
Consegui sair de casa este final de semana! Não parece nada, mas quem vem acompanhando o meu gradual distanciamento da sociedade nos últimos meses, sabe que é um grande passo. Não cheguei a ver ninguém, não sai para jantar fora, não fui a nenhum bar nem discoteca nem nada parecido. Mas pelo menos consegui criar ânimo para dar continuidade à minha descoberta de Bruxelas. Já não era sem tempo, afinal de contas já estou aqui há quase um ano e ainda não conheço praticamente nada. Fui no sábado ao Museu Horta, que é basicamente a casa onde morou o arquiteto belga Victor Horta, um dos principais nomes do movimento Art-Nouveau, que dominou o design europeu no início do século XX. Tendo sido o principal representante belga do movimento, o arquiteto é responsável pelo desenho de várias casas e prédios em Bruxelas, alguns dos quais infelizmente já demolidos.
A casa de Victor Horta fica no bairro de Ixelles, que é um das áreas mais agradáveis de Bruxelas; está para a cidade assim mais ou menos como o Jardim Paulista está para São Paulo. É um bairro gostoso de se passear. Em Ixelles há várias lojas, restaurantes, bares, galerias, enfim, é o endereço ideal pra turma que se acha descolada (eu já passei dessa fase, mas devo admitir, é mais agradável do que caminhar pelo centro de Bruxelas…). E também muitos casarões do final do século XIX e início do século XX. Em um deles, fácil de se identificar pela enorme varanda em ferro retorcido na fachada, fica o museu. E se a entrada na Casa de Erasmo significava uma volta ao século XVI, o museu Horta não fica atrás. É entrar no casarão e voltar 100 anos no tempo, para uma época em que Bruxelas ainda figurava na lista das cidades mais bonitas e elegantes da Europa (antes do desastre urbanístico dos anos 60 e 70 que desfigurou o centro e relegou Bruxelas à condição de mero ponto de passagem entre Paris e Amsterdam).
Logo na entrada do museu, a principal atracão da casa: a escadaria que liga os vários andares do prédio. Digo vários porque os andares são desnivelados; a cada curva da escada há uma série de cômodos. Não há corredores; a casa inteira se comunica através da escadaria, toda em mármore e ferro retorcido, toda em estilo art nouveau, rodeada de espelhos, vitrais e obras de arte, e encimada por uma bela clarabóia que ilumina a casa inteira com uma cor amarelada. A escada é realmente um espetáculo. Outra coisa interessante é o uso das cores. Cada compartimento é decorado com uma combinação de duas cores principais, uma das quais faz a ligação com o compartimento seguinte. A casa inteira varia do ocre na entrada (que eu imagino que fosse antigamente a cozinha, único compartimento modificado, a fim de dar o suporte administrativo ao musseu) ao azul no último quarto, passando pelo rosa velho no salão principal, pelo creme no quarto de casal e pelo pistache nas salas íntimas. E tudo decorado no estilo Art Nouveau, desde as maçanetas das portas até o suporte para toalha na sala de banho. Outra coisa que eu achei bem legal foi a pia embutida no quarto de casal. O que aparenta ser uma simples gaveta de madeira é na verdade um mini lavado. Muito prático, eu diria.
Foi um passeio bem agradável. Eu que gosto de arquitetura – cheguei a me matricular duas vezes no curso, depois desisti, coisa da qual eu me arrependo hoje em dia – saí do museu de bem com a vida. Depois da casa de Horta dei uma volta pelo bairro, observando a fauna local, um dos meus passatempos prediletos. Entrei em uma ou duas galerias e livrarias, folheei uns livros – achei um livro ilustrado em inglês de Alice in Wonderland que achei muito bem feito, me deu vontade de comprar (mas não comprei). Parei numa farmácia para comprar soro para as minhas lentes de contato (o lado básico da vida) e depois peguei o bonde de volta ao centro. Ainda pensei em dar uma passada na Place du Châtelain, no mesmo bairro, onde estaria tendo o tal do Festival de Música Latina, mas aí deu preguiça mesmo, já estava ficando tarde e eu queria vir para casa.
No domingo o tempo fechou, choveu, fez frio, eu fiquei em casa. Aproveitei para avançar na leitura de um livro, Todas las famílias felices, do escritor mexicano Carlos Fuentes. É um livro de contos sobre a vida moderna no México. É um livro interessante, mas para mim a única desvantagem de um livro de contos é que as histórias são curtas demais; no momento em que estamos entrando no enredo de um dos contos, a história acaba. Bom, mas isto é da natureza dos contos, não dá pra culpar o livro nem o autor. Em todo caso, li uns dois ou três contos e em seguida fui dar uma olhada na programação de cinema. Não me empolguei, o único filme que me despertou a atenção foi Interview, mas era num horário ruim, não achei que fosse valer a pena sair de casa em pleno horário do jantar para ver um filme que é uma cópia de outro que eu já vi. Se bem que eu peguei o Interview original pela metade, então queria ver o filme inteiro. Mas refilmagem, sei não… acho que tenho preconceito com cópias norte americanas de filmes europeus, pode colocar assim. Além do quê eu tenho certeza de que eu vou sempre achar a Katja Schuurman interpretando a Katja Schuurmann infinitamente mais interessante que a Sienna Miller interpretando a Katja Schuurman. Tudo bem, vá lá, mais ficou para o final de semana que vem, em todo caso.
