
Mais um sábado de sol em Bruxelas. Terminou o feriado de Ascenção. Agora é só o final de semana, mesmo.
Acordei às 10 da manhã, horário mais que respeitável para um sábado. Eu gosto de acordar relativamente cedo aos sábados, na verdade 10 da manhã para mim já é tarde. Não só porque gosto das manhãs em geral, gosto do ar fresquinho das manhãs, e porque quero aproveitar o dia ao máximo, mas também porque tenho um certo ritual que pratico todos os sábados. O ritual do café da manhã. Durante a semana, o café da manhã é de certa forma sempre algo rápido, uma atividade programada no meio de uma séride de atividades programadas, que tem hora e minuto pra começar e para terminar, a fim de não atrasar a agenda do dia. Aos sábados eu me permito reservar o tempo necessário para desfrutar desta refeição que deveria ser para todos a principal do dia. Sábado ninguém me tira de casa antes que o meu ritual do café esteja completo.
Eu saio bem cedo para ir comprar croissants e o jornal do dia. Lembro aos brasileiros que na Bélgica, assim como na Holanda, não há edição de jornal aos domingos, de forma que o jornal de sábado vale pro final de semana inteiro, é a edição mais completa, aquela que vem com todos os cadernos especiais. Na Holanda eu comprava sempre o De Volkskrant, um bom jornal, bastante informativo. Algumas vezes me atrevia a comprar o NRC Handelsblad, de longe o melhor jornal da Holanda, mas também o de mais difícil leitura. Aqui na Bélgica, compro dois. Le Soir é o principal jornal de língua francesa do país, e infelizmente, é decepcionante, a cobertura internacional é parca e superficial, e a cobertura local se resume ao dia-a-dia dos políticos francófonos. Uma cidade como Bruxelas merecia um jornal de língua francesa melhor. Mas talvez seja porque a população francófona local seja tão ligada à cultura francesa em geral; pode ser que le Monde e Figaro acabem sendo mais vendidos. Em todo caso, compro o Le Soir, e para compensar, compro também o De Standaard, jornal de língua flamenga, que tem a fama de ser nacionalista, mas que é de fato bem melhor que o Soir, bem mais completo. Além do quê, eu realmente gosto de ler em neerlandês (já falei disso eu outro texto... é, cada louco com a sua mania). Então passo a manhã inteira jogado no sofá, lendo os jornais todos, bebendo meu suco de frutas, meu café com leite, e comendo meus croissantes de sábado, que tanto gosto. Ah sim, e ouvindo meus cds favoritos. No momento um cd que tenho ouvido bastante é o de uma cantora chamada Bia, o cd se chama Mon Coeur Vagabond, e ela canta em francês e em português (será que eu já falei deste cd aqui?). Para quem acha que gosta de música brasileira e francesa em estilo bossa nova-jazz-lounge, eu recomendo. Há uma música neste cd que eu gosto muito, La Mauvaise Réputation, a letra é bem divertida.
Quando o ritual do café da manhã acaba, geralmente já é hora do almoço, mas como eu vinha comendo a manhã inteira, nunca tenho fome. Então faço um lanchinho, e vou seguindo em frente. Sábado é um dia em que gosto de deixar a agenda aberta. Afinal de contas, depois de tanta correria durante e a semana, a última coisa que quero é ter horário marcado no final de semana. Então vou fazendo o que me dá vontade, sem muito compromisso com as obrigações caseiras ou sociais. Se der vontade de ir ao supermercado, vou; se não der, não vou, e invento o que comer depois. Se der vontade de ir encontrar com alguém, vou; se não der, fico em casa mesmo, e pronto. Não me obrigo mais a fazer o que não quero, pelo menos não nos finais de semana.
Bom, hoje deu vontade de ir à academia, pois já fazia uns 3 dias que não punha meus pés por lá, e eu me prometera este ano frequentar a ginástica em média 3 vezes por semana. Eu sempre vou durane a semana, após o trabalho. Acho mais fácil, no final de semana me dá preguiça. Mas eu havia "faltado" na sexta, então me enchi de energia e boa vontade, tomei um banho, troquei de roupa, e lá fui eu, rumo ao haut de ville (Bruxelas é como Salvador, tem a cidade baixa, e a cidade alta), onde fica a academia, pertinho do Parlamento Europeu. Chegando lá, sala de musculação vazia, como sempre acontece aos sábados, aproveitei pra colocar a malhação atrasada em dia - haja fôlego. Duas horas de árdua atividade física. Dizem que mulher sofre em nome do visual, mas gay também não fica muito atrás. Quando em penso em todas as vitaminas, proteínas, aminoácidos, creatinas e sabe-se lá mais o quê, que já virei goela adentro, em nome do corpo perfeito... como cansa ter que estar sempre com o corpo em cima. Atualmente estou encarando o desafio de uma maneira mais natural. Já não tomo mais pílula alguma, mas continuo malhando. Enfim, penso no lado saudável da coisa, afinal de contas uma atividade física faz bem não só ao corpo, mas também à mente. E é sempre bom se sentir em forma.
