
Ontem à noite fiz algo que há muito tempo não fazia - saí com uma amiga para assistir a um concerto. Aliás não um concerto, mas vários. A Nina, minha ex-colega de mestrado em Amsterdam, está agora morando também em Bruxelas, ocupando a vaga que eu deixei quando saí da DG INFSO da Comissão Européia para ir para a EACEA - outro órgão europeu. Ela tinha comentado comigo sobre o Brussels Jazz Marathon, acontecendo este final de semana aqui na capital belga, e nós resolvemos ir conferir. Fomos a três concertos, um na Place Sainte Catherine - uma banda de jazz irlandesa, influenciada pelos sons celtas -, um na Grand Place - uma banda de blues, e outro na Place d'Espagne, outra banda de blues. Na verdade nenhum dos três empolgou. Emendamos então até o restaurante Saudade do Brasil, onde haveria um show de bossa nova. Este é um restaurante de comida brasileira situado em uma pracinha no centro de Bruxelas cujo nome me escapa agora à memória, uma praça bem simpática com casarões em em estilo flamengo, onde se encontra também o Centro Cultural Jacques Brel (que para quem não sabe era belga, e não francês).
Chegamos no restaurante, estava bastante cheio devido ao show improvidado no fundo do salão. Não deu para ficar, estava confuso demais. Bebemos cada um um copo de guaraná - a Nina nunca tinha provado, adorou - e fomos ao encontro de nosso amigo Florian, outro ex-mestrado, também instalado aqui, que tinha acabado de festejar a vitória do time dele, o Nüremberg, na Copa Alemã - Nina e Florian são alemães, aliás estão dividindo um pequeno mas agradável apartamento na Rue des Chartreux, desde que Nina chegou (lembrei que tenho que levar a minha irmã até a área onde eles moram da próxima vez em que ela vier aqui, pois do lado da casa deles há uma outra pracinha onde se encontra o Estaminet, um dos restaurantes mais antigos da cidade). Encontramos Florian e mais outro casal em um bar na Boulevard Anspach, a rua onde moro, onde tocava uma banda de música latina, um pouco de salsa com sei lá mais o quê. Foi uma noite agradável, tive a oportunidade de conversar com uma moça que está trabalhando na DG Development (meu sonho de consumo profissional no momento) e ela me explicou um pouco o trabalho deles por lá. Bom, meia noite chegou, e junto com ela o sono (é, eu já não sou mais de noitadas, meia noite a Cinderela vai pra casa) e a chuva, e nós decidimos cada um ir embora para suas casas. Gosto muito que a Nina esteja morando atualmente aqui em Bruxelas, é uma antiga amiga desde os meus bons tempos de Amsterdam, alguém com o mesmo background cultural que eu, tem portanto os mesmos gostos e os mesmos assuntos - boa companhia para qualquer programa.
Bom, voltei pra casa e antes de ir dormir resolvi começar a escrever um texto aqui no blog, mas em um dado momento o sono foi mais forte, e de repente me vi dormindo em frente ao computador. Achei que já estava em tempo de ir pra cama, o blog podia esperar, não tenho porque lutar contra o sono, já não sou mais adolescente - o texto ainda está incompleto, publicarei mais tarde. Apaquei todas as luzes, escovei os dentes, troquei de roupa, e me joguei nos braços de Morfeu (ah, como Morfeu é gostoso!).
Acordo no final da madrugada para ir ao banhero e encontro Mattia dormindo em frente ao computador. Tinha ido a uma festa de despedida de não sei quem, não sei onde, voltou não sei que horas, e aparentemente teve a mesma idéia que eu, com os mesmos resultados. Eu que estava ainda zonzo demais de sono para conseguir fazer qualquer coisa a respeito, voltei pra cama; e aparentemente ele veio atrás de mim, pois o encontrei dormindo ao meu lado esta manhã, o que é bom sinal.
Levantei-me por volta das 10 da manhã. Domingo nublado, como sempre num final de semana. Desci para preparar o café da manhã. A cozinha estava uma zona, resultado de um sábado quase inteiro passado em casa. Resolvi que queria ir à busca de um jornal de domingo. Explico: na Holanda eu sempre tinha um ritual do café da manhã aos sábados, onde saía cedinho para comprar o jornal de sábado mais croissants, e depois passava a manhã inteira lendo e tomando café. É um ritual do qual gosto bastante e que continuo a fazer aqui na Bélgica. Na Holanda era obrigatório que isto fosse feito aos sábados, posto que lá não há edição de domingo dos jornais. O jornal de sábado vale pelo final de semana inteiro. Continuei a fazer a mesma coisa aqui na Bélgica pelo mesmo motivo, aqui também não há edição de domingo. Mas hoje pensei - estou na "capital" da Europa, se é tão fácil encontrar as edições de jornais de outros países europeus, então também consequirei encontrar uma edição de domingo para ler. Então fui à caça.
