
Tem coisa melhor que começar o dia ouvindo a Rhapsody in Blue de Gershwin? Pois foi assim que começou a minha sexta-feira. Toda manhã ao chegar ao escritório a primeira coisa que faço é ligar o computador e checar as minhas mensagens. Ao mesmo tempo abro a Internet e leio as manchetes principais dos jornais online (eu tenho o hábito adquirido na Holanda de ler o Volkskrant, e aqui na Bélgica leio também o De Morgen, holandês, e o Le Soir, francófono). Em seguida, abro a Internet e procuro um canal de rádio de música clássica. É o Klara Continuo (quem procurar no google vai achar), uma rádio belga que tem a vantagem de tocar música clássica non stop, e sem reclames nem noticiário. Apenas 24horas ininterruptas de música clássica (quem quiser tentar, depois de encontrar no google e abrir a página, é só clicar na frase "Beluister continuo online" no lado esquerdo da tela, que o software abre automaticamente). Eu gosto de trabalhar ouvindo música clássica porque na minha opinião a música clássica relaxa a alma, eu acho muito mais agradável trabalhar ouvindo Bach, Vivaldi, Mozart, Beethoven, Chopin… e Gershwin. Não gosto muito da música clássica do século XX, tipo Prokofiev e Shostakovitch, acho simplesmente barulhento demais, mas abro uma bela exceção ao grande Gershwin.
Foi a minha mãe que me ensinou a gostar de Gerswhin, assim como foi ela também que me ensinou a gostar das artes em geral. Gerswhin é seu o compositor favorito, e a Rhapsody in Blue é sua composição predileta, que eu já ouvi tantas vezes desde criança que aprendi de cor, conheço todos os movimentos e todas as variações da obra, sei exatamente quando sai a tuba e quando entra o violino. Acho fantástica a combinação de música erudita e jazz presentes nesta obra tão peculiar e imediatamente reconhecível. E assim como na música, também nas artes plásticas. A minha mãe estudou Arquitetura, curso que não chegou a terminar (tal mãe, tal filho? Sei que não ter terminado o curso de Arquitetura é um dos maiores arrependimentos da minha mãe, e de certa forma, meu também), mas sempre teve um senso estético muito apurado. Quando eu e minha irmã éramos crianças, ela comprou uma enciclopédia de História da Arte, e eu me lembro das tardes em que nós nos sentávamos juntos e ela ia nos explicando cada capítulo, cada passagem da história, cada mudança no mundo das artes… a idade antiga, a idade média, o renascentismo, a descoberta da perspectiva na pintura, a Mona Lisa, o chiaroscuro, a contra-reforma, o barroco e a influência da igreja, o romantismo, o impressionismo e o estudo dos efeitos da luz, Renoir, Monet, Manet, Degas, Cézanne (tenho a impressão de que o impressionismo é a fase na pintura da qual a minha mãe mais gosta, pois é a fase da qual eu me lembro melhor), Gauguin, Van Gogh, o expressionismo, Klimt, a arte moderna, Picasso… tudo isto eu aprendi com a minha mãe, em casa, pacientemente estudando uma enciclopédia de artes.
Tenho que dar créditos também à minha avó, que habituou o meu ouvido à música clássica. A minha avó era estudante de piano, e nos acordava todos os dias com as suas aulas bem cedo. Ela tinha um piano na sala, e quando começavam as repetições não havia ouvido que aguentasse… mas de certa forma esta repetição à exaustão me preparou para a música. Ela tentou nos ensinar a tocar piano, e não conseguiu por pura preguiça de minha parte e de minha irmã, que não nos aplicávamos como deveríamos, coisa que hoje em dia eu me arrependo. Mas ela conseguiu ainda que indiretamente introduzir o gosto pelo piano e pela música de qualidade na gente. Muito o que sei de música clássica, sei por ter ouvido as aulas de minha avó, e da dificuldade que ela tinha com alguns compositores.
