sobre a total falta de sentido da vida moderna, e a necessidade que as pessoas têm de preencher este vazio de alguma forma. E desta vez a crítica à sociedade é feita de uma forma bastante lúdica, por vezes caricatural, mas bem divertida. Aqui somos apresentados a Jean Marc (Marc Labreche), homem de meia idade que assim como tantos outros é possuidor do chamado "triunvirato clássico" (expressão utilizada por Zadie Smith em "White Teeth", que eu adorei): emprego frustrante, casamento falido e casa no subúrbio.
Todos os dias Jean Marc sai de casa em um belo carro, leva a filha adoslescente rebelde para a escola e segue para o escritório, uma repartição pública canadense, onde passa o dia inteiro ouvindo a reclamações que não tem como resolver. Ao voltar para casa encontra a esposa hiperativa e histérica, com quem a conversa se resume ao mínimo necessário para a mútua sobrevivência. O filme me lembrou neste aspecto bastante a "American Beauty", mas se neste último a personagem de Kevin Spacey virava o barco, em "L´Age des Tenèbres" Jean Marc prefere se refugiar em um mundo de sonhos e fantasias, onde canta tão bem como um Rufus Wainwright (em pequena mas interessante participação no filme), tem uma amante tão bela como Diane Kruger e é cobiçado por entrevistadores (inclusive uma repórter ninfomaníaca interpretada por Emma de Caunes), programas de TV e fãs de todo o gênero. O resultado é hilário. Eu certamente recomendo o filme para todos aqueles que gostem de cinema de qualidade, e que sabem que qualidade e entretenimento podem sim caminhar de mãos dadas.
Outro filme ao qual assisti recentemente foi o último vencedor da Palma de Ouro em Cannes, o filme romeno "4 meses, 3 semanas e 2 dias", de Cristian Mungiu. Olha, o filme é sem dúvida bom, mas um tanto pesado e deprimente. Daqueles que a gente sai do cinema meio que de mal com a vida. Narra um caso de aborto em um dia na vida de duas estudantes romenas, ainda na época de Ceausescu. Uma das moças está grávida e quer abortar, e a colega de quarto a ajuda na empreitada, uma tarefa árdua em tempos de ditadura comunista em que nada é permitido e tudo é perigoso. O clima entre os personagens é péssimo, a tristeza e a insatisfação com a vida imperam, e o filme mostra de uma maneira cruel a hipocrisia de uma sociedade que condena o aborto mas que na prática também condena toda a sua população a uma vida miserável. O que não quer dizer que seja um filme pró aborto; é mais um filme sobre a miséria humana. Duro de engolir.O filme despertou em mim uma série de indagações sobre o aborto, a pena de morte e a eutanásia, também devido às recentes manobras do governo polonês aqui na Europa, ultra católico e ultra conservador, para impedir a criação de um dia Europeu de luta contra a pena de morte, em função do chamado liberalismo europeu ocidental em relação ao aborto. Mas isto é tema para outro blog.
Mas esta terceira parte é diferente das anteriores. Se o primeiro e segundo filmes giravam mais ou menos em torno dos mesmos personagens, na Idade das Trevas (acredito que venha a ser este o título traduzido para o português) os personagens são outros… mas o sentido do filme é o mesmo, qual seja, uma reflexão sobre a total falta de sentido da vida moderna, e a necessidade que as pessoas têm de preencher este vazio de alguma forma. E desta vez a crítica à sociedade é feita de uma forma bastante lúdica, por vezes caricatural, mas bem divertida. Aqui somos apresentados a Jean Marc (Marc Labreche), homem de meia idade que assim como tantos outros é possuidor do chamado "triunvirato clássico" (expressão utilizada por Zadie Smith em "White Teeth", que eu adorei): emprego frustrante, casamento falido e casa no subúrbio.
Todos os dias Jean Marc sai de casa em um belo carro, leva a filha adoslescente rebelde para a escola e segue para o escritório, uma repartição pública canadense, onde passa o dia inteiro ouvindo a reclamações que não tem como resolver. Ao voltar para casa encontra a esposa hiperativa e histérica, com quem a conversa se resume ao mínimo necessário para a mútua sobrevivência. O filme me lembrou neste aspecto bastante a "American Beauty", mas se neste último a personagem de Kevin Spacey virava o barco, em "L´Age des Tenèbres" Jean Marc prefere se refugiar em um mundo de sonhos e fantasias, onde canta tão bem como um Rufus Wainwright (em pequena mas interessante participação no filme), tem uma amante tão bela como Diane Kruger e é cobiçado por entrevistadores (inclusive uma repórter ninfomaníaca interpretada por Emma de Caunes), programas de TV e fãs de todo o gênero. O resultado é hilário. Eu certamente recomendo o filme para todos aqueles que gostem de cinema de qualidade, e que sabem que qualidade e entretenimento podem sim caminhar de mãos dadas.
