
Já faz algum tempo que eu estava querendo escrever sobre o título deste blog. Os cinéfilos de plantão devem ter com certeza sacado que é uma alusão ao filme "Eternal Sunshine of the Spotless Mind", um filme de um ou dois anos atrás, com Jim Carrey e Kate Winslet (por favor me perdoem, não sei quem é o diretor), e que é na minha humilde opinião uma das histórias mais criativas e interessantes do cinema nos últimos anos. No filme, a personagem de Kate Winslet resolve apagar da cabeça de uma vez por todas qualquer lembrança do ex namorado (Jim Carrey), o que consegue através de uma experiência científica, com absoluto sucesso. A amnésia é total. Intrigado, humilhado e desiludido, o ex-amante resolve fazer o mesmo, submetendo-se ao processo de destruição da memória. Só que no meio da operação ele se arrepende, e passa a correr contra o tempo na tentativa de salvar as memórias ainda não apagadas de sua amada, de sua relação, enfm, de sua vida (não vou contar o final do filme).
Eu adorei este filme, que me remeteu à questão da nossa identidade como fruto de todas as nossas experiências e de nossas memórias, sejam elas boas ou ruins. Nós somos o que somos porque vivemos o que vivemos, e por todos os momentos bons e ruins pelos quais passamos. Reclamar do passado é consequentemente uma grande roubada, pois nada garante que os caminhos não escolhidos teriam levado ao paraíso com o qual sonhávamos. Por outro lado, será mesmo que estaríamos dispostos a deixar de ser quem somos; pela possibilidade de uma vida totalmente diferente? Parece óbvio, mas nem sempre é. Quantas vezes eu já me peguei – e tenho a certeza de que você que está lendo este post também – reclamando da vida por escolhas malfeitas e me indagando "E se…?".E se tudo tivesse sido diferente? E se eu tivesse virado à direita ao invés de ter virado à esquerda? Que perda de tempo. "E se…" tivesse acontecido; a única certeza que eu posso ter é que o "Eu" que hoje escreve este post seria uma outra pessoa diferente de mim. Mas nada, absolutamente nada me garante, que o "Eu" diferente seria mais próximo ou mais distante do meu "Eu" ideal. Nem mais feliz nem infeliz. Apenas diferente.
Querer corrigir o passado, apagar o que "deu errado", fingir que nada aconteceu, é como dar um tiro no próprio pé, é como negar a própria vida, a própria identidade. Ao mesmo modo que temos que saber marchar adiante, aprender com cada passo dado em falso, temos que respeitar o nosso passado, e todas as histórias que ouvimos, vivemos, sentimos e presenciamos, pois são elas que fizeram de nós as pessoas que somos hoje. Não é para viver no passado (porque quem vive no passado, do passado e para o passado, se esquece que a vida é também feita de presente e de futuro). Mas é para aprender com o passado. E aceitar que não somos perfeitos e que vamos errar, errar e errar (tenho a impressão de que aqui estou soando tão piegas como a uma das minhas tias…). E da mesma forma em nossos relacionamentos. Quem não tem reclamações a fazer a respeito do parceiro ou parceira? Mas será mesmo que estaríamos dispostos a simplesmente riscar os parceiros de nossas vidas, em nome de uma vida diferente? Ninguém é perfeito, afinal de contas.
Falar é fácil… alguns erros e decisões são difíceis de engolir, como eu sei disto muito bem. Assim como todo mundo, tenho a minha porção de misérias pessoais, mas quem não as têm, em maior ou menor grau? Poderia tecer uma rede de lamentações relativas ao meu trabalho, às minhas finanças, à minha saúde, ao meu relacionamento… mas esta é a minha vida, é quem eu sou, e se fosse diferente, não seria mais eu. Por mais difícil que seja, eu tenho que conseguir me convencer disto, para o meu próprio bem. E assim comigo, assim com todo mundo. Eu tenho a vida que eu consegui ter com as circunstâncias que a vida me deu. E eu tenho que aprender a ser feliz com a vida que a vida me deu. Mesmo porque no meu caso, como no de todo mundo, não há processo cirúrgico nenhum que vá me ajudar a esquecer todas as besteiras que eu já fiz na vida ou todas as dores pelas quais já passei. Melhor virar a página, simples assim.
Sim, isto É mais uma tentativa de auto-análise e cura, mas este texto está indo por um caminho que não estou gostando, psicologia de almanaque nunca foi o meu forte. Algo me diz que eu estou caindo na síndrome de Oprah Winfrey, não estou conseguindo ser muito objetivo e estou abordando lugares comuns, então melhor parar por aqui… divagações à parte, o fato é que Eternal Sunshine of the Spotless Mind é um excelente filme, e fica aqui a minha dica para um dvd, a título de puro entretenimento e nada mais, sem nenhuma pretensão psicológica. E se não gostar do filme, é só ir na locadora e pegar outro, porque filme, ao contrário da vida real, pode ser trocado a qualquer momento.