Em 1978, os meus pais se separaram. Até então eles faziam parte da chamada nata da alta sociedade local. Moravam em um belo sobrado na Rua Rui Barbosa, uma agradável rua no também agradável bairro de Nazaré. Faziam festas enormes no Natal, badaladíssimas, as quais a minha mãe preparava com gosto, e à qual todas as principais figuras do chamado "society" local eram convidadas. E iam também à todas as principais festas locais. A minha mãe sempre foi uma mulher muito bonita, loira em terra de caboclos, e sempre chamou muito a atenção de homens e mulheres em volta, viva aparecendo nas colunas sociais locais e coisas do gênero. Tudo isso mudou depois da separação. Para a mentalidade troglodita do povoadinho que se chama capital do Pará, a minha mãe como mulher "separada" não era mais bem vista, e os convites escassearam. Eu imagino que isto deva ter sido um baque para a minha mãe, mas de alguma forma também um alívio. Ela sempre foi meio bicho-do-mato, assim como eu, e desconfio hoje que ela não se sentia muito bem naquele mundinho, embora não soubesse como fazer para sair dali. Foi aí que começaram as viagens. Tanto ela como o meu pai viajaram Brasil afora, na procura de refazer as suas vidas, na tentativa de se reencontrarem em sua individualidade, creio. Essas viagens não fizeram nada bem à mim nem à minha irmã, que nos sentimos um tanto abandonados. Muita coisa ruim aconteceu comigo naquela época, coisas que só ajudaram a me afastar ainda mais da mentalidade local. Eu era um peixe fora d´água na cidade onde havia nascido e vivido toda a minha vida.
Hoje em dia a minha mãe diz que se arrepende de ter nos dado uma educação tão acima da média em relação ao modelo de educação (???) vigente na Belém do Pará dos anos 80. Isto porque eu e minha irmã crescemos aprendendo a ver o mundo de uma maneira bem diferente dos nossos colegas de classe e de idade. Nós olhávamos para fora do mundo, ao passo que nossos colegas aprendiam a olhar para o próprio umbigo e nada mais. Belém é uma cidade provinciana ao extremo, onde "quem são os seus pais?" e "que clube você frequenta?" são questões mais importantes para a "avaliação social" que a sua capacidade para diferenciar um Renoir de um Monet ou para distinguir um Bach de um Chopin. No meio em que crescemos, a única coisa que parecia importar era o nosso sobrenome, se frequentávamos a Assembléia Paraense (o clube da classe média alta local), se estudávamos nos colégios certos e se passávamos nossas férias na Disney. A minha irmã, como sempre teve uma capacidade de comunicação e entrosamento social infinitamente superior à minha, não teve muita dificuldade com isto, e acredito que conseguiu ter uma adolescência mais ou menos normal. Ia a festas, tinha amigos, passava os finais de semana na praia, etc. Mas eu, não. Eu era tímido e não conseguia me relacionar com aquele povo afetado e ignorante, e me fechava para o meu mundo, eu me fechava no mundo de livros e artes que a minha mãe tinha me ensinado a gostar. Foi daí também que começou o meu gosto pelo cinema. Eu alugava filmes de arte na locadora e passava os finais de semana inteiros dentro de casa assistindo a Bergman, Woody Allen, Buñuel, Truffaut, sempre em companhia da minha mãe, que adorava os filmes que eu escolhia (ela diz hoje em dia que quando eu fui embora, o "gosto" dela pelo cinema também se foi, porque ela não sabia mais escolher sozinha). E quanto mais eu gostava daquele mundo belo e distante, mais eu detestava aquela Belém inculta e pobre de espírito onde eu estava condenado a viver. Eu odiava Belém.