Bom, músculos devidamente treinados, posso me permitir a aproveitar o resto do dia. Um dia de sol aqui na Bélgica, uma temperatura agradável, portanto um dia perfeito para sair à rua, passear e às compras. Passei pela Rue Royale e desci pelo Grand Sablon de volta ao centro, e de lá tomei a direção da áera comercial. Na verdade eu tinha um "encontro marcado" com a FNAC, por assim dizer. É que há alguns dias, na festa de despedida do meu emprego anterior (para quem ainda não sabe, troquei de emprego faz uma semana, mas é quase como se fosse a mesma coisa, pois praticamente eu apenas troquei de um departamento para outro dentro da Comissão Européia), havia ganho uns coupons (estou me repetindo, acho que eu já falei disto aqui também...), e faltava trocar ainda um. Então fui atrás de um disco que estava procurando há algum tempo, de um grupo chamado Gotan Project, acho que são franceses. O nome do cd é La Revancha del Tango. Se não caiu a ficha, é a trilha sonora do comercial de Campari com a Salma Hayek, alguém viu? Para quem acha que gosta de tango-lounge-tecno, também recomendo. Um disco sem dúvida interessante, uma releitura moderna do tango argentino e até mesmo de Piazzolla. Eu que em 1986 morei por um mês e meio em Buenos Aires me considero um brasileiro "aportenhado" pois sempre tenho interesse por tudo que diz respeito à cultura daquela cidade. Este cd, eu o ouvi pela primeira vez há cerca de um ano e meio na casa de minha amiga Marília em Amsterdam e gostei muito; finalmente comprei. Demorei para encontrar porque não conseguia me lembrar o nome do grupo, só lembrava que era algo com G, fui procurando, procurando, naquela loja enorme, até encontrar. Aí já eram quase 7 da tarde, eu resolvi que já era hora de voltar para casa. Deixei o supermercado pra amanhã.
Fui jantar em um restaurante de cozinha asiática aqui perto de casa, na Rue du Midi, chamado Lotus Bleu, que oferece pratos baratos e muito gostosos, como todo bom restaurante asiático. O lugar é simplérrimo, mas quando se está com fome é uma excelente pedida. Pedi o meu canard a l'orange como de costume. Tenho o péssimo hábito de sempre pedir os mesmos pratos nos mesmos restaurantes, raramento me aventuro em experimentar algo diferente, o que já deve ter me impedido de fazer boas descobertas, mas fazer o quê? Diria que é o meu lado conservador. Vindo de onde eu vim, tinha que ter um, pelo menos.
De volta pra casa, sábado à noite, sem programa, sem vontade de sair, ligo a tv, e no zappear chego à TF1, uma espécie de SBT francesa, e pego Patrick Juvet cantando "I Love America" em um programa de auditório. Patrick Juvet!!! Quem ainda lembra, dos tempos áureos da disco music?? Eu nem sabia que ele ainda estava vivo e ainda cantava... então, era um programa de variedades de música, números novos e antigos, e apareceu tanta gente que eu não via há anos... olha, no final foi bem divertido, bem à francesa, bem parisiense mesmo, até flashback de Dalida rolou. Quem diria, eu, assistindo programa de auditório da TF1 num sábado à noite. E achando o máximo. Acho que é assim que a gente percebe de que está mesmo ficando velho.
Sigo em frente no meu zapping e chego a um programa do tipo reality-show, sobre a agência de modelos Wilhemina, de Nova York. Estão produzindo o novo casting de modelos, e acaba de chegar uma modelo brasileira, chamada Fernanda. Fernanda é linda, mas está com algumas polegadas a mais nos quadris, e isto é motivo para uma pequena revolução dentro da agência. No final, uma das funcionárias é demitida. Nossa, essa Fernanda é perigosa nas curvas, literalmente.
Pra fechar o dia com um mínimo de vida inteligente na TV, peguei no canal de história um documentário sobre os vários museus Guggenheim no mundo. Mostraram o Guggenheim de Nova York, o de Bilbao, o de Veneza... e supresa, esta eu não sabia ainda, vão construir um novo Guggenheim em Nova York, em downtown, ao lado da ponte do Brooklyn, o projeto é do Frank Gehry, o mesmo do G. de Bilbao, um projeto inclusive bastante parecido. E 10 vezes maior que o atual Guggenheim do Central Park. A minha amiga Anna acabou de voltar da Big Apple, reclamando que já não ia lá desde 2005. Eu que não vou a NYC desde o ano 2000, portanto ainda sou da NYC pré WTC, fiquei com muita vontade de assim que possível voltar a por os meus pés em Manhattan, mesmo com toda a chatice da imigração. I Love America, he he he...



1 comment:
Hey, Gotan Project volta e meia faz shows por aqui. Pra lembrar o nome é só pensar num verlan : Tan-go = Go-tan
Hehe, meus dias perfeitos são exatamente assim (tirando a academia, hohoho). Three cheers for you por fazer o que vc QUER, e não o que vc DEVE (que é uma coisa que eu ia comentar num outro post que vc fala sobre se sentir meio massacrado pela vida). Beijo!
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