Monday, August 27, 2007

Noite em Bruxelas


Final de semana agitado e divertido.

Na sexta feira a noite tive a visita de meus grandes amigos B e P que vieram passar o final de semana conosco em Bruxelas. B sempre carinhosa e atenciosa, cheia de presentinhos. Mas era sexta à noite, e o velhinho aqui estava cansado. Fui dormir logo depois que eles chegaram. Eles ainda tinham pique e saíram noite afora pelos bares do centro da cidade, onde encontraram M, que tinha saído pouco antes. Sei que passaram pela 60, uma discoteca velha do centro, evitaram o Canoa Quebrada (bar de brasileiros vidrados em axé music, samba e pagodinho, que B carinhosamente chama de Canoa Furada) e foram parar no Box, um inferninho belga, habitado por guys, gays, girls, boys, travs e drags, muitas drags, e voltaram tarde. No sábado de manhã tomamos todos café – melhor seria chamar de brunch, pelo horário – no terraço, como fazemos sempre aos finais de semana, quando o tempo permite. E felizmente fez um pouco de sol este final de semana, então pudemos aproveitar para passear pela cidade e mostrar a P a Bruxelas que ele praticamente não conhecia.

No sábado à tarde fizemos um passeio de turista típico, demos uma volta pela cidade em um destes ônibus de dois andares que fazem city tours pelas capitais da Europa. Foi bem divertido, eu próprio fiquei me inteirando a respeito de detalhes da geografia e da história de Bruxelas que eu ainda não sabia; além do quê, demos voltas por partes da cidade às quais eu não vou nunca devido à distância e à preguiça. Engraçado foi passar em um dado momento perto de Schaarbeek, o maior bairro de imigrantes da cidade, e ouvir através dos fones de ouvido do ônibus turístico que a população de diferentes nacionalidades convivia pacificamente na área, e observar do lado de fora ao mesmo tempo uma briga de rua em tempo real entre uma família de muçulmanos e um motorista africano (mais uma da série "a diferença entre a vida como ela é e a vida como querem nos fazer crer que seja"). Bom, no final do passeio estávamos todos com fome e paramos em uma lanchonete suíça perto de casa para nos fartar com deliciosos sanduíches de camarão com tomates. Não sei o que camarões têm a ver com a Suíça, mas pouco importa, os sanduíches estavam ótimos.

De volta em casa, mais uma sessão de drinques no terraço com direito a copos de uma excelente Cava trazida por B e P, pôr-do-sol, lounge music e tempo bom. E o telefonema de S, querida amiga de Rotterdam, há mais de 10 anos vivendo na Holanda porém carioquíssima como poucas, que não vejo quase nunca. Pois bem, S estava de passagem pela Bélgica com o namorado novo, W (holandês, soldado do exército, 26 aninhos, corpão e caladão) e acabaram vindo de surpresa para uma visita que durou um dia inteiro. Acomodar quatro convidados no mesmo final de semana em casa não é moleza, mas graças à ajuda de B e P na montagem da cama de hóspedes (que teve que ser no final acrobaticamente transportada para o segundo andar pela janela do meu quarto, sobre o terraço), tinha lugar pra todo mundo. S e W ficaram no sofá cama da sala. Normalmente para uma pessoa só, mas como casal recém formado gosta mesmo de aperto, acho que eles não se incomodaram.

Após o jantar saímos para curtir a noite, dar uma volta pelos bares do centro, etc. Para mim que não saio nunca, um grande feito. Uma pena somente que sempre que eu saio à noite, depois de meia hora me dou conta de porque sempre fico em casa – a noite de Bruxelas pode ser bem iluminada, mas ainda assim, deve ser uma das mas caídas da Europa. Fomos parar como sempre no bar preferido (por falta de opção) de M, o Bélgica. Fico com vergonha de não ter capacidade de levar B e S para um lugar mais animado. B que já foi promoter de vários clubes em São Paulo, uma verdadeira instituição da noite paulistana, S que é uma promissora DJ em Rotterdam, rata de festa e recém chegada de Londres e Ibiza, devem ter ficado decepcionadas. Os bares no centro de Bruxelas são todos pequenos, as pessoas são no meu ponto de vista desinteressantes (tenho a impressão que todas as pessoas interessantes que vivem em Bruxelas ou fazem como eu e ficam sempre em casa nos finais de semana, ou talvez viajem para as cidades próximas, como Paris, Londres ou Amsterdam), não há muito o que se descobrir, ver ou comentar. Então lá pelas três e meia da manhã acabamos todos voltando pra casa, pois dormir era evidentemente a melhor opção.

Domingo de manhã mais um agradável brunch no terraço. B e P partiram logo cedo de volta à Holanda, mas S e W ficaram até o final do dia. Como S é em muitos pontos a versão feminina de M, eles sempre se dão muito bem. As gargalhadas se sucedem numa conversa que beira um diálogo de filme de Almodóvar. Eu como observador nato sempre me divirto com a troca ácida de palavras e piadas entre os dois. Pois bem, resolvemos dar outra volta pela cidade, desta vez para mostrá-la a W, pela primeira vez na cidade. Após o roteiro básico do centro (Manneken Pis, Grand Place, Catedral, etc) resolvemos que estávamos ainda cansados da noite anterior e mais a fim de sentar em volta de uma mesa que passar o dia perambulando. Fomos ao Sablon, conseguimos uma mesa de esquina no Grand de Sable, um dos cafés da área, e ali ficamos até o final da tarde, comendo, bebendo, conversando, quando voltamos pra casa. S e W partiram e ficamos eu e M, cansados mas felizes. Amigos sempre fazem falta, e é sempre bom tê-los por perto. E com amigos qualquer noite em qualquer cidade é sempre divertida.

2 comments:

Labelle® Paz said...

Eu também acho que as pessoas é que fazem o lugar... Principalmente quando estamos entre amigos, que sequer percebemos o tempo passando.
Boa semana !

Beth Blue said...

Nossa, só falta eu mesmo tomar vergonha na cara e ir te visitar um dia desses, né? E agora com namorado novo (estou igual a amiga que você comentou neste post, rsrsrs) fica ainda mais complicado, eu durmo praticamente todos os fins-de-semana em Haia. ;-)

Mas não há de ser nada, espere - sentado mas espere - que um dia eu apareço! Promessa é dívida.

beijos