E então eu cresci, e me refugiei no meu mundo, aquele mundo das artes que a minha mãe tinha me ensinado, como porta de embarque para a vida lá fora. Cresci com uma única meta: eu queria aprender o máximo possível a respeito de tudo, e queria sair daquela cidade a qualquer custo, eu queria ir o mais longe possível e nunca mais voltar, para aquele lugar onde eu me sentia tão rejeitado pela "sociedade local". Batalhei muito por isso, passei por maus bocados, fiz uma porção de besteiras das quais me arrependo terrivelmente, mas consegui. Fui embora daquele lugar e nunca mais voltei. E hoje em dia moro aqui na Bélgica, que está longe de ser um paraíso, porque felizmente eu já aprendi também que paraíso na Terra não existe. E a minha vida está longe de ser perfeita, porque tenho vários problemas (mas quem não os tem?). Mas estou sim feliz com a minha vida, pois é a vida que eu escolhi. E eu aprecio o fato de morar em um lugar que me dá acesso a um mundo ao qual nem todos têm acesso, e de estar rodeado de pessoas (amigos que eu escolhi, colegas de trabalho com a mesma mentalidade, gente interessante de todo o tipo) que vêem o mundo da mesma forma que eu. E que são capazes de apreciar as mesmas coisas que eu.
A minha mãe se arrepende de ter me dado uma educação que no entender dela só contribuiu para me levar para longe dela. Ela diz que preferia que eu não tivesse aprendido nada disso e que tivesse ao contrário, aprendido a gostar de Belém e do que Belém tinha a oferecer, porque assim eu teria ficado perto dela. E eu só tenho a dizer: mãe, a senhora não deveria se arrepender. Pelo contrário, a senhora deveria se orgulhar. Porque a educação privilegiada que a senhora me deu, com custo, é a coisa que eu mais agradeço à senhora, é a coisa que eu guardo mais fundo no meu coração com um profundo respeito e gratidão pelos seus esforços. Lembre-se sempre que eu posso estar bem longe fisicamente, mas na mente, na alma e no coração, eu não poderia estar mais perto da senhora. Porque a senhora me ensinou a ver o mundo com os seus olhos, e não com os olhos daquela Belém onde eu nasci, e eu só posso ser imensamente grato por isso. Eu tenho muito orgulho da minha mãe que me ensinou a gostar de Gershwin e de Renoir, pois foi ela quem fez a pessoa que eu sou hoje, e eu sou feliz.
Foi a minha mãe que me ensinou a gostar de Gerswhin, assim como foi ela também que me ensinou a gostar das artes em geral. Gerswhin é seu o compositor favorito, e a Rhapsody in Blue é sua composição predileta, que eu já ouvi tantas vezes desde criança que aprendi de cor, conheço todos os movimentos e todas as variações da obra, sei exatamente quando sai a tuba e quando entra o violino. Acho fantástica a combinação de música erudita e jazz presentes nesta obra tão peculiar e imediatamente reconhecível. E assim como na música, também nas artes plásticas. A minha mãe estudou Arquitetura, curso que não chegou a terminar (tal mãe, tal filho? Sei que não ter terminado o curso de Arquitetura é um dos maiores arrependimentos da minha mãe, e de certa forma, meu também), mas sempre teve um senso estético muito apurado. Quando eu e minha irmã éramos crianças, ela comprou uma enciclopédia de História da Arte, e eu me lembro das tardes em que nós nos sentávamos juntos e ela ia nos explicando cada capítulo, cada passagem da história, cada mudança no mundo das artes… a idade antiga, a idade média, o renascentismo, a descoberta da perspectiva na pintura, a Mona Lisa, o chiaroscuro, a contra-reforma, o barroco e a influência da igreja, o romantismo, o impressionismo e o estudo dos efeitos da luz, Renoir, Monet, Manet, Degas, Cézanne (tenho a impressão de que o impressionismo é a fase na pintura da qual a minha mãe mais gosta, pois é a fase da qual eu me lembro melhor), Gauguin, Van Gogh, o expressionismo, Klimt, a arte moderna, Picasso… tudo isto eu aprendi com a minha mãe, em casa, pacientemente estudando uma enciclopédia de artes.