Eu adorei este filme, que me remeteu à questão da nossa identidade como fruto de todas as nossas experiências e de nossas memórias, sejam elas boas ou ruins. Nós somos o que somos porque vivemos o que vivemos, e por todos os momentos bons e ruins pelos quais passamos. Reclamar do passado é consequentemente uma grande roubada, pois nada garante que os caminhos não escolhidos teriam levado ao paraíso com o qual sonhávamos. Por outro lado, será mesmo que estaríamos dispostos a deixar de ser quem somos; pela possibilidade de uma vida totalmente diferente? Parece óbvio, mas nem sempre é. Quantas vezes eu já me peguei – e tenho a certeza de que você que está lendo este post também – reclamando da vida por escolhas malfeitas e me indagando "E se…?".E se tudo tivesse sido diferente? E se eu tivesse virado à direita ao invés de ter virado à esquerda? Que perda de tempo. "E se…" tivesse acontecido; a única certeza que eu posso ter é que o "Eu" que hoje escreve este post seria uma outra pessoa diferente de mim. Mas nada, absolutamente nada me garante, que o "Eu" diferente seria mais próximo ou mais distante do meu "Eu" ideal. Nem mais feliz nem infeliz. Apenas diferente.
Querer corrigir o passado, apagar o que "deu errado", fingir que nada aconteceu, é como dar um tiro no próprio pé, é como negar a própria vida, a própria identidade. Ao mesmo modo que temos que saber marchar adiante, aprender com cada passo dado em falso, temos que respeitar o nosso passado, e todas as histórias que ouvimos, vivemos, sentimos e presenciamos, pois são elas que fizeram de nós as pessoas que somos hoje. Não é para viver no passado (porque quem vive no passado, do passado e para o passado, se esquece que a vida é também feita de presente e de futuro). Mas é para aprender com o passado. E aceitar que não somos perfeitos e que vamos errar, errar e errar (tenho a impressão de que aqui estou soando tão piegas como a uma das minhas tias…). E da mesma forma em nossos relacionamentos. Quem não tem reclamações a fazer a respeito do parceiro ou parceira? Mas será mesmo que estaríamos dispostos a simplesmente riscar os parceiros de nossas vidas, em nome de uma vida diferente? Ninguém é perfeito, afinal de contas.
Falar é fácil… alguns erros e decisões são difíceis de engolir, como eu sei disto muito bem. Assim como todo mundo, tenho a minha porção de misérias pessoais, mas quem não as têm, em maior ou menor grau? Poderia tecer uma rede de lamentações relativas ao meu trabalho, às minhas finanças, à minha saúde, ao meu relacionamento… mas esta é a minha vida, é quem eu sou, e se fosse diferente, não seria mais eu. Por mais difícil que seja, eu tenho que conseguir me convencer disto, para o meu próprio bem. E assim comigo, assim com todo mundo. Eu tenho a vida que eu consegui ter com as circunstâncias que a vida me deu. E eu tenho que aprender a ser feliz com a vida que a vida me deu. Mesmo porque no meu caso, como no de todo mundo, não há processo cirúrgico nenhum que vá me ajudar a esquecer todas as besteiras que eu já fiz na vida ou todas as dores pelas quais já passei. Melhor virar a página, simples assim.
Sim, isto É mais uma tentativa de auto-análise e cura, mas este texto está indo por um caminho que não estou gostando, psicologia de almanaque nunca foi o meu forte. Algo me diz que eu estou caindo na síndrome de Oprah Winfrey, não estou conseguindo ser muito objetivo e estou abordando lugares comuns, então melhor parar por aqui… divagações à parte, o fato é que Eternal Sunshine of the Spotless Mind é um excelente filme, e fica aqui a minha dica para um dvd, a título de puro entretenimento e nada mais, sem nenhuma pretensão psicológica. E se não gostar do filme, é só ir na locadora e pegar outro, porque filme, ao contrário da vida real, pode ser trocado a qualquer momento.



7 comments:
Nossa, eu amo este filme de paixão...tenho a edição especial aqui em casa (2 DVDs) há tempos!
Ahhh Antonio...
Taí outra coisa que concordamos - Aquele "finalmente" que você escreveu no seu comentário tem mais um ítem...
Você já é um querido para mim! Gosto muito do que escreve e esse filme realmente é bem interessante!
O Jim Carrey me surpreendeu, porque eu não gosto muito das suas atuações e automaticamente imaginei que não gostaria do filme por causa dele. Bobagem. Adorei! Imperdível.
Vou procurar na locadora para assistir.
Deve ser muito bom! Depois comento.
Bjs
o diretor é o grande Michel Gondry!
Que também dirigiu o fofo "The Science of Sleep", onde um rapaz introspectivo prefere lidar com o mundo dos sonhos ao real, com todas as suas complicações. Rings a bell?
Eu lembro que quando eu vi esse filme pela primeira vez eu achei um lixo - é claro que eu não tinha entendido nada.
Uns meses depois eu vi de novo; me emocionei, chorei... foi uma coisa. Acho que isso mostra o quanto uma pessoa muda em um pequeno intervalo de tempo haha
Eu recomendo o filme também, muito bom.
bjs
Por incrível que pareça, sempre quando vou assistir, acontece alguma coisa que não deixa! Depois dessa postagem, me senti mais frustrada! (rs*) Beijus
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