O problema é que a maioria das lojas aqui estão fechadas no domingo, obviamente. Em todo caso fui descendo o Blvd. Anspach em direção a De Brouckère, e em frente ao prédio da Bourse encontrei uma banca de revistas aberta, operada por um chinês. Todos os jornais europeus de domingo disponíveis. Yes!! Comecei a procurar algo interessante, o atendente logo me apressou a tomar a minha decisão. Não gosto de ser apressado num domingo de manhã, mas tudo bem. Resolvi comprar o Le Monde e o El País, na minha opinião um dos melhores jornais europeus. Preço total, EUR 4,30. Um tanto caro por causa do El País, que vem da Espanha. Em todo caso resolvi pagar. Tirei da carteira EUR 10,30 e dei ao chinês, que me devolveu seis moedas de um euro cada. Eu não gosto de receber o troco em moedas porque sei que sempre perco, elas caem pelos lados da carteira. Então pedi para que o chinês me desse uma nota de cinco euros, o que ele se recusou a fazer. Coisas de chinês, trabalham aos domingos mas o atendimento é péssimo - é claro que ele tinha a nota de cinco euros, apenas não queria dar. Resolvi desfazer a operação. Devolvi os jornais e peguei o meu diheiro de volta. 10 euros. Tive que lembrar ao chinês que ele ainda me devia os 30 centavos...
Continuei procurando outra banca, fui até De Brouckère, uma praça que foi linda no final do século XIX mas que o século XX tratou de parcialmente destruir. Não achei nenhuma banca aberta. Resultado, tive que engolir o meu orgulho e voltei à banca do chinês. Resolvi então comprar apenas o Le Monde, que também era mais barato, e deixei o El País de lado. Preço total: EUR 1,30. Dei ao chinês EUR 2,30, esperando receber uma moeda de um euro de volta. Adivinhem o que ele me deu? Duas moedinhas de 50 centavos cada (e é por isto que eu digo que eu tenho certeza que ele tinha uma nota de cinco euros). Chinês de merda. Tudo bem, peguei minhas moedas e vim embora. Minha vingança em todo caso já está marcada. Final de semana que vem eu volto lá com todas as moedinhas de 10 centavos que eu conseguir poupar durante a semana. Ele terá 13 moedas para contar.
Resolvi que este pequeno stress da manhã não há de estragar o meu dia, por favor... então volto pra casa, pra preparar o meu café e ler o meu jornal em paz. Limpo a cozinha, esvazio o lava-louças, guardo os pratos e talheres limpos, preencho a máquina com os pratos sujos, preparo a minha vitamina de frutas - o liquidificador foi mal colocado, metade do suco cai pra fora, paciência - limpo de novo a cozinha, termino de preparar a vitamina, espero a máquina de café funcionar - está quebrada, demora um século. Mas o café sai no final, quentinho. Minha lente de contato começa a arder nos olhos, acho que não a limpei direito pela manhã. Subo ao banheiro, retiro as lentes, limpo-as de novo, recoloco nos olhos. Ufa. Há dias que insistem em não comecar direito, mas agora parece que está tudo bem. Finalmente. Desco, e coloco a Corinne Bailey Rae pra tocar, que como diz a minha irmã, tira qualquer mau humor da área. Arrumo a sala, e trago a bandeja do café para a mesa. Posso agora me sentar e dar início ao meu ritual da manhã. Tudo bem que a esta altura já passou do meio dia.
A gente se estressa com cada bobagem, né?



4 comments:
sim, você se estressa com muita bobagem mesmo. e se o seu fim-de-semana foi com amigos europeus, o meu não podia ter sido mais verde e amarelo. passa lá no meu blog pra conferir! beijos
Ai que emoção!!!! Falar duas vezes de mim num mesmo texto??!!!Estou super mega ultra power convencida!
A Júlia pelo jeito é sua irmã.
Que chinês truqueiro, bem feito q ele tem que trabalhar aos domingos.
E pelo visto Morfeu virou um computador. E finalmente que bom que vc tem uma amiga por perto, a gente se sente mais em casa assim né?
Mas "pequenos estresses, também não merecem rugas" parafraseando você mesmo.
Realmente, chéri. Não se estresse. É um treinamento quase zen, mas vale a pena.
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