Outro filme ao qual assisti recentemente foi o último vencedor da Palma de Ouro em Cannes, o filme romeno "4 meses, 3 semanas e 2 dias", de Cristian Mungiu. Olha, o filme é sem dúvida bom, mas um tanto pesado e deprimente. Daqueles que a gente sai do cinema meio que de mal com a vida. Narra um caso de aborto em um dia na vida de duas estudantes romenas, ainda na época de Ceausescu. Uma das moças está grávida e quer abortar, e a colega de quarto a ajuda na empreitada, uma tarefa árdua em tempos de ditadura comunista em que nada é permitido e tudo é perigoso. O clima entre os personagens é péssimo, a tristeza e a insatisfação com a vida imperam, e o filme mostra de uma maneira cruel a hipocrisia de uma sociedade que condena o aborto mas que na prática também condena toda a sua população a uma vida miserável. O que não quer dizer que seja um filme pró aborto; é mais um filme sobre a miséria humana. Duro de engolir.O filme despertou em mim uma série de indagações sobre o aborto, a pena de morte e a eutanásia, também devido às recentes manobras do governo polonês aqui na Europa, ultra católico e ultra conservador, para impedir a criação de um dia Europeu de luta contra a pena de morte, em função do chamado liberalismo europeu ocidental em relação ao aborto. Mas isto é tema para outro blog.
Engraçado, eu antigamente ia direto ao cinema, mas hoje em dia estou ficando cada vez mais exigente e preguiçoso. Já perdi bons filmes porque fui deixando pra depois: Match Point, de Woody Allen, Azuloscurocasinegro, um filme espanhol que esteve recentemente em cartaz, e até mesmo a trilogia Bourne, que sempre quis assistir e nunca me dei ao trabalho. Pelo menos este ainda tem salvação, a última parte ainda está em cartaz portanto ainda tenho chances. Mas é verdade que a cada ano que passa eu tenho a impressão de que vou menos ao cinema. Por outro lado continuo fiel aos meus filmes favoritos. Outro dia assisti na televisão a "Raise the Red Lantern", um filme de Zhang Yimou, desde sempre um dos meus filmes favoritos, e gostei de novo. Adoro a história das quatro mulheres brigando pelo resquício de poder e dignidade que ainda lhes é permitido em uma sociedade machista e injusta.
Sobre livros: comecei a ler "The Kite Runner", de Khaled Hosseini, após a veemente recomendação de minha irmã. Eu estava atravessando um certo marasmo literário, lendo vários livros ao mesmo tempo e nenhum em particular. Li a primeira parte da trilogia de Nova York de Paul Auster, mas achei a história tão inverossímel que não tive coragem ainda de começar a segunda parte. Tá bom, eu sei que os livros do Paul Auster jogam com um pé no mundo do absurdo e do (no mínimo) improvável, já li vários livros dele. Mas nos livros anteriores cada história tinha sempre um mínimo de plausibilidade, ainda que improvável. Já na primeira parte da trilogia eu não consegui encontrar nexo algum na história, e a não ser pela louvável capacidade do autor de jogar com as palavras, me entendiei com o texto. Pode ser que se eu continue a ler o resto do livro, mas tarde as histórias se entrelacem e ganhem sentido, já vi isto também nas histórias dele. Mas por enquanto o livro foi devidamente aposentado.
Estava lendo também "Le Père Adopté", de Didier van Cauwelaert, e estava começando a gostar da história, apesar do estilo um tanto cansativo, no meu entender. Em "Le Père Adopté" a narrativa é feita em uma forma bem específica de narrativa em primeira pessoa. Até aí tudo bem, a maioria dos livros que eu gosto são sempre narrados em primeira pessoa, eu acho o resultado sempre mais envolvente que uma narrativa convencional em terceira pessoa. Mas o problema para mim é que o texto é escrito como se fosse uma carta póstuma para o pai do autor, uma espécie de biografia da vida do pai do autor, contada pelo autor para o próprio pai. Assim sendo, o texto inteiro é uma narrativa na verdade na segunda pessoa (algo como " tu fizestes isso, tu eras assim, tu me contastes aquela história", etc), o que eu acho um tanto irritante, já que dá a impressão de que o autor está falando de mim e não do pai dele. Sei lá, tenho que me acostumar com este método literário. Então estou lendo "Le Père Adopte" assim bem devagarzinho, só quando dá vontade mesmo.