Tenho que dar créditos também à minha avó, que habituou o meu ouvido à música clássica. A minha avó era estudante de piano, e nos acordava todos os dias com as suas aulas bem cedo. Ela tinha um piano na sala, e quando começavam as repetições não havia ouvido que aguentasse… mas de certa forma esta repetição à exaustão me preparou para a música. Ela tentou nos ensinar a tocar piano, e não conseguiu por pura preguiça de minha parte e de minha irmã, que não nos aplicávamos como deveríamos, coisa que hoje em dia eu me arrependo. Mas ela conseguiu ainda que indiretamente introduzir o gosto pelo piano e pela música de qualidade na gente. Muito o que sei de música clássica, sei por ter ouvido as aulas de minha avó, e da dificuldade que ela tinha com alguns compositores.
Em 1978, os meus pais se separaram. Até então eles faziam parte da chamada nata da alta sociedade local. Moravam em um belo sobrado na Rua Rui Barbosa, uma agradável rua no também agradável bairro de Nazaré. Faziam festas enormes no Natal, badaladíssimas, as quais a minha mãe preparava com gosto, e à qual todas as principais figuras do chamado "society" local eram convidadas. E iam também à todas as principais festas locais. A minha mãe sempre foi uma mulher muito bonita, loira em terra de caboclos, e sempre chamou muito a atenção de homens e mulheres em volta, viva aparecendo nas colunas sociais locais e coisas do gênero. Tudo isso mudou depois da separação. Para a mentalidade troglodita do povoadinho que se chama capital do Pará, a minha mãe como mulher "separada" não era mais bem vista, e os convites escassearam. Eu imagino que isto deva ter sido um baque para a minha mãe, mas de alguma forma também um alívio. Ela sempre foi meio bicho-do-mato, assim como eu, e desconfio hoje que ela não se sentia muito bem naquele mundinho, embora não soubesse como fazer para sair dali. Foi aí que começaram as viagens. Tanto ela como o meu pai viajaram Brasil afora, na procura de refazer as suas vidas, na tentativa de se reencontrarem em sua individualidade, creio. Essas viagens não fizeram nada bem à mim nem à minha irmã, que nos sentimos um tanto abandonados. Muita coisa ruim aconteceu comigo naquela época, coisas que só ajudaram a me afastar ainda mais da mentalidade local. Eu era um peixe fora d´água na cidade onde havia nascido e vivido toda a minha vida.
Hoje em dia a minha mãe diz que se arrepende de ter nos dado uma educação tão acima da média em relação ao modelo de educação (???) vigente na Belém do Pará dos anos 80. Isto porque eu e minha irmã crescemos aprendendo a ver o mundo de uma maneira bem diferente dos nossos colegas de classe e de idade. Nós olhávamos para fora do mundo, ao passo que nossos colegas aprendiam a olhar para o próprio umbigo e nada mais. Belém é uma cidade provinciana ao extremo, onde "quem são os seus pais?" e "que clube você frequenta?" são questões mais importantes para a "avaliação social" que a sua capacidade para diferenciar um Renoir de um Monet ou para distinguir um Bach de um Chopin. No meio em que crescemos, a única coisa que parecia importar era o nosso sobrenome, se frequentávamos a Assembléia Paraense (o clube da classe média alta local), se estudávamos nos colégios certos e se passávamos nossas férias na Disney. A minha irmã, como sempre teve uma capacidade de comunicação e entrosamento social infinitamente superior à minha, não teve muita dificuldade com isto, e acredito que conseguiu ter uma adolescência mais ou menos normal. Ia a festas, tinha amigos, passava os finais de semana na praia, etc. Mas eu, não. Eu era tímido e não conseguia me relacionar com aquele povo afetado e ignorante, e me fechava para o meu mundo, eu me fechava no mundo de livros e artes que a minha mãe tinha me ensinado a gostar. Foi daí também que começou o meu gosto pelo cinema. Eu alugava filmes de arte na locadora e passava os finais de semana inteiros dentro de casa assistindo a Bergman, Woody Allen, Buñuel, Truffaut, sempre em companhia da minha mãe, que adorava os filmes que eu escolhia (ela diz hoje em dia que quando eu fui embora, o "gosto" dela pelo cinema também se foi, porque ela não sabia mais escolher sozinha). E quanto mais eu gostava daquele mundo belo e distante, mais eu detestava aquela Belém inculta e pobre de espírito onde eu estava condenado a viver. Eu odiava Belém.