A casa de Victor Horta fica no bairro de Ixelles, que é um das áreas mais agradáveis de Bruxelas; está para a cidade assim mais ou menos como o Jardim Paulista está para São Paulo. É um bairro gostoso de se passear. Em Ixelles há várias lojas, restaurantes, bares, galerias, enfim, é o endereço ideal pra turma que se acha descolada (eu já passei dessa fase, mas devo admitir, é mais agradável do que caminhar pelo centro de Bruxelas…). E também muitos casarões do final do século XIX e início do século XX. Em um deles, fácil de se identificar pela enorme varanda em ferro retorcido na fachada, fica o museu. E se a entrada na Casa de Erasmo significava uma volta ao século XVI, o museu Horta não fica atrás. É entrar no casarão e voltar 100 anos no tempo, para uma época em que Bruxelas ainda figurava na lista das cidades mais bonitas e elegantes da Europa (antes do desastre urbanístico dos anos 60 e 70 que desfigurou o centro e relegou Bruxelas à condição de mero ponto de passagem entre Paris e Amsterdam).
Logo na entrada do museu, a principal atracão da casa: a escadaria que liga os vários andares do prédio. Digo vários porque os andares são desnivelados; a cada curva da escada há uma série de cômodos. Não há corredores; a casa inteira se comunica através da escadaria, toda em mármore e ferro retorcido, toda em estilo art nouveau, rodeada de espelhos, vitrais e obras de arte, e encimada por uma bela clarabóia que ilumina a casa inteira com uma cor amarelada. A escada é realmente um espetáculo. Outra coisa interessante é o uso das cores. Cada compartimento é decorado com uma combinação de duas cores principais, uma das quais faz a ligação com o compartimento seguinte. A casa inteira varia do ocre na entrada (que eu imagino que fosse antigamente a cozinha, único compartimento modificado, a fim de dar o suporte administrativo ao musseu) ao azul no último quarto, passando pelo rosa velho no salão principal, pelo creme no quarto de casal e pelo pistache nas salas íntimas. E tudo decorado no estilo Art Nouveau, desde as maçanetas das portas até o suporte para toalha na sala de banho. Outra coisa que eu achei bem legal foi a pia embutida no quarto de casal. O que aparenta ser uma simples gaveta de madeira é na verdade um mini lavado. Muito prático, eu diria.
Foi um passeio bem agradável. Eu que gosto de arquitetura – cheguei a me matricular duas vezes no curso, depois desisti, coisa da qual eu me arrependo hoje em dia – saí do museu de bem com a vida. Depois da casa de Horta dei uma volta pelo bairro, observando a fauna local, um dos meus passatempos prediletos. Entrei em uma ou duas galerias e livrarias, folheei uns livros – achei um livro ilustrado em inglês de Alice in Wonderland que achei muito bem feito, me deu vontade de comprar (mas não comprei). Parei numa farmácia para comprar soro para as minhas lentes de contato (o lado básico da vida) e depois peguei o bonde de volta ao centro. Ainda pensei em dar uma passada na Place du Châtelain, no mesmo bairro, onde estaria tendo o tal do Festival de Música Latina, mas aí deu preguiça mesmo, já estava ficando tarde e eu queria vir para casa.
No domingo o tempo fechou, choveu, fez frio, eu fiquei em casa. Aproveitei para avançar na leitura de um livro, Todas las famílias felices, do escritor mexicano Carlos Fuentes. É um livro de contos sobre a vida moderna no México. É um livro interessante, mas para mim a única desvantagem de um livro de contos é que as histórias são curtas demais; no momento em que estamos entrando no enredo de um dos contos, a história acaba. Bom, mas isto é da natureza dos contos, não dá pra culpar o livro nem o autor. Em todo caso, li uns dois ou três contos e em seguida fui dar uma olhada na programação de cinema. Não me empolguei, o único filme que me despertou a atenção foi Interview, mas era num horário ruim, não achei que fosse valer a pena sair de casa em pleno horário do jantar para ver um filme que é uma cópia de outro que eu já vi. Se bem que eu peguei o Interview original pela metade, então queria ver o filme inteiro. Mas refilmagem, sei não… acho que tenho preconceito com cópias norte americanas de filmes europeus, pode colocar assim. Além do quê eu tenho certeza de que eu vou sempre achar a Katja Schuurman interpretando a Katja Schuurmann infinitamente mais interessante que a Sienna Miller interpretando a Katja Schuurman. Tudo bem, vá lá, mais ficou para o final de semana que vem, em todo caso.



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