Daí foi fácil de deixar "The Kite Runner" (do qual estou na verdade lendo a tradução para o francês, sob o título de "Les Cerfs Volants de Kaboul") entrar no páreo, afinal de contas eu já tinha comprado o livro há alguns meses e estava só esperando a oportunidade para começar a ler. A oportunidade veio portanto por três motivos: a recomendação de minha irmã, a minha apenas mediana satisfação (pelo menos por enquanto) em relação aos outros livros que estou lendo, e, tenho que admitir, por eu ter ficado sabendo que o livro vai virar filme, inclusive as filmagens já começaram, e eu não quero ver o filme sem ter lido o livro. Primeiras impressões? Bem, ontem à noite eu fui para cama às 9 da noite porque estava com vontade de simplesmente me deitar e ler o livro. Bom sinal. Leitura para mim é acima de tudo um convite à introspecção e ao relaxamento, e portanto livro bom pra mim é aquele que me faz ter vontade de ir pro meu quarto mais cedo, pra me fechar no meu mundo e me deixar levar em uma viagem por outros lugares, outras épocas, outras vidas. É, diria, a minha maneira de me refugiar da Idade das Trevas em que se tornou a vida moderna.
A propósito, falando de livros. Minha querida irmã me lançou um meme (ainda não entendi o sentido da brincadeira, mas tudo bem, pedido de minha querida irmã é uma ordem, e eu não estou sendo irônico não, a minha irmã é muito querida para mim, mesmo). Eu tenho que pegar o livro mais próximo, abrir na página 161 e escrever aqui uma frase que eu encontrar. Bom, como estou no escritório (eu geralmente escrevo aqui no horário de almoço, e aliás, eu gostaria de pedir perdão pelos eventuais erros de tipografia, mas eu raramente tenho tempo de revisar os meus textos) o único livro perto de mim é o que está na minha sacola de ginástica, que leio quando estou no metro. É ainda a Trilogia de Nova York, do Auster, do qual estou lendo a tradução portuguesa, e aqui vai a frase:
Atravessou para o outro lado da rua, encontrou um sítio num beco estreito e instalou-se para passar ali a noite.
(Trilogia de Nova York, Paul Auster, parte 1 – Cidade de Vidro, cap. 11)
Sobre livros: comecei a ler "The Kite Runner", de Khaled Hosseini, após a veemente recomendação de minha irmã. Eu estava atravessando um certo marasmo literário, lendo vários livros ao mesmo tempo e nenhum em particular. Li a primeira parte da trilogia de Nova York de Paul Auster, mas achei a história tão inverossímel que não tive coragem ainda de começar a segunda parte. Tá bom, eu sei que os livros do Paul Auster jogam com um pé no mundo do absurdo e do (no mínimo) improvável, já li vários livros dele. Mas nos livros anteriores cada história tinha sempre um mínimo de plausibilidade, ainda que improvável. Já na primeira parte da trilogia eu não consegui encontrar nexo algum na história, e a não ser pela louvável capacidade do autor de jogar com as palavras, me entendiei com o texto. Pode ser que se eu continue a ler o resto do livro, mas tarde as histórias se entrelacem e ganhem sentido, já vi isto também nas histórias dele. Mas por enquanto o livro foi devidamente aposentado.
Estava lendo também "Le Père Adopté", de Didier van Cauwelaert, e estava começando a gostar da história, apesar do estilo um tanto cansativo, no meu entender. Em "Le Père Adopté" a narrativa é feita em uma forma bem específica de narrativa em primeira pessoa. Até aí tudo bem, a maioria dos livros que eu gosto são sempre narrados em primeira pessoa, eu acho o resultado sempre mais envolvente que uma narrativa convencional em terceira pessoa. Mas o problema para mim é que o texto é escrito como se fosse uma carta póstuma para o pai do autor, uma espécie de biografia da vida do pai do autor, contada pelo autor para o próprio pai. Assim sendo, o texto inteiro é uma narrativa na verdade na segunda pessoa (algo como " tu fizestes isso, tu eras assim, tu me contastes aquela história", etc), o que eu acho um tanto irritante, já que dá a impressão de que o autor está falando de mim e não do pai dele. Sei lá, tenho que me acostumar com este método literário. Então estou lendo "Le Père Adopte" assim bem devagarzinho, só quando dá vontade mesmo.