E então eu cresci, e me refugiei no meu mundo, aquele mundo das artes que a minha mãe tinha me ensinado, como porta de embarque para a vida lá fora. Cresci com uma única meta: eu queria aprender o máximo possível a respeito de tudo, e queria sair daquela cidade a qualquer custo, eu queria ir o mais longe possível e nunca mais voltar, para aquele lugar onde eu me sentia tão rejeitado pela "sociedade local". Batalhei muito por isso, passei por maus bocados, fiz uma porção de besteiras das quais me arrependo terrivelmente, mas consegui. Fui embora daquele lugar e nunca mais voltei. E hoje em dia moro aqui na Bélgica, que está longe de ser um paraíso, porque felizmente eu já aprendi também que paraíso na Terra não existe. E a minha vida está longe de ser perfeita, porque tenho vários problemas (mas quem não os tem?). Mas estou sim feliz com a minha vida, pois é a vida que eu escolhi. E eu aprecio o fato de morar em um lugar que me dá acesso a um mundo ao qual nem todos têm acesso, e de estar rodeado de pessoas (amigos que eu escolhi, colegas de trabalho com a mesma mentalidade, gente interessante de todo o tipo) que vêem o mundo da mesma forma que eu. E que são capazes de apreciar as mesmas coisas que eu.
A minha mãe se arrepende de ter me dado uma educação que no entender dela só contribuiu para me levar para longe dela. Ela diz que preferia que eu não tivesse aprendido nada disso e que tivesse ao contrário, aprendido a gostar de Belém e do que Belém tinha a oferecer, porque assim eu teria ficado perto dela. E eu só tenho a dizer: mãe, a senhora não deveria se arrepender. Pelo contrário, a senhora deveria se orgulhar. Porque a educação privilegiada que a senhora me deu, com custo, é a coisa que eu mais agradeço à senhora, é a coisa que eu guardo mais fundo no meu coração com um profundo respeito e gratidão pelos seus esforços. Lembre-se sempre que eu posso estar bem longe fisicamente, mas na mente, na alma e no coração, eu não poderia estar mais perto da senhora. Porque a senhora me ensinou a ver o mundo com os seus olhos, e não com os olhos daquela Belém onde eu nasci, e eu só posso ser imensamente grato por isso. Eu tenho muito orgulho da minha mãe que me ensinou a gostar de Gershwin e de Renoir, pois foi ela quem fez a pessoa que eu sou hoje, e eu sou feliz.



5 comments:
Foi a coisa mais linda que já lí!
Que belíssima homenagem: densa e ao mesmo tempo terna. Vou passar mais por aqui.
Arnild
Lindo texto mesmo! Fiquei emocionada!
[outra coisa em comum, dentre tantas que não tem nada a ver... meus avós vieram de Belém]
Que lindo, Antonio.
Mais uma vez vc arrasou!
Qualquer mãe gostaria de ouvir ou ler o que você escreveu.
Tio Cacá, que coisa mais linda que você escreveu!
Adorei o seu blog. E TIVE que comentar nesse texto.
Fiquei emocionada. =)
Beijos, Gábi.
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