Tuesday, August 14, 2007

Eternal Sunshine of the Spotless Mind


Já faz algum tempo que eu estava querendo escrever sobre o título deste blog. Os cinéfilos de plantão devem ter com certeza sacado que é uma alusão ao filme "Eternal Sunshine of the Spotless Mind", um filme de um ou dois anos atrás, com Jim Carrey e Kate Winslet (por favor me perdoem, não sei quem é o diretor), e que é na minha humilde opinião uma das histórias mais criativas e interessantes do cinema nos últimos anos. No filme, a personagem de Kate Winslet resolve apagar da cabeça de uma vez por todas qualquer lembrança do ex namorado (Jim Carrey), o que consegue através de uma experiência científica, com absoluto sucesso. A amnésia é total. Intrigado, humilhado e desiludido, o ex-amante resolve fazer o mesmo, submetendo-se ao processo de destruição da memória. Só que no meio da operação ele se arrepende, e passa a correr contra o tempo na tentativa de salvar as memórias ainda não apagadas de sua amada, de sua relação, enfm, de sua vida (não vou contar o final do filme).

Eu adorei este filme, que me remeteu à questão da nossa identidade como fruto de todas as nossas experiências e de nossas memórias, sejam elas boas ou ruins. Nós somos o que somos porque vivemos o que vivemos, e por todos os momentos bons e ruins pelos quais passamos. Reclamar do passado é consequentemente uma grande roubada, pois nada garante que os caminhos não escolhidos teriam levado ao paraíso com o qual sonhávamos. Por outro lado, será mesmo que estaríamos dispostos a deixar de ser quem somos; pela possibilidade de uma vida totalmente diferente? Parece óbvio, mas nem sempre é. Quantas vezes eu já me peguei – e tenho a certeza de que você que está lendo este post também – reclamando da vida por escolhas malfeitas e me indagando "E se…?".E se tudo tivesse sido diferente? E se eu tivesse virado à direita ao invés de ter virado à esquerda? Que perda de tempo. "E se…" tivesse acontecido; a única certeza que eu posso ter é que o "Eu" que hoje escreve este post seria uma outra pessoa diferente de mim. Mas nada, absolutamente nada me garante, que o "Eu" diferente seria mais próximo ou mais distante do meu "Eu" ideal. Nem mais feliz nem infeliz. Apenas diferente.

Querer corrigir o passado, apagar o que "deu errado", fingir que nada aconteceu, é como dar um tiro no próprio pé, é como negar a própria vida, a própria identidade. Ao mesmo modo que temos que saber marchar adiante, aprender com cada passo dado em falso, temos que respeitar o nosso passado, e todas as histórias que ouvimos, vivemos, sentimos e presenciamos, pois são elas que fizeram de nós as pessoas que somos hoje. Não é para viver no passado (porque quem vive no passado, do passado e para o passado, se esquece que a vida é também feita de presente e de futuro). Mas é para aprender com o passado. E aceitar que não somos perfeitos e que vamos errar, errar e errar (tenho a impressão de que aqui estou soando tão piegas como a uma das minhas tias…). E da mesma forma em nossos relacionamentos. Quem não tem reclamações a fazer a respeito do parceiro ou parceira? Mas será mesmo que estaríamos dispostos a simplesmente riscar os parceiros de nossas vidas, em nome de uma vida diferente? Ninguém é perfeito, afinal de contas.

Falar é fácil… alguns erros e decisões são difíceis de engolir, como eu sei disto muito bem. Assim como todo mundo, tenho a minha porção de misérias pessoais, mas quem não as têm, em maior ou menor grau? Poderia tecer uma rede de lamentações relativas ao meu trabalho, às minhas finanças, à minha saúde, ao meu relacionamento… mas esta é a minha vida, é quem eu sou, e se fosse diferente, não seria mais eu. Por mais difícil que seja, eu tenho que conseguir me convencer disto, para o meu próprio bem. E assim comigo, assim com todo mundo. Eu tenho a vida que eu consegui ter com as circunstâncias que a vida me deu. E eu tenho que aprender a ser feliz com a vida que a vida me deu. Mesmo porque no meu caso, como no de todo mundo, não há processo cirúrgico nenhum que vá me ajudar a esquecer todas as besteiras que eu já fiz na vida ou todas as dores pelas quais já passei. Melhor virar a página, simples assim.

Sim, isto É mais uma tentativa de auto-análise e cura, mas este texto está indo por um caminho que não estou gostando, psicologia de almanaque nunca foi o meu forte. Algo me diz que eu estou caindo na síndrome de Oprah Winfrey, não estou conseguindo ser muito objetivo e estou abordando lugares comuns, então melhor parar por aqui… divagações à parte, o fato é que Eternal Sunshine of the Spotless Mind é um excelente filme, e fica aqui a minha dica para um dvd, a título de puro entretenimento e nada mais, sem nenhuma pretensão psicológica. E se não gostar do filme, é só ir na locadora e pegar outro, porque filme, ao contrário da vida real, pode ser trocado a qualquer momento.

7 comments:

Beth Blue said...

Nossa, eu amo este filme de paixão...tenho a edição especial aqui em casa (2 DVDs) há tempos!

Labelle® Paz said...

Ahhh Antonio...

Taí outra coisa que concordamos - Aquele "finalmente" que você escreveu no seu comentário tem mais um ítem...

Você já é um querido para mim! Gosto muito do que escreve e esse filme realmente é bem interessante!

O Jim Carrey me surpreendeu, porque eu não gosto muito das suas atuações e automaticamente imaginei que não gostaria do filme por causa dele. Bobagem. Adorei! Imperdível.

Andrea Drewanz said...

Vou procurar na locadora para assistir.
Deve ser muito bom! Depois comento.
Bjs

Annix said...

o diretor é o grande Michel Gondry!

Annix said...

Que também dirigiu o fofo "The Science of Sleep", onde um rapaz introspectivo prefere lidar com o mundo dos sonhos ao real, com todas as suas complicações. Rings a bell?

Cris Ambrosio said...

Eu lembro que quando eu vi esse filme pela primeira vez eu achei um lixo - é claro que eu não tinha entendido nada.

Uns meses depois eu vi de novo; me emocionei, chorei... foi uma coisa. Acho que isso mostra o quanto uma pessoa muda em um pequeno intervalo de tempo haha

Eu recomendo o filme também, muito bom.

bjs

Luma Rosa said...

Por incrível que pareça, sempre quando vou assistir, acontece alguma coisa que não deixa! Depois dessa postagem, me senti mais frustrada! (rs*) Beijus