Daí foi fácil de deixar "The Kite Runner" (do qual estou na verdade lendo a tradução para o francês, sob o título de "Les Cerfs Volants de Kaboul") entrar no páreo, afinal de contas eu já tinha comprado o livro há alguns meses e estava só esperando a oportunidade para começar a ler. A oportunidade veio portanto por três motivos: a recomendação de minha irmã, a minha apenas mediana satisfação (pelo menos por enquanto) em relação aos outros livros que estou lendo, e, tenho que admitir, por eu ter ficado sabendo que o livro vai virar filme, inclusive as filmagens já começaram, e eu não quero ver o filme sem ter lido o livro. Primeiras impressões? Bem, ontem à noite eu fui para cama às 9 da noite porque estava com vontade de simplesmente me deitar e ler o livro. Bom sinal. Leitura para mim é acima de tudo um convite à introspecção e ao relaxamento, e portanto livro bom pra mim é aquele que me faz ter vontade de ir pro meu quarto mais cedo, pra me fechar no meu mundo e me deixar levar em uma viagem por outros lugares, outras épocas, outras vidas. É, diria, a minha maneira de me refugiar da Idade das Trevas em que se tornou a vida moderna.
A propósito, falando de livros. Minha querida irmã me lançou um meme (ainda não entendi o sentido da brincadeira, mas tudo bem, pedido de minha querida irmã é uma ordem, e eu não estou sendo irônico não, a minha irmã é muito querida para mim, mesmo). Eu tenho que pegar o livro mais próximo, abrir na página 161 e escrever aqui uma frase que eu encontrar. Bom, como estou no escritório (eu geralmente escrevo aqui no horário de almoço, e aliás, eu gostaria de pedir perdão pelos eventuais erros de tipografia, mas eu raramente tenho tempo de revisar os meus textos) o único livro perto de mim é o que está na minha sacola de ginástica, que leio quando estou no metro. É ainda a Trilogia de Nova York, do Auster, do qual estou lendo a tradução portuguesa, e aqui vai a frase:
Atravessou para o outro lado da rua, encontrou um sítio num beco estreito e instalou-se para passar ali a noite.
(Trilogia de Nova York, Paul Auster, parte 1 – Cidade de Vidro, cap. 11)



4 comments:
Tudo certo. Falta agora vc escrever um post curto osbre isso e passar para 5 pessoas. E eu vou te explicar o sentido da brincadeira. É comum na blogosfera achar pessoas que simplesmente copiam determinado assunto de algum post e postam no seu em mudar nada e sem dar os créditos, ou seja, fazendo plágio e depois se passando como autor. Para fazer um tipo de sátira com essas pessoas, os blogueiros inventaram essa brincadeira do meme que nada mais é do que copy and pass, ou seja, a cópia de textos oficializada.E a brincadeira pegou. Com a vantagem de que vc interage com outros blogueiros e divulga o seu.Entendeu agora?
Lá vai ele se desculpando de novo...aaaaaaaah!
Agora um papinho comigo, obrigada pela dica do filme "LÁge de Tenèbres", o Declínio foi um soco no estômago na época pra mim, e as Invasões tb gostei gostei, vou correndo pro cinema assim q passar em Leiden. Já American Beauty tá na minha lista dos top 100 (acho), é sempre bom. Qto ao tema do filme romeno, já senti várias vezes na carne, é complicado, tabu, polêmica, nenhuma mulher se orgulha de fazer aborto...e a Romênia tá mudando agora q faz parte da EU, tão vindo todos pra cá.hahahahahaha
Quanto a trilogia "Bourne"...assisti recentemente o "The Ultimatum", tem bastante ação, muito mais do que no IDENTITY, mas o Matt Damon é perfeito pro papel, com aquela rosto sem expressão, e ele está ótimo, gatíssimo como sempre.
Livros fica pra depois, porque estou lendo "De kracht van nu" do alemão Eckhart Tolle, o gênero é esoteria, mas eu odeio esses rótulos. Faz tempo que não leio romances, mas estou vivendo um, comigo mesma. kkkkkkk
..lets open a little book club then.. ;)
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